sujeito oculto ou o inferno são os outros
15/05/2012
: – “as pessoas estão cada vez mais individualistas’. “as pessoas não sabem mais dar limites aos seus filhos”. “as pessoas jogam lixo no chão”. “as pessoas deixam a água do banho correr, enqto vão atender o telefone”. “as pessoas não conseguem mais se comprometer com nada”. “as pessoas são assim, ignorantes”. “as pessoas só pensam nelas”. “as pessoas só querem ganhar, o tempo todo”. “as pessoas não ajudam”. “as pessoas não querem saber dos direitos dos animais”. “as pessoas constroem em encostas”. “as pessoas lavam as calçadas com mangueira”. “as pessoas não querem saber dos idosos”. “as pessoas estão loucas”. “as pessoas se alimentam muito mal”. “as pessoas não sabem votar.”
quereres
10/05/2012
que los hay…
09/05/2012
ela tropeça numa lâmpada, dessas que têm gênio dentro, e nem vê. tá tão ocupada com a vida, tão assim, sem acreditar em magia, que atropela aquela lâmpada que luzia no meio da rua, meio dia, do nada. lâmpada é o catzu, to com pressa. Sem querer, libertou o gênio.
o gênio, que habita a lâmpada, indignado pelo desprezo, vai atrás dela: ”fia, tu tem noção do perigo? to aqui há 10 mil anos, preso nessa garrafinha, esperando o dia em que um pobre mortal desesperado me encontre e me liberte, achando que esse é o dia mais feliz da vida dele, e tu me despreza, assim, passa por cima, nem olha pra trás? isso não tá certo, não! tenho obrigação histórica de servir a quem me acha, sou seu escravo, mesmo sem querer.”
“dá um tempo, gasparzinho, que eu to toda bookada. e tb não acredito em nada disso. o que vc quer? dinheiro não tenho, nem parentes importantes, minha carreira é um fracasso, minha conta bancária está no vermelho há 22 anos e eu não tenho onde cair morta e nem pra onde ir. vaza!”
“vc não tá entendendo, to aqui pra isso, pra resolver sua vida! pede aí, pede qq coisa. o que vc quer? tudo pra já! pede! peeede!”
“sai fora, pluft, me amarrota que eu to passada, e qdo eu me espalho ninguém me junta!”
“pede, faz um pedido, um sonho impossível qq, é só falar, só falar uma palavra! fala, patroa! que que te custa?” o gênio falava, desesperado, enqto corria atrás dela, que nem tchum pro assunto. “…patroinha, é dinheiro, amor, fama, sucesso, casa, saúde, viagem, marido, palácio, jardim, navio, avião?…. fala só a palavra, só pra me testar, me deixa te provar que eu sou seu escrav0 e vc é minha dona, que seu desejo é uma ordem, me libera aí!”
‘”que mané escravo?! E eu não tenho desejos, não tenho tempo pra sonhar, nem acredito em gênios. fá-fé-fi-fó-fui, partiu feroz!”
E assim, ela foi correr atrás das coisas da vida, e o gênio ficou pê da vida, esperando, mais 10 mil anos, por alguém que ainda acredite em magia.
No dia seguinte, qdo parou pra atravessar uma rua, entre um não e outro, ela lembrou do episódio e riu sozinha: “gênio, ahahahah, quem dera…”
velha senhora
03/04/2012
acho que é da idade. tá bem, esse papo de idade já cansou, to ligada. mas sempre que tento mudar de assunto, como por exemplo, trabalho, vem ela, a idade: “… vc tem que se acostumar, temos que dar lugar a outras gerações”, ouvi, “agora é a vez deles, não tem jeito.”, chapei, “bom mesmo era no nosso tempo”, engoli.
meu tempo é hoje, tentei dizer, mas calei, por falta de firmeza. acho que falta de firmeza não é coisa da idade, que deveria dar firmeza, se não nas pernas, no propósito. calei. mas na verdade, fico aturdida pq não acho nada disso, sofro do Complexo de Peter Pan (ou seria de Wendy ou de Sininho? será que não tem nenhuma personagem feminina que não quer crescer? logo as mulheres, que precisam ficar jovens pra sempre? estranho paradoxo.)*.
(corta)
nas duas últimas semanas morreu um tanto de gente à minha volta, não gente suuuper próxima, mas próxima o suficiente. a mãe de uma amiga, o pai do ex, o Ericson Pires, um amigo das antigas. Ademilde Fonseca não era minha amiga, mas a conheci num momento especial e lamentei a morte dela. Chico Anísio, Millor… todo dia, uma morte. qdo to esquecendo, lá vem outra! o assunto rondando, assombrando, ameaçando: batidas na porta da frente, é o tempo. resisto: não adianta bater, que eu não deixo você entrar.
(corta)
em oposição ao tempo, o agora.
em oposição à morte, a vida.
não!
oposto à morte é o nascimento, diz o poeta.
não há oposição à vida.
não há oposição à vida.
não há oposição à vida.
*já reparou que, nos contos de fada, homens são maduros e as mulheres, eternas meninas? enqto isso, aqui na terra… nem inventaram um feminino pro tal complexo forever young…
vida real
24/03/2012
Caro leitor,
Vc sabia que eu sou cantora? Uma profissão da qual muito me orgulho. Mas confesso que adorei quando uma leitora do blog apareceu num show dizendo que era fã dos meus textos e qdo soube que eu cantava, foi conferir. Em geral não misturo as estações, pq não quero usar este blog como mais um canal de divulgação. Mas vou fazer isso, só por hoje.
Pois então, aqui vai o link para uma página, no Soundcloud, onde é possível ouvir músicas de todas as fases da minha carreira. Está tudo organizado em três sets: Jazz, MPB e Samba; Black, soul, funk; e O Amor de uns tempos pra cá, com as músicas do meu disco em duo com o Nabuco, de 2007.
Fiquem à vontade para ouvir e comentar! As músicas de minha autoria podem ser baixadas, as outras vc pode ouvir online. Não tem que se inscrever, não tem que preencher, nem pagar nada, é só clicar na setinha laranja do play e pronto! Se gostarem, compartilhem com os amigos. A melhor divulgação de um artista é o boca-a-boca.
Estou finalizando meu novo CD solo, Jamba, que está lindo de morrer e sai, em breve, pela Mills Records , com arte de outra colega de blog: Beá Meira. Estou ansiosa para mostrar pra todo mundo! Enquanto isso, continuo no Triboz sempre no primeiro sábado do mês, cantando músicas lindas.
Clique aqui pra ouvir.
Essa aí sou eu. um beijo, daqui, do mundo real
devassidão
18/03/2012
ele cruzou comigo na escadaria, eu subindo, ele descendo, em busca dos nossos assentos. era uma grande noite, cheia de pessoas vendo e sendo vistas. eu vestia branco, lembro bem. ele, sempre encantador e de paletó. os cabelos desalinhados, a barba crescida, suado, atarefado e gato, o costumeiro hálito alcoólico.
passou por mim, me abraçou pra me cumprimentar, e sussurou no meu ouvido: “só não te como, porque tenho namorada”. en garde, respondi: “não! vc só não me come porque eu não quero”. rimos muito da nossa rapidinha gostosa na escada do teatro, e seguimos.
Hoje, quando soube que ele morreu – poeta jovem, rebelde permanente, artista e acadêmico supercarioca- ele, arquetipicamente eterno, sempre mirando num alvo que ninguém via, eu só conseguia pensar: “por que não dei pra ele?” (isso lá é coisa que se pense numa hora dessas? )
despudorada, acho que ele gostaria desse epitáfio, publicado no dia da sua própria morte. ele, dionisíaco, esfogueado e vivinho da silva, mesmo assim, morto, do jeito que está agora.
fumo
06/03/2012
Preciso ler um poema arrebatador, preciso ouvir uma música que me penetre a alma, preciso ver um filme que me faça chorar muito. Preciso ajudar crianças em risco social, preciso dar atenção à minha família, preciso consertar o piso do meu apartamento e o pedal de sustain do piano. Preciso urgentemente ouvir os CDs que comprei e nunca, os livros que se amontoam na minha cabeceira e nada, os amigos que não vejo, a paz que nunca encontro.
Ontem ele passou o dia, a noite e a madrugada comigo, me vendo trabalhar, jogando beijos de longe. Me beijou na boca, na frente de todo mundo e disse: “vamos ter um filho, vamos logo? Imagina os cílios…”, ele disse, piscando aqueles olhos cinza-azeitona, com kajal de nascença, as pestanas espessas e longas, coisa mais linda que eu já vi. Pisquei os meus, porque também nasci de rímel: “Vamos, vamos sim!” “E se for menina, ele disse? Tem um nome?” “Cecília, Clarissa, um monte”, eu disse. “E menino?” “Menino quero o nome do meu pai”, romantizei. “Tá ótimo”, ele disse. Era a primeira vez que nos beijávamos. Era a primeira vez que nos beijávamos.
“Vamos ensaiar”, eu disse, “antes de ter um filho vamos ensaiar?”. “Sim, vamos marcar uns ensaios”, ele falou, como se a gente estivesse armando de montar uma banda nova. “Mas filho, só tenho com marido”, eu disse. “Então, vamos casar”, ele disse.
Palavras saem da boca como se escapulissem de dentro por vontade própria, vazias de sentido caem no chão, misturam-se ao som alto do bar, sobem à cabeça com vodca e lima da pérsia. Feito fumaça, rarefeitas, volatilizam e caem no esquecimento um minuto depois
vida secreta
26/02/2012
deixo caladas muitas palavras, até bem bonitas, que não tenho onde botar, assim como mil músicas que fiz e não serviram pra nada. sendo assim, deixo que as palavras funcionem como um tipo de legenda pras fotos que tiro com meus olhos, muitos qps*, que jamais revelo. e as músicas que canto por dentro, que faço e desfaço e, por desuso, acabo esquecendo, deixo que sejam a trilha sonora que toca em mim. de forma que, aqui dentro, é sempre cinema, é sempre poema, é sempre farsa.
*qps = quadros por segundo
mulheridade
24/02/2012
confiança gera confiança
04/02/2012
sempre atrasada, paro na esquina pra pegar um taxi até o metrô mais próximo. um cara me para e pergunta: “onde pego o ônibus pro metrô de Ipanema?” Indiquei o ponto, enquanto entrava no taxi, e pensei e falei ao mesmo tempo: “to indo pra lá, quer carona?”. O cara, entre atônito e divertido, topou na hora, educadamente. completamente estranhos um pro outro, entramos naquele taxi maravilhosamente refrigerado, numa tarde de 35º no Leblon. Convidei primeiro, pensei depois! confiei, pronto. ele disse: “obrigado! agora to indo pra faixa de Gaza. Meu trabalho fica entre duas facções, entre duas favelas não pacificadas. E a gente lá… no meio do tiroteio…”
meu telefone toca sem parar e eu mal consigo continuar nosso papo, até quase Ipanema, qdo trocamos impressões sobre o emprego dele, como controlador de perdas numa grande cadeia de varejo popular, e dos preços absurdos praticados no Rio. Eu estava a caminho da primeira audição do meu CD solo, e de uma longa sessão de edição de voz. Concentração e expectativa em alta. a conversa me atravessava. nos despedimos na porta do metrô, ele saiu correndo, não sem antes me oferecer seu telefone, pra qq coisa. Recusei, desejei sorte. Ele me deu um quase-abraço fraterno, apertou minha mão: “Agora é vida que segue, obrigado!”. Retribui o quase-abraço.
Qdo entro no vagão lotado, lá está ele, sentado. Ele acena e levanta, imediatamente, cedendo seu lugar. Aceito a gentileza, sorrindo. Me ofereço pra segurar sua mochila e engato, sem perceber, uma conversa com a moça sentada ao meu lado.
Ela me conta, quase do nada, que está perdida no metrô. Mas que está feliz, pq foi seu primeiro dia de trabalho, como diarista, na casa de uma pessoa que lhe deu a chave da porta e saiu. Sem desconfiança, sem medo. Está grata e satisfeita por ser alvo de confiança. Está em paz, sem pressa de chegar em casa, embora prefira andar de ônibus: “A melhor coisa que tem é a confiança”.
Quando piso de novo na minha vida, no estúdio, ouvindo o disco pelo qual tenho esperado com tanto anseio, percebo que ali também estou cercada de gentileza, respeito e confiança. E reforço minha crença nesse grato caminho por onde pretendo sempre passear.
palavra
30/01/2012
me preocupo com o destino dos brasileiros, e/ou aspirantes, que não sabem usar o pacote default de (brazilian) portuguese, aquilo a que se chamou língua portuguesa/brasileira (a culta, a inculta, a oculta e a linda). é como entrar num RPG sem saber usar suas habilidades.
tá bem. problema meu. tenho especial apreço pela linguagem. primeiro, a sensorial, seguida de perto pela musical e pela escrita. Arrisco dizer que a linguagem não-verbal dá de dez, de mil léguas submarinas em todas as outras. mas a palavra é senhora.
sei, também, que a linguagem falada tem sua própria vida, e que língua é feito gente: muda todo dia, com seu interlocutor e com as intempéries. as palavras vão sendo usadas e se modificando. A gente usa e percebe: há uma atualização disponível para esse aplicativo. E quando a gente se liga, a gente já ta usando, abusando, transformando. é assim que se dá a evolução da nossa espécie. pelo verbo, desde o início.
vejo as palavras como velhas almas femininas, evolutivas, que detêm saberes e fazem muitos filhos. elas contêm a história de todas as gerações das gerações, remontando às raízes, e delas se utilizam. Palavras carregam, em si, as marcas da humanidade. Condensam significados e estão abertas a novas propostas. estão vivas.
as palavras, seus similares e seus operadores, garantem que o mundo nunca vai cair na monotonia. no princípio, era o verbo. E no fim, o verbo ainda reverberará.
ano do dragão 2
23/01/2012
susan sarandon
17/01/2012
chuva de verão
10/01/2012
penso em vc chegando, na sua casa, no começo da noite, meio bêbado, num dia de semana qualquer, abrindo a ultima cerveja da geladeira e ligando a TV. vc dorme cedo, não é um homem da noite, não é de sair pra farra. sinto sua falta batendo papo na cozinha. no fim do dia, vc me liga. quando vc liga a TV, um pouco antes de dormir, vc pensa em mim, nos nossos dias de amor e paz. sente falta de uma mulher do seu lado, vc disse, pra coçar as suas costas, pra beijar sua boca, pra te fazer cafuné, pra deitar com vc. sente falta da parceria, das risadas, da conversa, do chamego. no meio da noite, te mando um torpedo, sinto sua falta na cama. vc responde cheio de saudades. tem história que é, praticamente, um trailler: só os melhores momentos, sem importar o fim.
o ano do dragão
30/12/2011
agradeço a todos que foram ver meus shows, a todos que aplaudiram e se emocionaram com a minha música. agradeço a todos que compartilharam seus talentos comigo, melhorando os meus. os que me elogiaram e os que me criticaram. a todos que me acompanharam nos meus dias bons e ruins. também a todos que me escutaram na mesa do bar e aos que me contaram suas histórias. a todos aqueles que me deram a mão qdo eu estava sozinha, e a todos os que me negaram ajuda. a todos os que me disseram sim e a todos que me disseram não. agradeço a todas as intempéries, aos dias de sol, às chuvas torrenciais e às noites de frio e solidão, bem como às noites de alegria, cercada de gente querida. agradeço à saúde que me manteve de pé e aos problemas de saúde que me derrubaram. agradeço à dor e ao alívio da dor. à salvação da música e ao silêncio. agradeço aos leitores que me doaram seus olhos, aos que comentaram meus posts, aos que calaram.
agradeço à minha mãe, pelo amor sem nome e sem tamanho, à minha irmã por nunca deixar que eu me sinta só e por me lembrar da alegria, ao meu pai pela preocupação amorosa diária, ao meu padrastinho pelas boas lembranças e à minha fada-madrasta por me amar como a uma filha. e à minha sobrinha por me melhorar, pra mostrar pra ela, com atitudes, que bom é ser da paz e da gentileza, respeitando os sentimentos e as diferenças, sem distinção de raça, credo ou cor.
agradeço aos homens que me amaram e aos que me rejeitaram. agradeço aos que apostaram em mim e aos que fecharam as portas. agradeço a tudo que mudou e a tudo que ficou. às pessoas que se despediram e às que entraram na minha vida. aos amigos de sempre, aos novos amigos, aos novos parceiros de trabalho e de vida, aos novos lugares que conheci, aos velhos hábitos e lugares que abandonei. aos acertos que fiz e aos erros que cometi. aos presentes que ganhei e às oportunidades que perdi. ao que me foi concedido e ao que me foi negado.
agradeço ao inexorável movimento da roda da fortuna, que ora traz, ora leva, ensinando que tudo está latente, tudo está pulsando, tudo está vivo, tudo pode acontecer.
Vem aí o Ano do Dragão, soprando vida e energia pelas ventas!
my favourite things
23/12/2011
ciranda
16/12/2011
minha amiga c. gosta da magia e sedução da noite. mora na lapa, trabalha na lapa. pra sair do trabalho e ir pra casa precisa, necessariamente, passar pelo furdunço mais abissal, onde todo mundo que ela conhece está celebrando a vida eterna. resistir, quem há de?
Ela me manda uma mensagem, via chat, estranhando sua inusitada placidez: “vc acha muito esquisito a pessoa, de repente, ficar calma e decidir passar o réveillon na roça?”
respondo que, nao, nao acho nem um pouco estranho mudar de itinerário. em volta de mim, meus grandes amigos estão todos em pleno ato de refazer os roteiros. embora apegada e canceriana, sinto segurança na mudança, fator humano, que procura melhores atalhos o tempo todo. é a excelência da raça, tentar outras saídas. meu handicap é ser volúvel, reconheço muito bem o valor da mudança, da liberdade de mudar de tudo.
faz muito sentido a cadência onde a vida traz movimento que traz mudança que traz liberdade que traz curiosidade que traz descoberta que traz transformação que traz novidade que traz coragem que traz fé que traz vida.
*foto de mosaico feito por Lia Silveira.
claridade
10/12/2011
meu coração está claro. não tenho mais nenhuma preocupação com nada daquilo. tudo se mostra como simplesmente é: a música, a vida, a beleza, as escolhas, os resultados das escolhas. bons resultados. maus resultados. todos bons.
tenho um sonho recorrente, de escadas em espiral, de elevadores pro sem-fim, de vistas de janelas de apartamentos altos, para a paisagem triste dos fundos, das áreas de serviço com roupas penduradas em secadores pensos, e garagens cinzas, e venezianas quebradas, basculantes de vidro crespo, esquadrias de alumínio, ninhos de pombos, becos e passagens por onde parece impossível penetrar. e eu pra sempre subindo e descendo e achando o poço do elevador e a ultima saída da escada de serviço. pelo porão, pelo telhado, pela emergência. sempre assim, além do limite. me esgueirando, claustrofóbica, rumo à luz e ao ar livre.
de onde estou hoje, sorrindo de mim, aviso aos demônios dos sonhos que não quero mais sonhar com espirais infinitas deceptivas. quero só que me indiquem as boas saídas.
tenho tanta felicidade e conforto que posso, humildemente, simplesmente relaxar e pedir: só mais uma taça de tinto, por favor.
what a wonderful world
08/12/2011
e se comer fosse sempre vegetais frescos e frutos do mar grelhados e queijos e pão integral e azeite e chocolate? e se beber fosse sempre água e vinhos e café e chá? e se a alegria fosse sempre encontrar pessoas queridas, com música, onde todos os tipos, de todas as idades, fossem bem vindos e se sentissem bem, sem hora pra acabar ou pra começar, sem firula? e se namorar fosse sempre com um homem maravilhoso, bem humorado e gostoso, cúmplice, carinhoso e parceiro? e se viajar fosse sempre para se perder de vista e colocar outros olhares nos olhos? e se chover fosse só para lavar e matar a sede da terra e se o sol banhasse as águas limpas e as areias brancas, brilhando realmente para todos, em igual intensidade? e se o vento só ventasse para carregar o mal pra lá e o bem pra cá? e se todos os dias dessa vida a gente acordasse de olhos bem abertos para o que tem, e não para o que não tem?




















