ano do dragão 2

23/01/2012

o ano novo chinês está começando hj. o ano do dragão. ano auspicioso e perigoso, que só se repetirá em 12 anos. quem aí tem coragem de começar tudo de novo?

susan sarandon

17/01/2012

estou, tipo assim, a susan sarandon: ruiva (once ruiva, sempre), maravilhosa, independente, gostosa, complexa, divertida, inteligente e coroa.

estava preparada pra tudo. menos pra ser coroa:

ai, ai.

chuva de verão

10/01/2012

penso em vc chegando, na sua casa, no começo da noite, meio bêbado, num dia de semana qualquer, abrindo a ultima cerveja da geladeira e ligando a TV. vc dorme cedo, não é um homem da noite, não é de sair pra farra. sinto sua falta batendo papo na cozinha. no fim do dia, vc me liga. quando vc liga a TV, um pouco antes de dormir, vc pensa em mim, nos nossos dias de amor e paz. sente falta de uma mulher do seu lado, vc disse, pra coçar as suas costas, pra beijar sua boca, pra te fazer cafuné, pra deitar com vc. sente falta da parceria, das risadas, da conversa, do chamego. no meio da noite, te mando um torpedo, sinto sua falta na cama. vc responde cheio de saudades. tem história que é, praticamente, um trailler: só os melhores momentos, sem importar o fim.

o ano do dragão

30/12/2011

agradeço a todos que foram ver meus shows, a todos que aplaudiram e se emocionaram com a minha música. agradeço a todos que compartilharam seus talentos comigo, melhorando os meus. os que me elogiaram e os que me criticaram. a todos que me acompanharam nos meus dias bons e ruins. também a todos que me escutaram na mesa do bar e aos que me contaram suas histórias. a todos aqueles que me deram a mão qdo eu estava sozinha,  e a todos os que me negaram ajuda. a todos os que me disseram sim e a todos que me disseram não. agradeço a todas as intempéries, aos dias de sol, às chuvas torrenciais e às noites de frio e solidão, bem como às noites de alegria, cercada de gente querida. agradeço à saúde que me manteve de pé e aos problemas de saúde que me derrubaram. agradeço à dor e ao alívio da dor. à salvação da música e ao silêncio. agradeço aos leitores que me doaram seus olhos, aos que comentaram meus posts, aos que calaram.

agradeço à minha mãe, pelo amor sem nome e sem tamanho, à minha irmã por nunca deixar que eu me sinta só e por me lembrar da alegria, ao meu pai pela preocupação amorosa diária, ao meu padrastinho pelas boas lembranças e à minha fada-madrasta por me amar como a uma filha. e à minha sobrinha por me melhorar, pra mostrar pra ela, com atitudes, que bom é ser da paz e da gentileza, respeitando os sentimentos e as diferenças, sem distinção de raça, credo ou cor.

agradeço aos homens que me amaram e aos que me rejeitaram. agradeço aos que apostaram em mim e aos que fecharam as portas. agradeço a tudo que mudou e a tudo que ficou. às pessoas que se despediram e às que entraram na minha vida. aos amigos de sempre, aos novos amigos, aos novos parceiros de trabalho e de vida, aos novos lugares que conheci, aos velhos hábitos e  lugares que abandonei. aos acertos que fiz e aos erros que cometi. aos presentes que ganhei e às oportunidades que perdi. ao que me foi concedido e ao que me foi negado.

agradeço ao inexorável movimento da roda da fortuna, que ora traz, ora leva, ensinando que tudo está latente, tudo está pulsando, tudo está vivo, tudo pode acontecer.

Vem aí o Ano do Dragão, soprando vida e energia pelas ventas!

contemplando a afirmação peremptória e prazerosa de uma menina de 10 anos:

“agora eu já sei qual é o meu segundo queijo favorito!”

falou isso com a felicidade de quem encaixa mais uma peça num grande quebra-cabeça.

ciranda

16/12/2011

minha amiga c. gosta da magia e sedução da noite. mora na lapa, trabalha na lapa. pra sair do trabalho e ir pra casa precisa, necessariamente, passar pelo furdunço mais abissal, onde todo mundo que ela conhece está celebrando a vida eterna. resistir, quem há de?

Ela me manda uma mensagem, via chat, estranhando sua inusitada placidez: “vc acha muito esquisito a pessoa, de repente, ficar calma e decidir passar o réveillon na roça?”

respondo que, nao, nao acho nem um pouco estranho mudar de itinerário. em volta de mim, meus grandes amigos estão todos em pleno ato de refazer os roteiros. embora apegada e canceriana, sinto segurança na mudança, fator humano, que procura melhores atalhos o tempo todo. é a excelência da raça, tentar outras saídas. meu handicap é ser volúvel, reconheço muito bem o valor da mudança, da liberdade de mudar de tudo.

faz muito sentido a cadência onde a vida traz movimento que traz mudança que traz liberdade que traz curiosidade que traz descoberta  que traz transformação que traz novidade que traz coragem que traz fé que traz vida.

 

*foto de mosaico feito por Lia Silveira.

 

claridade

10/12/2011

meu coração está claro. não tenho mais nenhuma preocupação com nada daquilo. tudo se mostra como simplesmente é: a música, a vida, a beleza, as escolhas, os resultados das escolhas. bons resultados. maus resultados. todos bons.

tenho um sonho recorrente, de escadas em espiral, de elevadores pro sem-fim, de vistas de janelas de apartamentos altos, para a paisagem triste dos fundos, das áreas de serviço com roupas penduradas em secadores pensos, e garagens cinzas, e venezianas quebradas, basculantes de vidro crespo, esquadrias de alumínio, ninhos de pombos,  becos e passagens por onde parece impossível penetrar. e eu pra sempre subindo e descendo e achando o poço do elevador e a ultima saída da escada de serviço. pelo porão, pelo telhado, pela emergência. sempre assim, além do limite. me esgueirando, claustrofóbica, rumo à luz e ao ar livre.

de onde estou hoje, sorrindo de mim, aviso aos demônios dos sonhos que não quero mais sonhar com espirais infinitas deceptivas. quero só que me indiquem as boas saídas.

tenho tanta felicidade e conforto que posso, humildemente, simplesmente relaxar e pedir: só mais uma taça de tinto, por favor.

e se comer fosse sempre vegetais frescos e frutos do mar grelhados e queijos e pão integral e azeite e chocolate? e se beber fosse sempre água e vinhos e  café e chá? e se a alegria fosse sempre encontrar pessoas queridas, com música, onde todos os tipos, de todas as idades, fossem bem vindos e se sentissem bem, sem hora pra acabar ou pra começar, sem firula? e se namorar fosse sempre com um homem maravilhoso, bem humorado e gostoso, cúmplice, carinhoso e parceiro? e se viajar fosse sempre para se perder de vista e colocar outros olhares nos olhos? e se chover fosse só para lavar e matar a sede da terra e se o sol banhasse as águas limpas e as areias brancas, brilhando realmente para todos, em igual intensidade? e se o vento só ventasse para carregar o mal pra lá e o bem pra cá? e se todos os dias dessa vida a gente acordasse de olhos bem abertos para o que tem, e não para o que não tem?

alguém comenta que a fulana perdeu o marido pq “não se cuidou”. Não se cuidar, aí, significa que a mulher não manteve a aparência que devia: malhada e magra. “A concorrência é forte”, dizem, “mulher tem que correr atrás, senão perde o marido” blá blá.  Carinho, amor, amizade, parceria, tesão, nada disso importa, só o corpo com tudo em cima. Não adianta ficar bonitinha, arrumadinha, cheirosinha. Não adianta ser gente fina, companheira, trabalhar feito uma escrava pra pagar conta, criar filhos, nada disso adianta. Tem que estar com tudo em cima. Fico imaginando que essa mesma pessoa deve achar que, por estar fora desse padrão, eu não mereço mesmo ter um marido. Se quisesse ter um marido, eu deveria “correr atrás” pra ganhar da concorrência. Interessante essa seleção natural de gente. Mulheres não magras e malhadas merecem mesmo perder o marido. Talvez devessem ser eliminadas, para aí termos uma sociedade toda de “gente bonita”. Neguinho inverteu completamente os valores ou é impressão minha? E o homem? Pra esse tipo de mulher, homem pode tudo, pode qq coisa, pode até ter outra(s) mulher(es) na rua, contanto que volte. A mulherada sempre perdoa. Qualquer semelhança com os anos 50 é mera coincidência.  Coisas do modernérrimo sec XXI…

 

 

 

 

the BB way

23/11/2011

reza a lenda que as empregadas marroquinas são silenciosas, invisíveis, imperceptíveis. Andam pela casa sem que ninguém as note. Tenho sonhado com esse despercebimento.  Jamais dans la vie eu tinha sentido esse ímpeto Greta Garbo, esse I want to be alone tão profundo, essa vontade Brigitte Bardot, de descer do palco e ir me ocupar de focas. Brilhar, neste momento, não me pertence. Não tenho dentro de mim a matéria com a qual se fabrica o brilho. Kafka. Um dia acordei e não era mais meu corpo, minha vida, eu. Não, não tem consolo, nem volta, nem choro, nem vela. Quero silêncio, sombra e uma pausa de mil compassos.

 

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