Vera Cruz*

25/03/2016

(primeiro de tudo, quero que todo mundo entenda que este post é sobre amor, sobre sincronicidade e sobre a música, não sobre personagens).

enquanto to ali fazendo ovos de páscoa recheados com ganache de uísque, pros meus entes queridos, estou pensando em Vera Cruz, música que finalmente vou cantar no meu show BrazJazz, depois de amanhã, depois de uma longa paquera, e de tê-la cantado, pela primeira vez, a convite de um amigo maestro e sua orquestra.

Lembro de ter lido ou visto ou ouvido o Milton “Bituca” Nascimento, em algum lugar, contando a história da importância dessa música na careira dele, um desbravamento, e fui procurar pra aprender e contar no show. Nessa, acabei encontrando um episódio desconhecido pra mim, em que o Márcio Borges, parceiro de Milton na música, fala da amizade de adolescência deles com a presidente Dilma. E que, 40 anos depois, antes de a Dilma ser presidente, mas já depois de todos aqueles anos de luta, eles se reencontraram, e ela pediu pra ele cantar *Vera Cruz, música que  ela ouviu em primeira mão, quando todos eram moleques em Minas. Uma música que fala de uma mulher, mas que também poderia ser sobre um país. Meus olhos encheram d’água de pronto! Eu nem sabia de tudo isso. E escolhi cantar essa música logo agora, o Brasil em chamas…

Senti meu sangue brasileiro me ocupando, um aterramento, uma propriedade. Me senti defendendo a minha casa com a minha voz. E isso não tem nada a ver com os personagens. Mas com a minha voz de mulher  brasileira, hoje e pra sempre livre pra cantar e contar todas as lindas histórias humanas que eu bem quiser. Sem ter que pedir licença ou perdão. Sem ter que me esconder de ninguém.

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a little respect

08/04/2013

só por hoje abrir os olhos e tirar da frente todo julgamento. olhar para as coisas aceitando o jeito de ser de tudo, sem cair na tentação de pensar se-fosse-eu, se-fosse-comigo, tá certo, tá errado. não pensar em nada. só olhar e ver e aceitar e apaziguar o coração da mania terrível de consertar o que está fora e deixar o de dentro quebrado.

fechar os olhos para o erro do outro e enxergar o meu. direção defensiva, fazer o bem, esperar o bem, sempre, sempre, no matter a situação. só por hoje olhar para todas as pessoas do mundo com o mesmo olhar. o mendigo, o professor, o amigo, o porteiro, a balconista da farmácia, a senhora, a adolescente. sem julgar nada. sem achar nada. sem classificar. sem rotular, sem querer entender nada. só aceitar.

sair à rua assim. e cada vez que vier um ímpeto classificatório, um achismo, vir com a  mão pesada da educação pela pedra e afastar pra lá a tentação. respeitar, sem julgar, sem achar nada. só respeitar todas as escolhas, todas as diferenças, todas as pessoas e coisas sobre a mesma face da terra onde ando.

e de só-por-hoje em só-por-hoje, um dia terei treinado o meu olhar para simplesmente aceitar toda diferença como semelhança.

dia dos namorados

11/06/2012

Naquele tempo, tinha gente que começava a namorar na semana anterior e terminava logo depois, pra não pagar o mico social de não ter com quem passar o tal dia. Outras vezes, a pessoa esperava passar o dia dos namorados pra terminar um longo namoro: “Po, não vou fazer essa sacanagem, né? Deixar o cara sozinho no dia dos namorados”.  Ou então, no meio de uma crise daquelas, todo mundo ficava de altos por um dia, só pra não perder a data. As coisas tinham lá suas bobas importâncias, e a gente ainda nem tinha se ligado que a data é comercial, feita pra vender presente, que papai noel não existe e que nem deus existe. naquele tempo, ainda havia deus. e aqueles sonhos.

compra roupa nova, faz unha, depilação, cabelo. será que seremos felizes como deveríamos, hoje, já que todos os casais brasileiros deveriam comemoram o amor? Será que conseguiremos ser assim tão felizes com data marcada, com fila no restaurante, aquele que tem fondue e luz de velas, ou aquele japonês que tem salinha reservada, para podermos, enfim, entrar na fotografia ou no filme em que se espera estar nesse dia? Amando, sendo amados, lindos, felizes, sorridentes. E depois desse momento romântico em que a gente troca presentes, em que ele terá adorado o que eu dei e eu terei adorado o que ele deu, nos  beijamos longamente e fazemos um brinde, olho no olho. Pode ser que a gente peça uma garrafa de espumante, ou de sakê, coisas que a gente não faz normalmente. Mas hj a gente tem que ser feliz a qq custo, então, brindemos.

Esquece tudo, amor, hj é o nosso dia, dia de comemorar a felicidade de não fazermos parte do bloco do eu sozinho. Depois,  ainda temos que ir pro motel e tem que ser uma noite inesquecível. mesmo que vc esteja cansado, q eu tenha que acordar cedo amanhã, mesmo que eu e vc nem estejamos assim, nesse momento exatamente sexy. Mas vamos fazer parte desse filme logo e encarar a fila do motel mais barato, pq esse super caro nao dá pra gente. Ficamos no carro, esperando vagar uma garagem e lá vamos nós pro test drive do amor. a felicidade nunca foi tão estressante.

 

trocando ideias avançadas, sobre sexo, com amigas idem, lembrei de uma história que se passou com um médico conhecido meu, num ambulatório de hospital público, no Rio de Janeiro.

Entra um rapaz com uns 20 anos, senta-se e diz, tímido:

– “doutor, eu não tenho orgasmos”

– “ah, não? fale-me sobre isso. vc se masturba?”, endireitou-se o médico na cadeira

– “sim.” respondeu o garoto, ainda cabisbaixo

– “e o que acontece… no final?” pergunta o doutor, curioso

– “ah, sai um líquido”, desdenha o rapaz

– “e a sensação que acompanha é boa?”  fala o médico, de sobrancelha levantada

– “é bom, sim. mas é muito rápido…” responde o cabra, sem muito entusiasmo

– “e como vc imagina que seja um orgasmo?” diz o doutor, bolado

– “Ah, uma parada assim, gostosona, que dure uns 45 minutos, mais ou menos”, retruca esperançoso, o  moleque

– “Tenho duas notícias pra te dar: a primeira é que se vc tivesse 45 minutos de orgasmo, vc morreria! A segunda é que o negócio pode melhorar bastante, mas isso que vc tem, qdo se masturba, já é um orgasmo.”, esclarece o médico, para a decepção do garoto.

 ***

E aí? Tá atrás de um orgasmo de 45 minutos?

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