gozo

15/10/2013

um dia ficou na moda ser grato. e aí é um tal de ter que agradecer por estar vivo, por estar saudável, por ter o que comer, por ter filhos lindos, por ter braços e pernas. o tempo inteiro as pessoas agradecem por tudo. mas no facebook, para tornar publica a gratidão. que graça tem ser grato sem avisar pra todo mundo, a toda hora? ser grato é uma modinha chata.

mas se vc é grato vc é fofo.

ficou na moda, também, espetacularizar a vida. qq festinha é um festão, qq showzinho é um showzão, qq chopinho é uma noitada, qq praia é um praião. uhú! neste mundo pirotécnico, venceu o travecão, que sai sempre por cima, montada, só no carão. tudo é superlativo, pq é obrigatório ser super feliz e super resolvido e super pró-ativo, e fazer sempre programas incríveis, na direção da alegria de viver em 24 qps*, cada quadro uma foto do instagram, explodindo de alegria e felicidade ou fofura ou delícia ou amor ou carinho ou amizade. vida-espetáculo é outra modinha chata.

mas se vc é grato e tem um momento super feliz atrás do outro, vc é uma pessoa fofa e incrivelmente hype.

tem  também a ditadura da auto-estima. vc tem que se amar, se amar muito. a chave de tudo é se achar maravilhosa, se valorizar acima de tudo, a qq preço, atropelando, com orgulho, tudo e todos que ousem não bajular a sua divindade. é viver na base do “eu mereço o melhor pq eu sou maravilhosa”, do “me cuido porque eu sou foda”, é falar “desculpe, estou ocupada demais sendo feliz”, cercada de gente que suuuper te valoriza.

se vc é grato e tem um momento super feliz atrás do outro e ainda se ama acima de todas as coisas, vc é uma pessoa fofa e incrivelmente hype, e ainda por cima é fodona e guerreira (as mulheres adoram esses adjetivos).

perdoem. prefiro gente viva, que desce do salto sem medo de por o pé na realidade. prefiro a massa real. gente que é feliz quando é pra ser feliz, mas que aceita a polaridade da vida, que comete erros, que acerta, que faz merda. que tb se descuida, que tb reclama, que não se acha mais merecedora que outros, que não caga regras de felicidade prêt-à-porter, que sabe que é todo mundo igual, que tb fica puta, que se sente a última das criaturas uma vez ou outra, que ri e que chora, que vai a festas ruins de vez em quando e que, às vezes, nem tem festa nenhuma pra ir. e que não vive desejando que tudo esteja sempre luzindo, estourando em foguetes, pipocando, gliterizando, num eterno por-do-sol de cartão postal, num mundo de tolos.

vida real. eu gosto. eu gozo.

é pau é pedra é o fim do caminho é um resto de toco é um pouco sozinho

 

*qps = quadros por segundo

 

trocando ideias avançadas, sobre sexo, com amigas idem, lembrei de uma história que se passou com um médico conhecido meu, num ambulatório de hospital público, no Rio de Janeiro.

Entra um rapaz com uns 20 anos, senta-se e diz, tímido:

– “doutor, eu não tenho orgasmos”

– “ah, não? fale-me sobre isso. vc se masturba?”, endireitou-se o médico na cadeira

– “sim.” respondeu o garoto, ainda cabisbaixo

– “e o que acontece… no final?” pergunta o doutor, curioso

– “ah, sai um líquido”, desdenha o rapaz

– “e a sensação que acompanha é boa?”  fala o médico, de sobrancelha levantada

– “é bom, sim. mas é muito rápido…” responde o cabra, sem muito entusiasmo

– “e como vc imagina que seja um orgasmo?” diz o doutor, bolado

– “Ah, uma parada assim, gostosona, que dure uns 45 minutos, mais ou menos”, retruca esperançoso, o  moleque

– “Tenho duas notícias pra te dar: a primeira é que se vc tivesse 45 minutos de orgasmo, vc morreria! A segunda é que o negócio pode melhorar bastante, mas isso que vc tem, qdo se masturba, já é um orgasmo.”, esclarece o médico, para a decepção do garoto.

 ***

E aí? Tá atrás de um orgasmo de 45 minutos?

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