trocando ideias avançadas, sobre sexo, com amigas idem, lembrei de uma história que se passou com um médico conhecido meu, num ambulatório de hospital público, no Rio de Janeiro.

Entra um rapaz com uns 20 anos, senta-se e diz, tímido:

– “doutor, eu não tenho orgasmos”

– “ah, não? fale-me sobre isso. vc se masturba?”, endireitou-se o médico na cadeira

– “sim.” respondeu o garoto, ainda cabisbaixo

– “e o que acontece… no final?” pergunta o doutor, curioso

– “ah, sai um líquido”, desdenha o rapaz

– “e a sensação que acompanha é boa?”  fala o médico, de sobrancelha levantada

– “é bom, sim. mas é muito rápido…” responde o cabra, sem muito entusiasmo

– “e como vc imagina que seja um orgasmo?” diz o doutor, bolado

– “Ah, uma parada assim, gostosona, que dure uns 45 minutos, mais ou menos”, retruca esperançoso, o  moleque

– “Tenho duas notícias pra te dar: a primeira é que se vc tivesse 45 minutos de orgasmo, vc morreria! A segunda é que o negócio pode melhorar bastante, mas isso que vc tem, qdo se masturba, já é um orgasmo.”, esclarece o médico, para a decepção do garoto.

 ***

E aí? Tá atrás de um orgasmo de 45 minutos?

para chegar ao portão do castelo, será necessário driblar os crocodilos que habitam o fosso que circunda os muros. e compreender sua lógica, que não há.

depois de atravessar o fosso, será preciso cruzar a ponte elevadiça, que pode não estar arriada, e derrubar o portão de madeira pesada, trancado a sete chaves e tacheado com pontas de ferro e munido com línguas de fogo. há o risco de óleo quente ser derrubado de cima das torres, por sobre aqueles que ousarem tentar macular o silêncio da cidadela.

para penetrar no pátio central, e chegar ao jardim, há uma barreira de cães ferozes, famintos de mil guerras. o jardim está deslumbrante e florido, mas há espinhos nas rosas polpudas, cujo perfume se alastra impelindo o invasor a prosseguir.

será necessária a fibra de um guerreiro, a perspicácia de um sábio, a destreza de um mago, a delicadeza de um  bardo e a inocência de um bobo, para invadir o jardim, conhecer suas delícias, suas damas da noite, suas sombras generosas, suas fontes de água limpa, a rosa. e seus espinhos.

tatibitati

10/01/2011

As crianças são budistas de nascença. Quando estão ainda na época da inocência, elas não têm auto-imagem, nao têm um nome a zelar. Simplesmente são o que são. Elas não se olham no espelho, antes de sair e pensam: minha bochecha tá fofa? minhas dobrinhas estão mordíveis? essa fralda me deixa gorda? Simplesmente vivem, se relacionando com o que está em volta, exclusivamente no momento presente, sem nunca se preocupar com o futuro ou remoer o passado. O universo é novo, o tempo todo, para as crianças. Elas apreendem, experimentam, provam, cheiram, pegam, largam, escolhem e podem mudar de idéia à vontade.

Um bebê não pensa: ah, vou deixar isso pra amanhã; pra um bebê não existe amanhã. Só existe o aqui e o agora. Se ele quer alguma coisa, ele berra, se joga, pede, chora, esperneia.  Se não quer, nao tem santo que o convença. Se ele tem sono, dorme, se tem fome, come, se tem medo, chora. Gosta das pessoas pelo que elas são com ele, independente de cor, raça, credo, peso, formação ou classe social. Se não gosta de alguém, não vai no colo de jeito nenhum e nunca, nunca finge ou mente.

Depois, vão desiluminando com o tempo e um dia, pimba!, ficam assim, gente como a gente…

minha amiga mabel e eu, no tempo da delicadeza

 

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