rainha da noite

22/06/2010

aposentei o título de rainha da noite, que ostentei por muito tempo, não por virtude. No passado, não havia um boteco onde eu nao tivesse ido, um bolinho que eu não tivesse provado, um chope que eu não tivesse tomado.  Morro de inveja de quem continua. Não pratico como praticava, mas permaneço boêmia de raíz, adoro uma noitada, dou um boi pra não sair de casa e uma boiada pra não voltar. Não tenho o menor medo de andar na rua na madrugada, nem de ver o sol nascer antes de dormir. Depois de experimentar outros aplicativos, faço uma puta força, mas realmente acho que a vida sem boemia é uma chatice de casa e televisão e cineminha e jantar fora e bater papo e cama.  Chata. Me divirto mesmo é com os loucos e circulo super bem nesse meio masculino das noitadas, da bebedeira, sem frescura. Ambiente de poucas mulheres. O que é ótimo. Nada como uma boa noitada na segunda-feira, por exemplo, só com profissionais do ramo.

Há séculos seculorum sou assim e adoro meus amigos boêmios e o clima alegre e difuso da madrugada. Atualmente tento fugir do programa comer e beber como, dizem, o diabo foge da cruz. Mas devo confessar que ainda acho que o melhor programa do mundo é tomar cerveja com amigos, conversando e morrendo de rir a noite toda, comendo coisas deliciosas até o sol nascer, ou além. Já disse que faço a linha última-a-sair, né?

Por essas e outras, este ano me convidaram para ser jurada do concurso Comida di Buteco que julga 31 bares da cidade e premia aquele que tiver o melhor desempenho, puxado pelo petisco que inventaram para o evento. Lá fui eu, experimentar delícias de perto e de longe. Meus votos não revelo, claro, mas recomendo tudo, vejam aqui:


ambos do Aconchego Carioca, que vale que caravanas se desloquem pelo deserto, nem que seja para comer o ultimo bolinho de feijoada da face da terra. Vale, mesmo, juro! Aqui, o Futrica da Roça, filé de porco com banana caramelada e o Cordeirito, ragu de cordeiro com polenta de… Doritos! Delicioso, pode crer!

Aí em cima, a parada é no lindo de morrer Varnhagen, na praça idem, Tijuca. O Bar é demais, completamente botequim roots, com a Dona Maria, a dona da casa, vindo perguntar se tá gostoso. Tava demais, a picanha suína bem temperada e macia com salada de batata. Coisa simples, difícil de fazer.

Aqui a Casquinha à Vila do Chã, de Bacalhau, que tb era uma delícia! Do Bar Urca. Que tem, de  bônus, aquela vista de tirar o fôlego.  Aliás, essa:

sorry, folks

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Fases do coração

02/06/2009

eu tava ensaiando, no estúdio Floresta, com o Moyseis Marques, pro lindo show de lançamento do novo CD dele, Fases do Coração, que fizemos sábado passado no Circo Voador. Um daqueles momentos de glória da vida… O fato é que, em pleno ensaio, a Elisa Addor sacou da bolsa um chocolatinho Alpino, aquele da forminha dourada. Quem viu, arregalou o olho.

Para tudo! Tenho uma reclamação a fazer: o Alpino não é mais o mesmo. Ficou mais doce, mais grudento e mais artificial. Destemperaram o Alpino. Um amigo meu escreveu pra Nestlé e disse: “…vcs acabaram com a minha vida, eu era dependente químico do velho Alpino.  Vou me matar, adeus.”

Mas aí a Elisa tirou o chocolatinho da bolsa e todo mundo arregalou aquele olhão. Eram quase duas horas da tarde, o ensaio tinha começado às 10 da manhã, horário considerado plena madrugada pelos músicos de hábitos noturnos. Todo mundo chega amassado, atrasado, sem comer,  de ressaca e resmungando: isso são horas de estar no mundo?

O fato é que todos arregalaram aquele olho e eu pensei: Também quero chocolate e… eureka! musse, musse de chocolate, musse de Alpino! Quem ouviu, babou com a idéia. E fiz! Confesso que comer musse de chocolate em camarim de estréia é meio engraçado, ainda mais sem ter a aparelhagem necessária, mesmo quando a produção é hipereficiente. Mas eu quis fazer naquela hora, naquele dia, com a vibe do momento e pronto! Quem achou uma colher e uma brecha na emoção e na agitação, pra parar e comer, amou!

Na tentativa de corrigir o erro da Nestlé e desadoçar um pouco o resultado final, usei uma barra de Alpino e uma de chocolate com 53% de cacau, derretidos e misturados lentamente em banho-maria. O sabor ficou maravilhoso, realmente desadoçou. Quando os dois estavam perfeitamente incorporados, desliguei o fogo e misturei duas caixinhas de creme de leite, em temperatura ambiente, com o batedor tipo fouet,  aquele que pode ser de arame ou de silicone, como o meu.

Misturei cuidadosamente até ficar tudo liso e brilhante e lindo. No começo, a massa endurece e dá a impressão de que vai dar errado. A parada embola, fica com uma cara feia, mas persista, ela fica cremosa depois. Só pra saber: essa é uma receita bem basicona do famoso ganache, perfeito pra rechear coisas e/ou comer de colherinha.

Pra virar musse, adiciono claras. Pô, gasta uma graninha aí e compra uns ovos orgânicos! Os ovos Korin são saudáveis e estão à venda nas boas casas do ramo. Bati 8 claras em neve firme e misturei, com o batedor, ao ganache, leeeeeeeentameeeente, até incorporar tudo e desfazer aqueles grumos das claras. Fica mole, só endurece ao gelar. Tá pronta!

Aí, geladeira por muitas horas. Essa musse demora a endurecer mais que as outras (pq o novo Alpino… grrrr)

Em homenagem a uma fofíssima brincadeira e a um apelido que ganhei, aconselha-se fartamente servir essa musse com cerejas ao marraschino, que podem ser picadas, beeem escorridas e misturadas à musse antes dela ir pra geladeira ou podem simplesmente ir por cima de tudo, só na hora de servir. Amo desde criancinha!

E como nada disso seria possível se não fosse pelo CD, eu vos batizo de  Musse fases do coração.

bamba, num samba, do impasse nasce mais uma canção

bamba, num samba, do impasse nasce mais uma canção

P.S.1 Moy, sucesso, forever!

P.S.2 Ah, Vinícius, eu também tenho saboneteiras.

a cura

05/01/2009

estou meio gripada. tudo a ver com os excessos das festas, muito açúcar, muita mistureba… Resolvi tomar uma providência e fiz uma sopa leve, com ingredientes (quase) todos orgânicos, que ficou o máximo! Usei o que eu tinha e claro que ninguem vai morrer se omitir ou mudar um ou dois ingredientes.

 

Creme de couve-flor picante 

 

Escolha uma panela grande, com tampa. Esquente um pouco a panela ainda vazia, coloque o óleo, aqueça. Refogue no óleo, em fogo médio, nesta ordem:

 

Pimenta do reino moída na hora

 

Um pedacinho de pimenta dedo de moça fresca ou seca (compro fresca, deixo secar naturalmente, guardo no vidro qdo tá sequinha), sem semente

 

uma folha de louro

 

duas folhas de limão kaffir

 

uma cebola grande picada e um pedaço de 2cm de gengibre fresco picadinho pequeno

 

um pouco depois:

 

quatro dentes de alho picados na faca. Não deixe o refogado escurecer demais, que amarga, mas deixe tudo bem douradinho.

 

Tudo refogadinho? Acrescente, de uma vez:

 

Uma couve-flor grande, bouquets separadinhos. (Se ela for orgânica, lave as folhas  e corte-as fininhas como couve mineira e reserve pro final)

 

duas cenouras, escovadinhas, com casca, em quadradinhos. (Se for orgânica e tiver as ramas bonitas, lave e reserve, separada em galhinhos)

 

um inhame em quadradinhos

 

um alho poró pequeno em rodelas

 

um envelope de caldo de legumes sem gordura

 

água filtrada suficiente pra cobrir os legumes.

 

Quando tudo estiver al dente, retire a pimenta, as folhas de louro e de limão, processe ou bata 2/3 da sopa com dois polenguinhos light, se gostar ou quiser. Depois de bater, veja se está liquida demais. A idéia é que a nossa sopa seja um creminho leve. Vc pode pegar o caldo que sobrou na panela, junto com os legumes que vc nao bateu, coar e guardar o caldo no congelador pra usar em outra sopa. Se ainda assim ficar mole demais, vc sempre pode deixar a sopa engrossando no fogo baixo, a panela destampada, até chegar no ponto de creminho.

 

Deixar uma parte da sopa pedaçuda ajuda a mastigar o líquido e melhora a digestão. O gengibre ajuda incrivelmente na digestão da couve-flor.  

 

Volte com tudo pra panela, deixe ferver, mexa, prove, olhe e veja o ponto, adicione sal marinho no final de tudo, se precisar.

 

Na hora de servir, coloque um punhado da rama da cenoura e outro da folha da couve-flor cortada fininha no fundo do prato, cubra com a sopa fervendo e nhãmi! Fica picante e cremosa e vc sua e se sente maravilhosa depois! Eu enfeitei aí com uma palha de alho poró wannabe. Um dia desses, acerto… Cheiro verde picadinho tb dá mó pé sempre, em cima de qualquer coisa, caso vc nao tenha as folhas e as ramas. Ou uma verdura escura qualquer, tipo rúcula ou agrião… 

comfort food é isso ai!

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