x

11/04/2015

fla X flu

direita X esquerda

ditadura X democracia

católicos X evangélicos

judeus X árabes

armênios X turcos

cristãos X muçulmanos

meninos X meninas

homofóbicos X gays

argentinos X brasileiros

paulistas X cariocas

franceses X belgas

palestina X israel

klu klux klan X negros

irã X Iraque

trabalhador X patrão

pobres x ricos

 

as paixões nos tornam parciais, polarizados, defensores das nossas crenças e convicções mais queridas. tem jeito?

 

2015-04-02 17.42.49

 

 

 

 

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gozo

15/10/2013

um dia ficou na moda ser grato. e aí é um tal de ter que agradecer por estar vivo, por estar saudável, por ter o que comer, por ter filhos lindos, por ter braços e pernas. o tempo inteiro as pessoas agradecem por tudo. mas no facebook, para tornar publica a gratidão. que graça tem ser grato sem avisar pra todo mundo, a toda hora? ser grato é uma modinha chata.

mas se vc é grato vc é fofo.

ficou na moda, também, espetacularizar a vida. qq festinha é um festão, qq showzinho é um showzão, qq chopinho é uma noitada, qq praia é um praião. uhú! neste mundo pirotécnico, venceu o travecão, que sai sempre por cima, montada, só no carão. tudo é superlativo, pq é obrigatório ser super feliz e super resolvido e super pró-ativo, e fazer sempre programas incríveis, na direção da alegria de viver em 24 qps*, cada quadro uma foto do instagram, explodindo de alegria e felicidade ou fofura ou delícia ou amor ou carinho ou amizade. vida-espetáculo é outra modinha chata.

mas se vc é grato e tem um momento super feliz atrás do outro, vc é uma pessoa fofa e incrivelmente hype.

tem  também a ditadura da auto-estima. vc tem que se amar, se amar muito. a chave de tudo é se achar maravilhosa, se valorizar acima de tudo, a qq preço, atropelando, com orgulho, tudo e todos que ousem não bajular a sua divindade. é viver na base do “eu mereço o melhor pq eu sou maravilhosa”, do “me cuido porque eu sou foda”, é falar “desculpe, estou ocupada demais sendo feliz”, cercada de gente que suuuper te valoriza.

se vc é grato e tem um momento super feliz atrás do outro e ainda se ama acima de todas as coisas, vc é uma pessoa fofa e incrivelmente hype, e ainda por cima é fodona e guerreira (as mulheres adoram esses adjetivos).

perdoem. prefiro gente viva, que desce do salto sem medo de por o pé na realidade. prefiro a massa real. gente que é feliz quando é pra ser feliz, mas que aceita a polaridade da vida, que comete erros, que acerta, que faz merda. que tb se descuida, que tb reclama, que não se acha mais merecedora que outros, que não caga regras de felicidade prêt-à-porter, que sabe que é todo mundo igual, que tb fica puta, que se sente a última das criaturas uma vez ou outra, que ri e que chora, que vai a festas ruins de vez em quando e que, às vezes, nem tem festa nenhuma pra ir. e que não vive desejando que tudo esteja sempre luzindo, estourando em foguetes, pipocando, gliterizando, num eterno por-do-sol de cartão postal, num mundo de tolos.

vida real. eu gosto. eu gozo.

é pau é pedra é o fim do caminho é um resto de toco é um pouco sozinho

 

*qps = quadros por segundo

 

finito

11/07/2013

quando eu era mais nova, me achando dona do tempo, andava pela rua de cabeça erguida,  ostentando a minha juventude, que gritava que eu ainda tinha tudo pela frente, podia tudo. podia, mesmo. o que eu não sabia é que, mesmo depois dos 30, mesmo depois dos 40, ainda posso tudo. e que o tempo não é privilégio da juventude. o tempo é privilégio dos vivos.

saber que a vida é um pavio que vai queimando ininterruptamente dá raiva, dá medo, dá revolta, mas é um bom motivo pra espanar a poeira da frescura, pular por cima da dúvida, derrubar o muro da vergonha, enxugar as lágrimas, acabar com o mimimi, abrir o peito e fazer tudo. tudo.

quando a gente cresce, a gente descobre que não é só morrer que acaba com a vida da gente. morrer é fácil. quero ver é continuar viva enqto houver vida, com a mesma cabeça erguida, encarando o tempo, gozando com a existência e tirando proveito da finitude. quero ver!

tudo de bom

16/05/2013

Eu quero que você, que nunca foi a Paris, ganhe uma viagem de presente, e tenha dias de filme. Que você conclua seu projeto. Que você sinta amor, paixão e tesão e seja correspondido. Espero que aquele seu plano secreto se concretize. Que tudo funcione da melhor forma possível pra você. Tomara que você seja o melhor filho para os seus pais, e o melhor pai para seus filhos. Que os vizinhos lhe queiram bem, que a vida lhe trate com elegância e que você tenha um bom amigo, ou mais que um. E que vc seja bem surpreendido alguma vez. Torço pra que o trabalho que vc faz seja apreciado à altura da sua dedicação e do seu merecimento. Torço pra que seu companheiro realmente te acompanhe, te respeite e te ame. Desejo que todos os dias da sua vida sejam de paz. E que a alegria seja a sua visita mais frequente. Se a tristeza pensar em chegar, que seja leve. Sombra, água fresca, música, dias ensolarados, chuva prazenteira, longas noites de amor e riso. Te desejo vida com uma pitada de sal, um pouco de açúcar, e uma pimentinha. Boa comida, bebida e juízo, só o quanto baste. Que a temperatura seja amena e a maré, mansa. Que as tempestades lhe sejam suaves, mas se forem fortes, que sejam breves. Desejo tudo de bom pra você.

dia de luz festa de sol e o barquinho a navegar no macio azul do mar. tudo é verão, o amor se faz, num barquinho coração que desliza na canção

tanto

28/12/2012

2012 está no top 3 dos anos mais agudos da minha vida:

nunca estive tão pobre, tão fudida, tão sem perspectivas;

nunca tinha tido um problema sério de saúde e essas coisas que nos humanizam;

nunca fui tão prestigiada como artista, tão amada, tão respeitada, tão incrivelmente bendita entre aqueles que admiro;

nunca tinha tido um produtor tão amável, que me deu um disco que eu desejava tanto fazer;

nunca tive tanta certeza do que estou fazendo;

nunca fui tão ajudada;

nunca fui tão despojada, tão desguarnecida, tão desapegada e tão plena;

nunca fui tão inteira. e tão crua.

é muito, é tanto….

Eu sempre quis muito Mesmo que parecesse ser modesto Juro que eu não presto Eu sou muito louco, muito Mas na sua presença O meu desejo Parece pequeno Muito é muito pouco, muito

tenho uma tia que não vai à praia por causa das varizes, que não quer exibir. A outra tia, morrendo de rir, fala: “na praia do leblon, com aquelas meninas lindas de morrer, vc tem que dar graças a deus se alguém olhar pra sua cara! ainda mais pras suas pernas!” e quá quá quá.

Eu passei a vida brigando com meu peso. sanfona, sanfonérrima, sanfoninha, acho que nunca passei um ano inteiro com o mesmo corpo. estou sempre indo ou vindo. mas hj, gordinha, o sol brilhou depois da chuva no feriadão. e sol, procuro pegar todo dia, pedalando e dando um mergulho-axé no arpoador.

a minha vida não está fácil, mas tb nao está difícil. to inteira, faço o que gosto, tenho boas perspectivas e gente amada em volta. e posso ir à praia, que fica a 3 quadras da minha casa. tá reclamando de quê? da celulite? aham. crianças sendo bombardeadas por aí e vc preocupada com a celulite? herdei aqueles braços gordos da vovó, que odeio fervorosamente. Mas de uns tempos pra cá, dados os fatos da vida, comecei a achar que, independente da aparência, o importante é ter braços. num ímpeto de maturidade e autoestima, resolvo: vou botar uma camiseta, braço de fora, pq quero desfrutar desse sol, me bronzear.  Nuuuuunca usei braços de fora, mas hj vesti minha camisetinha e fui pedalar e pronto! comemorando o dia da consciência, nêga! biquini por baixo, pro santo mergulho no final do percurso, saí de casa me sentindo linda, gostosa, braços de fora, feliz, entre outras coisas, por uma recente conquista de mulher, dessas que te elevam à 20ª potência. subi no meu camelo (gíria do meu tempo pra bicicleta) e fui por aí,  em pleno sol, pista fechada pro feriado passar. gatinhos, adultos, velhinhos, bebês, magrinhos, gordinhos. o rio de janeiro sorrindo para o planeta. e eu.

desfruto de um lindo dia de sol e verão e mar e arpoador. encontro amigos pelo caminho, vou ouvindo músicas lindas, vejo uma roda de capoeira, tiro fotos, vejo o sol se por. mais tarde tenho ensaio. que bom. na volta pra casa, me vejo refletida numa vidraça de portaria.  os braços gordinhos de fora. e feliz, linda e gostosa pra mim mesma.

 

felicidade

14/05/2011

todas as pessoas felizes, que eu conheci, são felizes apesar da vida. elas não precisam da vida para serem felizes. nem de dinheiro, nem de nada. elas são felizes. period.

fio da meada

25/04/2011

Minha irmã me ensinou que Flaubert disse: “Tenha cuidado com a tristeza. É um vício.” Depois disso, nunca mais esqueci de driblar os pensamentos que podem acordar tristezas, tirá-las dos esconderijos onde estão, e dar-lhes à luz. A tristeza tem lá seu colorido, seu sabor. É farta e disponível. E vicia. Se a gente puxar o fio da tristeza de dentro da gente, ele apresenta uma a uma,  feito lenços saindo da cartola do mágico, feito bandeirinhas de São João, feito lampadinha de árvore de natal: uma seguidinha da outra.

Tristeza não tem fim. Está sempre lá, cheia de motivos. Tímida e chorosa, num  cantinho, ou doida pra brilhar, dançando em cima do queijo, espaçosa. Uma tristeza convida a outra pra entrar: “fica à vontade, querida, aqui tem espaço para todas nós!” E ela entra,  arma sua barraca e acampa na sala.  Quando uma alegriazinha qualquer bate à porta, elas abrem e dizem: “não tem ninguém em casa”, e blam!

Morro de medo de tristeza, pq quando começa não para mais, e aí ela me invade como o inimigo invade uma cidade, me toma e me ocupa, mesmo os melhores lugares de mim. Sequestrada por ela, refém da tristeza, paralisada, vejo a vida real passando lá longe, imperfeita, mas também cheia das alegrias que pisoteamos, todos os dias, em busca da felicidade.

raro e comum*

01/04/2011

não quero ter trabalho pra descobrir preciosidades raras e ocultas. estou cansada. quero abrir a janela e dar de cara com os micos, a amendoeira, a brisa do mar misturada com a dama da noite, e delas me fartar. preciosidades explícitas, dadas a qualquer um. posso até me divertir com delícias raras e finezas, mas escolho me deleitar com aquilo que não custa nada e que jamais se modifica. Terra, água, fogo e ar, sexo, amor, gargalhada, emoção e conversa. E música, né?

*canção de Fred Martins,  que eu gravei no Amor de uns tempos pra cá

joio e trigo

03/02/2011

Avança, pula uma casa, perde a vez, volta vinte casas, recomeça. E vai aprendendo a jogar. Me sinto amadurecendo, aprendendo a ser eu mesma, diminuindo os filtros, tentando conciliar meu desejo de ser com o que é possível ser, respeitando atavismos, valores básicos, relaxando. Vigilante, mas sem ser tão madrasta, tão sargenta, tão madre-superiora. Tem uma hora em que a gente aprende a ver até onde dá pé e a partir de onde não dá mais. E eu sou rebelde, louca desvairada, sem começo nem fim. Bandida, solta na vida, sob medida.

Brigo muito comigo mesma e quero trégua. Quero relaxar, parar de me sentir perseguida por mim mesma, sempre insatisfeita. Quero acreditar que é possível ser feliz fora do quartel. Conflito é a base do movimento. A vida que tenho me faz gulosa, quero sempre mais, pq sempre acontece de tudo, muito, o tempo todo. Viciei. Fico pensando na brevidade do tempo, na vontade de viver tudo o que há pra viver. Fico pensando que um dia não vou mais me acabar de sambar. É o contrário de aproveitar o tempo perdido. Aproveito pra frente, acumulando pros dias de chuva.

Por um átimo eu me permito, me perdoo, me divirto comigo mesma, me admiro, me desejo e me convido pra dançar, só mais um pouquinho, enqto dura essa breve contradança. Ou esse vento.

 

o medo da tristeza

17/06/2010

No rádio do taxi toca Overjoyed. Estou tão overwhelmed com tantas intempéries, me sinto impotente, inútil e fraca e queria dar um reboot e mudar de fase. Me sinto pior ainda por isso, covarde e imprestável, pq não me sinto capaz de dar conta de tudo o que devo dar conta e nem é tanto assim, perto do que uns e outros aí passam…  Caio no choro no banco de trás enquanto, do lado de fora, o sol volta a brilhar lindamente, esquentando um pouco do clima glacial que acossa o Leblon e meus ossos, um pouco pela tristeza de tudo, um pouco pela temperatura estranhamente gelada. Me sinto aliviada por não ter colocado filhos nessa roubada. Mesmo que a vida seja uma dádiva blá blá

Preciso lembrar de lembrar de saborear tudo com gosto, minuto a minuto, pq tudo passa correndo e o tempo devora e tritura todas as coisas em volta de nós. E a gente tem que ter felicidade simplesmente por ainda ter algumas coisas inteiras. Pq as coisas quebram e pronto. Depois que quebram, adeus.  Não estou preparada para a vida, acho.

Minha amiga, aparentemente navegando pelas mesmas águas que eu, me pede: “me conta uma coisa bem boa? estou com medo da tristeza”. Tb to, querida, morrendo de medo! E contra tristeza, não há guarda-chuva, já disseram. Mas a gente tem uma faixa bônus: música. Música é a nossa melhor vingança.

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