love songs

27/07/2013

amigos, café, chocolate, vinho do porto, fumo. a música é variada. coisas que a gente nunca mais cantou, e cujas letras emergem dos subterrâneos da memória, trazendo junto avalanches de lembranças e cheiros e cores de outras vidas. e os amores. penso nas paixões que vivi, no fracasso da minha vida amorosa, nas péssimas escolhas que fiz, nas incontáveis frustrações. volta a velha e permanente sensação de que o meu pacote de serviços não inclui amar e ser amada. embora esteja acostumada, tenho me sentido só. quem, nunca? deve ser o inverno. ou a idade. ou o vento. passa. canto canções de amor e, por dentro, me sinto uma impostora. as canções de amor quase perderam o sentido pra mim, é como se eu cantasse sobre um unicórnio, sobre uma fada, um dragão, ou atlântida. ausência ilustre, lâmpada queimada, terreno baldio, corda quebrada de violão. amor: meu continente perdido.

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vou de taxi

24/07/2013

eu dou conversa pra todo mundo. faço esse tipo, assim, dada. quando entro num taxi, já dá pra sentir, na hora, se o cara vai ser um bom papo ou um mala. tem uns que nem respondem quando vc dá boa tarde. nesse caso, é melhor nem começar.

mas, em geral, eles são bons de papo e falam mais do que escutam, como fazem os dentistas. aliás, como falam os dentistas! eu ia a um que adorava contar piadas. agora me explica como é que se faz pra rir com a boca escancarada e anestesiada? um drama…

hoje entrei no taxi, vindo de uma gravação, na Barra. a ida demorou meia hora, a gravação, 10 minutos, um jingle pra Caixa, aquele velho “vem pra Caixa você também”, só que reloaded. na volta, neste inverno súbito e glacial, debaixo de chuva, fiz sinal e entrei no primeiro taxi que apareceu. motorista garotão, com pinta de surfista, cheio de palavrão e gíria na fala. começou falando que os jovens da JMJ não estão nem aí pra chuva e frio, já que adolescente acha tudo bom e que quem fica chato quando fica velho, sempre foi chato. em meio a mil teorias do tipo, ele fala:

– “meu enteado é um chato. tem 15 anos e já é velho. nao sai de casa pra nada, vive colado no computador e no video game. não quer nem namorar. moleque tem que ser criado na rua, pra ficar sabendo o que tem no mundo. ele não. ele puxou o pai, que é um chato, um babaca, paradão. o que eu acho é que esses garotos ficam o dia todo jogando game, e é por isso que depois fica tudo gay. quer dizer, alguns ficam, né? em vez de ir pra rua, pra ver mulher e ter vontade de namorar, não. ficam só  no game, só no game. acaba tudo viado”.

sem palavras, deixando o garotão levar a conversa, chegamos ao Leblon, onde salto, pensando: é… vai ser uma longa caminhada…

a partir de hj vou fazer um post por dia durante uma semana. a realidade é que as redes sociais me roubaram do meu blog. os pensamentos instantâneos, os leitores imediatos, tudo isso acaba dando preguiça de vir até aqui desenvolver ideias e lapidar palavras.

me sinto mal de estar tão distanciada da minha segunda maior alegria, que é escrever. intimidade é coisa pra todo dia, não pra visitas esparsas. quero voltar.

e aproveito pra dizer que eu acho o dominguinhos um dos maiores de todos os tempos.

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