pileque

10/10/2016

Sentada na cadeira do dentista, procuro por um pensamento que me tire dali, um tapete mágico que isole o barulho do motor, o desconforto da anestesia, a aflição da invasão. Não encontro. Lembro da última vez em que fiquei apaixonada e de como eu adorava ter oportunidades, como essa, pra desligar do mundo e ficar só assistindo àquele filme. Primeiro beijo, desejos multiplicados e compartilhados, compacto das melhores cenas, renovando o encantamento. Como uma semideusa, as humanidades baratas não me atingiam. Debaixo dos pés eu trazia nuvens, e quem traz nuvens nos pés não pisa no chão dos mortais. Vai longe a última paixão. Não guardo em mim nenhum rastro dessa dulcissima ilusão à tôa. A paixão é, de longe, o melhor pileque que já tomei.

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mundo invertido

25/07/2016

descobriram a cura não-cirúrgica pra articulações defeituosas e o fim da dor crônica. Inventaram o fim da menopausa e da devastação que ela provoca.

Hoje recebi um email me chamando pra um projeto maneiro, no Brasil, com cachê digno.

Encontrei uma boa parceria de trabalho que me apóia, investe no meu trabalho, me promove, marca shows pra mim, pensa em projetos, faz a produção e a divulgação.

Fui convidada pra fazer uns shows na Europa, com passagem e estadia e até cachê.

Os festivais internacionais pra onde mandei material responderam minhas mensagens e fui aprovada pra participar de uns.

Consegui entrar no edital pra gravar meu DVD e tenho trabalho no ano que vem, e meus parceiros vão ganhar pra trabalhar dignamente.

Este ano, vou gravar meus projetos e vou poder pagar um profissional para resolver pra mim o que não consigo resolver sozinha.

Ganho o suficiente para me manter e investir na minha carreira e na minha vida e pra fazer planos.

Tenho direito a férias.

Tenho direito a sonhos.

pink and blue

quiet storm*

03/04/2016

vc era estranho. formal. sério. daquele tipo que aperta a mão e tem um jeito desajeitado de dar dois beijinhos e de abraçar sem encostar. olha nos olhos de leve, ri de lado, e nunca manda beijo na assinatura do email. um abraço, no máximo. mas naquela primeira reunião presencial, numa camada acima daquela onde estavam nossos computadores com mil abas abertas, onde a produção bombava, onde eu aprendia com vc, senti um calor borbulhar bem no centro da mesa. me ajeitei na cadeira um pouco desconsertada, dei um gole na limonada aguada, pedi um café.

quiet storm. lembrei do baile charme, da música pra sensualizar. quiet fire. tive vergonha de te desejar, porque vc não é meu tipo, aquela nao era a ocasião, nem o lugar. mas passei a semana pensando naquela centelha que pingou ali, entre tablets e notebooks e fez um buraco no epicentro da mesa de reunião. não sei se vc reparou. mas eu vi.

quando nos reencontramos, raramente e exclusivamente a trabalho, sinto um pequeno desconforto por não saber o que fazer com esse tesão infundado. depois a vida passa seu arrastão e leva tudo.

hoje eu te vi com uma mulher. numa mesa de bar, bebendo e beijando o beijo mais lascivo, lambendo pescoço, cheirando, idolatrando, endeusando, querendo aquela mulher, como se ninguém estivesse em volta. pura luxúria. assisti de longe seu desejo derrubando paredes, atravessando avenidas, escalando penhascos, invadindo quartos pela vidraça, descabelando e entortando a linha do horizonte.

eu sabia.

.sunset

*para ouvir Quiet Storm: https://www.youtube.com/watch?v=ETGXvWFoEi0&list=PLZLxC6rAOhrjdK3Tnm6Onti5OQziuFu-E

queria que fosse de novo carnaval e a gente estivesse tomando porradinha de Fanta laranja com Velho Barreiro, no Varandão, fazendo um vira-vira que a gente nem sabia que era tão perigoso e tão sexy. e que a gente estivesse escolhendo que roupa vestir no baile de carnaval e, depois, dia amanhecendo na Serra, a felicidade de listar os beijos em bocas cujos nomes nunca soubemos: surfista, lourinho, moreninho, mineiro…

e queria de novo sentir o jato gelado do éter entrando pelas narinas e batendo no teto do crânio, em cima daquela moto na madrugada fria, zzzzziiiiiimmm, zumbido e gargalhada, “‘caraaaalho, vou decolaaar!’. ou então voltar àquele dia em que o cheirinho da loló foi calibrado pelo amigo químico e a gente ficou na lua, projeção astral e o escambau, pelados na cama, rindo de nós mesmos e do susto que levamos. ou então entrar naquele avião rumo ao Recife, pra reconhecer meu amor galego dos óio azul e casar com ele no hotel muquifo do centro velho da cidade.

queria estar ensaiando a música pra entrar no meu primeiro festival. tocando um violãozinho tosco, toda compenetrada, subindo no palco da escola de macação branco, que recém cabia em mim, e levando meu primeiro prêmio de cantora pra casa, e acordando a minha mãe: “tá vendo? ganhei!” queria de novo estar atravessando a Ponte, indo gravar meu primeiro disco, toda a estrada do sucesso à minha frente

queria estar passando sombra preta com glitter, pra ir dançar numa discoteca, de salto 12, ou então estar calçando os patins pra ir ao Roxy Roller rodar rodar rodar naquela gira. ou ir ao Disco Voador fazer playback pra 10 mil pessoas ou cantar mais uma vez pro mar de gente no Reveiilon de Copacabana.

queria estar recebendo aquele ursinho com a carta de amor no bolsinho do macação. Ou um milhão de eu te amos escritos num micro rolinho de papel, que ele cuidadosamente enrolou e guardou dentro de uma sapatilha rosa de biscuit. queria ser bailarina de novo, um milhão de pliés todos os dias e depois a rotina do tap, passo a passo, time steps. então, eu escreveria em tinta branca, novamente, um Eu te amo gigante, no meio da rua Estelita Lins, de madrugada, de forma que ele acordasse e quando abrisse a janela, visse o meu amor escancarado no asfalto. queria chegar na aula de canto e encontrar toda a fachada do prédio do professor coberto por uma tira de eu te amos e “boa aula, meu amor”. queria o fim de semana na Serra, ouvindo Pat Metheny e vendo Jacques Cousteau sem som. e comendo pipoca e tomando vinho de garrafão e fumando maconha e fazendo amor, over and over and over.

queria tudo de novo. não por nostalgia, mas porque eu gostaria de zerar essa desilusão, construir os sonhos e confiar no porvir, na potência, no destino, na sorte, no amor. aquela alegria que não cabe no peito nem no sorriso, só porque sim. e ter mil planos de viajar, de fazer turnês internacionais, de morar fora, fazer sucesso no Brasil, ter filhos, ficar rica, comprar uma casa cercada de jardins de inverno, fazer minha viagem dos sonhos, num 4X4, de mapa na mão, pelo interior do Brasil, e encontrar um grande amor cúmplice parceiro, em quem se pode confiar de olhos fechados. tudo isso, só porque a gente acredita que nasceu com uma estrela brilhando na cabeça e tudo, tudo vai dar certo.

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em junho deste ano, 2014, faço 50 anos.

este blog tem esse nome pq, qdo eu tinha 20, conheci a obra do compositor Erik Satie e me apaixonei. ele tem uma peça chamada Avant-dernières pensées, que quer dizer Penúltimos pensamentos. fiquei encantada com a irreverência dele e com uma frase que, naquele tempo, já me parecia completamente pertinente: “Disseram-me: Verás quando tiveres 50 anos. Tenho 50 anos. Não vi nada”. Aos 20 anos eu já achava isso totalmente plausível e hoje, na beira dos 50, percebo que eu antecipara uma sensação de permanente perplexidade que, no ano passado, me fez tatuar um ponto de exclamação no cangote. quero deixar bem claro que estou perplexa e, embora não tenha visto nada, vi muita coisa e permaneço aquela mesma garota que tinha sede de viver tudo. acima de tudo, estou perplexa por fazer 50 anos.

ano retrasado, aos 48 anos, eu só pensava em desligar os aparelhos, desesperada por problemas de dinheiro, saúde, trabalho e amor. tudo ruiu. ano passado, como resultado de todo o investimento da vida, with a little help from my friends, aos 49, renasci. estou vivinha da silva.

àqueles que pensam que tem uma hora pra desistir do sonho e ir fazer outra coisa, conto meu segredinho: depois de intempéries, contrariando todas as expectativas e indicativos, vou realizar, em 2014, aos 50 anos, com 26 anos de carreira, o meu sonho impossível.

qdo eu tinha 29 anos, uma mulher muito foda me falou: “aquilo a que vc se dedicar, daí virá o seu sucesso”. nesse meio tempo entendi que o sucesso muda de lugar o tempo todo. e a gente na estrada, caminhando, caminhando. e isso é bom. *

o movimento do desejo é constante, avante, ao alto, em espirais ascendentes tendendo ao infinito.

*aos que acham que apenas o pensamento positivo basta, aquele abraço.

plano ideal

07/09/2013

o único lugar do mundo onde eu gostaria de estar, além deste em que estou, plenamente viva e feliz, seria numa casa plantada na areia de uma praia muito branca, sem vento, de mar muito limpo e calmo, onde eu pudesse estar. simplesmente acordar, a qq hora, e pisar na areia com uma caneca de café e depois mergulhar e depois dourar até tostar. até o cabelo guardar um cheiro de sol.

só pra começar.

beijo

10/08/2013

a gente ainda não se beijou porque, no dia em que a gente se beijar, a catedral do Rio de Janeiro vai decolar feito uma nave, e as pedras portuguesas vão descolar das calçadas, e a escadaria do Selarón vai virar um tapete pra gente passar e a Lapa vai parar.

só por isso que a gente ainda não se beijou,

só por isso.

pedido

23/02/2013

é sabado e eu acordo tarde, como sempre, mas sem despertador. passando por uma fase de resguardo e descanso, sem festas, sem drogas, sem roquenrol, me sinto leve ao acordar, longe do insensato mundo, distante de tudo. mas basta colocar uma música pra tocar e as lágrimas descem, como se eu tivesse uma tristeza profunda guardada. não sei que choro é esse, de onde ele vem, mas vejo fotografias de gente querida e choro, ouço músicas lindas e choro. choro por absolutamente tudo. as demandas brotam, aos jatos. na minha lista de desejos tem tanta coisa, de sapato novo a sucesso internacional, que direito tenho eu de querer ainda mais? quero viabilizar minha vida, minha carreira, quero que meu disco cumpra um lindo destino. que, além de levar minha música pro mundo, ainda seja um sucesso, querido, comentado, elogiado, multiplicado. quero que ele fale por mim. quero encontrar forças que perdi, quero que meu empenho não arrefeça, que minha determinação se sustente sobre todas as coisas, sobre todas as intempéries que conheço de perto, mesmo dentro do turbilhão inimaginável em que me encontro, com muito mais problemas do que sou capaz de resolver. quero me sentir bem comigo mesma outra vez, quero que minha força de vontade seja dominante e mandatória, quero me livrar de todo mal, amém. peço e nem sei pra quem pedir. onde está aquele grande pai que nos ouve e atende? deus? o universo, o cosmos?  Na dúvida, peço pros amigos espirituais, pra mamãe Oxum, pra Xangô, pra Santa Teresinha, pro anjo da guarda. Não acredito em nada, mas não posso me dar ao luxo de desacreditar. Quem é ateu e viu milagres como eu… Mas hj, assim, chorosa, com doze trabalhos de Hércules pra realizar, com zero recursos e nada nas mãos, ainda penso cá comigo: é ousado demais querer ainda mais, é pedir demais querer um namorado que goste de mim como eu sou? pra quem eu seja suficiente, sem tirar nem pôr?

o sistema

16/01/2013

eu sempre pensei no “sistema” como inimigo nº1 de gente legal. os caras do sistema são aqueles que compram carros enormes com tração nas 4 rodas, sem terem a menor intenção de pisar numa estrada de terra. o sistema é aquele cara meio babaca, careta, reaça, que lê revista Veja, vota no mauricinho e manda o filho fazer intercâmbio nos EUA. o sistema é aquele monstro que ceifa talentos, que enterra dons, que molda a criatividade a seu favor e tenta engarrafar o mar. o sistema obriga pessoas a conviverem e se aturarem, mesmo sem terem nada a ver. o sistema vende refrigerante como sendo uma coisa boa. o sistema classifica pessoas em prateleirinhas. o sistema faz pessoas só poderem ir à praia no fim de semana, todas ao mesmo tempo, engarrafadas no seu desespero por viver o lado bom da vida só até domingo à noite. o sistema faz as pessoas fazerem a mesma coisa, na mesma hora, todos os dias da vida. rouba o tempo de viver, as horas com os amigos e a família, até as pessoas ficarem conformadas e velhas demais para fazer o que quiseram fazer de verdade. mas tiram férias uma vez por ano, se aposentam, vão à Europa  trocam de carro, criam filhos, tiram fotos no natal. e sempre podem ter um hobby pra aplacar a rotina. morte horrível.

fiz escolhas pessoais e profissionais de ficar sempre ao largo, transitando apenas o necessário nos sistemas que se empilham por aí, por sobrevivência, e escolhendo viver de outras maneiras. até tentei me adaptar, mas não consegui. jovem demais pra morrer, velha demais para o rockn’roll, agora estou numa categoria meio hippie-meio looser, meio louca-sonhadora, invejando a paz e o conforto de quem se adaptou. a verdade é que até hoje não me conformo, mesmo nessa idade e nessa situação. estou nua diante de um tiranossauro rex faminto, pronto pra me devorar.

tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você. não é me dominando assim que vc vai me entender

que los hay…

09/05/2012

ela tropeça numa lâmpada, dessas que têm gênio dentro,  e nem vê. tá tão ocupada com a vida, tão assim, sem acreditar em magia, que atropela aquela lâmpada que luzia no meio da rua, meio dia, do nada. lâmpada é o catzu, to com pressa. Sem querer, libertou o gênio.

o gênio, que habita a lâmpada, indignado pelo desprezo, vai atrás dela: “fia, tu tem noção do perigo? to aqui há 10 mil anos, preso nessa garrafinha, esperando o dia em que um pobre mortal desesperado me encontre e me liberte, achando que esse é o dia mais feliz da vida dele, e tu me despreza, assim, passa por cima, nem olha pra trás? isso não tá certo, não! tenho obrigação histórica de servir a quem me acha, sou seu escravo, mesmo sem querer.”

“dá um tempo, gasparzinho, que eu to toda bookada. e tb não acredito em nada disso. o que vc quer? dinheiro não tenho, nem parentes importantes, minha carreira é um fracasso, minha conta bancária está no vermelho há 22 anos e eu não tenho onde cair morta e nem pra onde ir. vaza!”

“vc não tá entendendo, to aqui pra isso, pra resolver sua vida! pede aí, pede qq coisa. o que vc quer? tudo pra já! pede! peeede!”

“sai fora, pluft, me amarrota que eu to passada, e qdo eu me espalho ninguém me junta!”

“pede, faz um pedido, um sonho impossível qq, é só falar, só falar uma palavra! fala, patroa! que que te custa?” o gênio falava, desesperado, enqto corria atrás dela, que nem tchum pro assunto. “…patroinha, é dinheiro, amor, fama, sucesso, casa, saúde, viagem, marido, palácio, jardim, navio, avião?…. fala só a palavra, só pra me testar, me deixa te provar que eu sou seu escrav0 e vc é minha dona, que seu desejo é uma ordem, me libera aí!”

‘”que mané escravo?! E eu não tenho desejos, não tenho tempo pra sonhar, nem acredito em gênios. fá-fé-fi-fó-fui, partiu feroz!”

E assim, ela foi correr atrás das coisas da vida, e o gênio ficou pê da vida, esperando, mais 10 mil anos, por alguém que ainda acredite em magia.

No dia seguinte, qdo parou pra atravessar uma rua, entre um não e outro, ela lembrou do episódio e riu sozinha: “gênio, ahahahah, quem dera…”

e se comer fosse sempre vegetais frescos e frutos do mar grelhados e queijos e pão integral e azeite e chocolate? e se beber fosse sempre água e vinhos e  café e chá? e se a alegria fosse sempre encontrar pessoas queridas, com música, onde todos os tipos, de todas as idades, fossem bem vindos e se sentissem bem, sem hora pra acabar ou pra começar, sem firula? e se namorar fosse sempre com um homem maravilhoso, bem humorado e gostoso, cúmplice, carinhoso e parceiro? e se viajar fosse sempre para se perder de vista e colocar outros olhares nos olhos? e se chover fosse só para lavar e matar a sede da terra e se o sol banhasse as águas limpas e as areias brancas, brilhando realmente para todos, em igual intensidade? e se o vento só ventasse para carregar o mal pra lá e o bem pra cá? e se todos os dias dessa vida a gente acordasse de olhos bem abertos para o que tem, e não para o que não tem?

fever

13/11/2010

o sangue dispara em alta velocidade, como um tiro quente de éter por dentro das veias, percorrendo o corpo todo e bombando feito um surdo de marcação no centro de tudo. o corpo meio tremulo, a boca entreaberta e demi sec, a pele macia, tudo em pleno fervo. Rápido, é urgente.

paixão

09/11/2010

Tem gente que fala que a paixão é um inferno, mas eu discordo. Pra mim, a melhor coisa da vida é ficar apaixonada. Depois que passa a paixão a pessoa vira gente e é aquilo, né? Todo mundo tem pentelho, só a bailarina que não tem.

Eu fico maravilhosa apaixonada. Emagreço, componho, escrevo sem parar e me sinto linda, pronta, quente, animada, energizada, no topo da cadeia alimentar. Até o cabelo brilha, os olhos irradiam luz e do centro do peito sai uma rosa vermelha e perfumada. Cafona e superior, é assim que me sinto apaixonada. E livre.

Da ultima vez em que me apaixonei mesmo, bom, deixa pra lá, até hoje nao anotei a placa do veículo que me abalroou.

Sinto no ar um cheirinho de paixão. Como uma adolescente fico pensando que magias eu poderia fazer para trazer a pessoa amada em três dias. Ou menos. Não tenho cara de pedir uma coisa dessas pros deuses, pq depois que a gente lê umas coisas aí, a gente aprende que nem sempre o que a gente quer é que é o bom. Ai, que saco.

Entao  mudo a reza: Atenção, deuses do amor, afrodite, vênus, cupido, lembrem-se de mim e joguem uma flor com meu cheiro no colo daquele moreno. Se ele gostar, ele é meu!

planeta água

02/09/2010

“tenho seis planetas em água”, eu disse.

“por você, eu beberia a água de seis planetas”, ele disse

meu melhor amigo está deprimido, perdido nos labirintos da vida. Vida adulta chata, realidade. A vida adulta tb tem me assustado e suas atribuições me metem medo. Eu e minha irmã temos nos preocupado com a família. Falar nos aproxima e conforta. Às vezes eu choro escondida.

meu outro melhor amigo vai ter um encontro. Torcemos pra que seja tudo lindo gostoso e feliz,  pessoa legal, que mereça ele e trate ele bem. Estamos todos  muito cansando de tantas tentativas e erros (e qtos erros…)

minha melhor amiga está ansiosa, apaixonada, sofrendo, fumando um cigarro atras do outro.  está desesperada para ser feliz, como todos nós: “mas por que não posso ter tudo ao mesmo tempo?” pode, claro. então,  vamos encantar a vida

eu tb ando buscando a centelha da paixão que nos faz melhores compositores e cantores e torna a vida mais colorida.  vou atrás das emoções, estou tentando me manter bem viva.

enquanto tudo isso, a manhã expulsava a noite que pairava sobre a princesinha do mar. you see, eles não sabiam que era impossível…


vi, sim

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