eu amo camisa branca. sempre amei. cintadinha, bem decotada, pra usar de jeans e saltão. ou soltinha pra fora da calça, mais discreta, pra trabalhar ou tirar aquela onda BC BG, de moça de “família bem” que almoça durante a semana, com amigas, no  Leblon. adoro também no palco. brancas, bem brancas. sempre fui boa dona de casa, das que compram anil, alvejante e sabão especial pra deixar o branco mega branco, sem aquela cara off-white, de branco gasto, que lava na máquina e perde aquela alvura virgem, pra nunca mais.

um dia comentei com a minha mãe: camisa branca , mermo, deve ter a Antônia, a filha da Carmen Mayrink Veiga (baluarte do velho high society carioca), que deve ter uma mucama pra lavar as camisas à mão, pra ficar segurando enquanto quaram ao sol, pra enxaguar delicadamente nas lágrimas de virgens louras e secar à sombra, na brisa filtrada das montanhas da Gávea. as nossas, continuei, nunca ficam aquele super mega branco.

no dia seguinte, chego em casa e encontro, em cima da minha cama, uma linda caixa dourada com um laçarote. Dentro da caixa, lá está ela, reluzente e imaculada, uma linda camisa branca, branquíssima, alva, alvíssima, corte perfeito!  e um bilhete:

“Não é só a Antônia que tem camisa branca perfeita, tá? com amor, Mum”

E de lá pra cá, as camisas brancas nunca mais foram as mesmas. pra mim, elas sempre sussurram, no meu ouvido: “com amor, Mum”

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melhor

30/10/2014

eu quero ser uma pessoa melhor. quero ser a mulher que eu sempre achei legal ser. eu quero me educar pra desfrutar da vida como acho que ela deve ser desfrutada. aproveitar os bons momentos, baixar a ansiedade, não acabar com a parte boa por causa de expectativas e carências outras. simplesmente estar presente e prestar bastante atenção no que está, realmente, ocorrendo. receber o que vem, deixar ir o que tem que ir. tá anotado. só me resta viver.

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aceitação

29/05/2014

nada existe, só o momento que invento, este momento, que passa por dentro de cada letra de cada uma dessas palavras e já não é mais o mesmo na próxima. e assim, o tempo escorrega, aquoso, volátil, esquivo.

tenho pavor do futuro. que bom, o futuro a deus pertence.

a mim só pertence o presente.

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timaço

19/12/2013

amanha faço o ultimo show deste ano. fazendo as contas, vejo que fiz em torno de três shows por mês, se somar todos e dividir pelo ano todo. é muito menos do que eu gostaria, mas é o bastante pra me manter em atividade permanente. pra 2014 quero muito mais, sai da minha frente que eu quero passar, pq o samba está animado…

este ano eu fiz tudo o que quis fazer. planejei e fiz. mas não fiz nada sozinha. a lição mais importante de todas é: ninguém faz nada sozinho. a segunda é: planejamento e fidelidade ao plano até o fim, com jogo pra pequenas manobras de adaptação e atualização de cartografias. jogo limpo, peito aberto e decisão.

finalizei meu disco, lancei meu disco com louvor, emagreci pro lançamento, fiz um crowdfunding que deu certíssimo, tive o apoio de quase 300 pessoas, tive lindas críticas profissionais, fiz vários shows diferentes, com gente e repertório novos, gravei o disco do Arranco que sai em março, malhei diariamente em academia, fiz amigos novos, vi os antigos, me diverti a valer, ganhei muuuito mais prestígio e respeito e reconhecimento como cantora, fiz  incontáveis gravações, ensaios, coisas importantes e legais, sai da depressão abissal do ano passado, encontrei um médico maravilhoso, um produtor incrível, uma fisioterapeuta maravilhosa, uma empresária maravilhosa, uma produtora foférrima, uma equipe de deixar qq um de coração mole, músicos os melhores e mais queridos, uma gravadora dos sonhos. e fiz grandes, imprescindíveis, noitadas. mas nunca, em nenhum momento, fiz nada que não tivesse a colaboração de outra pessoa. meus parceiros, meus amigos, minha família, meus colegas de copo e de cruz. agora entendo bem o plural de modéstia. aquele em que o cara sempre fala “nós fizemos”, pra não dizer “eu fiz”.

e o resto? ah, pra mim não existe resto, não separo a minha vida pessoal da minha carreira, não separo a diversão e o amor do trabalho e nunca paro de trabalhar ou de pensar em trabalho. não que eu seja uma obstinada louca, que anda com um timer na bolsa, uma calculadora e um personal coach à tiracolo. mas por dentro nunca tiro férias, não descanso no fim de semana. faço tudo ao mesmo tempo, vou à praia enquanto componho, estudo enquanto cozinho, tudo misturado. estou perfeitamente alinhada com meu desejo, com meus novos sonhos e com o que virá, um universo desconhecido, onde mais uma vez vou trabalhar e viver, me divertir e sofrer, tudo junto, como sempre. essa é a vida que eu quis: amalgamada, misturada, apaixonada, grudenta e apegada com a música. a música é a minha família, minha prole, meu amor eterno e minha fonte de vida, de problemas, de trabalho, de lazer e de prazer. meu tudo há 25 anos, que nem senti passar. mas sem meus comparsas, meus pariceiros, meus cúmplices, meu time e minha torcida, eu não teria feito nada.

dia dos namorados

11/06/2012

Naquele tempo, tinha gente que começava a namorar na semana anterior e terminava logo depois, pra não pagar o mico social de não ter com quem passar o tal dia. Outras vezes, a pessoa esperava passar o dia dos namorados pra terminar um longo namoro: “Po, não vou fazer essa sacanagem, né? Deixar o cara sozinho no dia dos namorados”.  Ou então, no meio de uma crise daquelas, todo mundo ficava de altos por um dia, só pra não perder a data. As coisas tinham lá suas bobas importâncias, e a gente ainda nem tinha se ligado que a data é comercial, feita pra vender presente, que papai noel não existe e que nem deus existe. naquele tempo, ainda havia deus. e aqueles sonhos.

compra roupa nova, faz unha, depilação, cabelo. será que seremos felizes como deveríamos, hoje, já que todos os casais brasileiros deveriam comemoram o amor? Será que conseguiremos ser assim tão felizes com data marcada, com fila no restaurante, aquele que tem fondue e luz de velas, ou aquele japonês que tem salinha reservada, para podermos, enfim, entrar na fotografia ou no filme em que se espera estar nesse dia? Amando, sendo amados, lindos, felizes, sorridentes. E depois desse momento romântico em que a gente troca presentes, em que ele terá adorado o que eu dei e eu terei adorado o que ele deu, nos  beijamos longamente e fazemos um brinde, olho no olho. Pode ser que a gente peça uma garrafa de espumante, ou de sakê, coisas que a gente não faz normalmente. Mas hj a gente tem que ser feliz a qq custo, então, brindemos.

Esquece tudo, amor, hj é o nosso dia, dia de comemorar a felicidade de não fazermos parte do bloco do eu sozinho. Depois,  ainda temos que ir pro motel e tem que ser uma noite inesquecível. mesmo que vc esteja cansado, q eu tenha que acordar cedo amanhã, mesmo que eu e vc nem estejamos assim, nesse momento exatamente sexy. Mas vamos fazer parte desse filme logo e encarar a fila do motel mais barato, pq esse super caro nao dá pra gente. Ficamos no carro, esperando vagar uma garagem e lá vamos nós pro test drive do amor. a felicidade nunca foi tão estressante.

 

tatibitati

10/01/2011

As crianças são budistas de nascença. Quando estão ainda na época da inocência, elas não têm auto-imagem, nao têm um nome a zelar. Simplesmente são o que são. Elas não se olham no espelho, antes de sair e pensam: minha bochecha tá fofa? minhas dobrinhas estão mordíveis? essa fralda me deixa gorda? Simplesmente vivem, se relacionando com o que está em volta, exclusivamente no momento presente, sem nunca se preocupar com o futuro ou remoer o passado. O universo é novo, o tempo todo, para as crianças. Elas apreendem, experimentam, provam, cheiram, pegam, largam, escolhem e podem mudar de idéia à vontade.

Um bebê não pensa: ah, vou deixar isso pra amanhã; pra um bebê não existe amanhã. Só existe o aqui e o agora. Se ele quer alguma coisa, ele berra, se joga, pede, chora, esperneia.  Se não quer, nao tem santo que o convença. Se ele tem sono, dorme, se tem fome, come, se tem medo, chora. Gosta das pessoas pelo que elas são com ele, independente de cor, raça, credo, peso, formação ou classe social. Se não gosta de alguém, não vai no colo de jeito nenhum e nunca, nunca finge ou mente.

Depois, vão desiluminando com o tempo e um dia, pimba!, ficam assim, gente como a gente…

minha amiga mabel e eu, no tempo da delicadeza

 

idas e vindas

21/07/2010

como morre gente nessa vida! nas últimas semanas foi um strike. um tal de velório, missa, enterro, cinzas ao mar, uma loucura. Mesmo assim, a vida insiste em gritar com esse sol lá fora, esse azul, a praia cheia de micro peixinhos ganhando a correnteza, singrando os mares, gaivotas em bando ocupando o espaço. A energia da vida é inexorável. A vida está e é.

Lembro do Neiva, professor que tive na UFF, que dizia que um dia ele se deu conta de que quando ele morrer, nada vai mudar no mundo. Se estiver sol, vai continuar sol. Sad, but true. O mundo é um moinho, a vida é uma montanha russa, os cães ladram, a caravana passa e tudo está exatamente onde deveria estar.  Melhor correr.  Antes que a gente vire, também, cinzas, neste mar de vida. Não é bom nem ruim, é assim.

menos encanada, menos dura, mais flexível. menos complicada, mais comum. mais crédula, menos pragmática, mais sonhadora, menos cansada. menos inteligente, mais feliz. mais “surpreensível”, mais ingênua. mais aberta, menos disponível, mais autoconfiante. mais focada, mais orgulhosa, mais marrenta. menos rebelde, mais disciplinada. mais convencional, mais mulherzinha. menos crítica, mais generosa. mais sociável, menos auto suficiente. mais esperta, mais rápida, mais ambiciosa, menos patinha feia.

menos patinha feia.

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