rainha da noite

11/03/2016

levantava, pegava a bolsa e ia. Jobi, Clipper, Guanabara, Real Astoria, Bar Lagoa, Sats, Bofetada, Cervantes, Bracarense, Hipódromo. Ipanemense que sou, meus bares sempre foram por perto. Canceriana que sou, sempre fiz da noite a minha casa, do bar, meu castelo, dos garçons, meus camaradas. em todos os lugares fiz amigos. só chegar, pedir um copo, emendar o papo, começar outro, rir das piadas, contar casos, ouvir confidências. ali e então, sem passado e sem futuro. fechando bares, abrindo madrugadas, inaugurando dias, raiando sóis, voltando pra casa de manhã, sozinha, com um novo amor ou com um velho amigo. um mundo-ilha onde eu e meus amigos morávamos. quantos milhões de pileques homéricos e noites memoráveis e papos incríveis. eu era a dama da noite, cujo perfume se espalhava ao anoitecer, atendia ao chamado da lua e ia.

os bares, uns não existem mais, outros mudaram pra pior ou melhor, outros continuam apenas de pé. assim como os amigos.

e eu sou uma mulher em permanente exercício de equilíbrio entre querer e poder, sempre tendendo a escolher o desejo à necessidade. como uma bailarina aposentada, de vez em quando visto as sapatilhas guardadas e danço, pro espelho, a minha dança-eu. lembro quem sou, que prazer realmente me diverte e rio sozinha, rebelde como no primeiro dia da minha adolescência. quem foi rainha, nunca perde a majestade. e ainda acho que o paraíso é uma mesa de bar, com amigos e uma noite interminável para gente desbravar.

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casa na areia branca de praia deserta

a 10 passos do mar transparente e calmo e tépido

violão

ganja

rede de casal

ar condicionado

água de coco gelada

vinho branco

peixe

frutas

salada

sorvete

ele

e

eu

arpoador maio 2009 009

50

14/07/2014

à beira de fazer aniversario, saio de um show numa rádio, pela manhã, mal dormida, pensando no show que terei, exatas 12 horas depois.

chego em casa, ligo o ar, desligo os telefones e me permito dormir o soninho da beleza entre um show e outro. durmo fácil como se fosse.

sonho que estou à beira de uma piscina muito turquesa,  cujas bordas se nivelam ao gramado em redor, como se a água sempre tivesse estado ali, brotando do centro do quintal.

vejo uma criança-delfim me convidando para entrar na piscina, mergulhando desaparecendo numa borda para aparecer em outra, um erê-sereia, chamando sem chamar. vou.

me jogo, mergulho, desta vez por uma espécie de túnel no ar, uma fenda na parede da paisagem por onde entro, como se pulasse um muro pra dentro do mundo.

mergulho e brinco de encontrar a criança dentro d’água. ela foge de mim, nos perdemos, ela ri de mim. e qdo boto a cabeça pra fora, só dá tempo de eu ver as  paredes do mundo se fechando em volta da piscina, retângulo perfeito, erguendo uma muralha de cimento que vai subindo qual torre de babel ao infinito, em volta do perímetro perfeito da piscina. e lá estou eu, no fundo de uma garganta sem fundo. meu paraíso começa a ser emparedado e o sol, que brilhava e azulava tudo, vai virando uma janela remota lá em cima, retangular, uma claraboia que vai se afunilando enquanto sobem as paredes de cimento, em volta de mim, ao universo e além.

minha claustrofobia quase se rende quando percebo um caco caindo do muro eterno, deixando ver o mundo lá fora e, dali, já consigo avistar um pedaço de paisagem, um céu azul, montanhas verdes ensolaradas e outras águas. por conta própria, o cimento da parede vai descascando, saindo como se fosse a casca de uma fruta que se tira com as mãos, espiralando. só que aqui, a polpa da fruta era o lado de fora. a parede se dissolve, e o muro se desfaz em troça. dentro da piscina permaneço, de  novo ao sol, de novo vislumbrando um canto de natureza meio torta, meio Dali. e aí, o céu é meu, e eu sou a dona daquilo tudo de novo.

e nem sei porque, naquela hora, no meio do sonho, eu tive certeza de que as paredes cederam por mim, a mim, e que o sol iluminou a piscina e que o céu era azul, pra mim. só pra me avisar que era meu aniversário e que tudo, tudo está no seu lugar.

perdi um pouco a hora, levantei correndo, segunda sessão começando em breve. 50 anos. banho, maquiagem, cabelo, figurino, malinha, taxi. 50 anos.

2014-03-15 17.01.19

 

 

 

 

 

plano ideal

07/09/2013

o único lugar do mundo onde eu gostaria de estar, além deste em que estou, plenamente viva e feliz, seria numa casa plantada na areia de uma praia muito branca, sem vento, de mar muito limpo e calmo, onde eu pudesse estar. simplesmente acordar, a qq hora, e pisar na areia com uma caneca de café e depois mergulhar e depois dourar até tostar. até o cabelo guardar um cheiro de sol.

só pra começar.

e se comer fosse sempre vegetais frescos e frutos do mar grelhados e queijos e pão integral e azeite e chocolate? e se beber fosse sempre água e vinhos e  café e chá? e se a alegria fosse sempre encontrar pessoas queridas, com música, onde todos os tipos, de todas as idades, fossem bem vindos e se sentissem bem, sem hora pra acabar ou pra começar, sem firula? e se namorar fosse sempre com um homem maravilhoso, bem humorado e gostoso, cúmplice, carinhoso e parceiro? e se viajar fosse sempre para se perder de vista e colocar outros olhares nos olhos? e se chover fosse só para lavar e matar a sede da terra e se o sol banhasse as águas limpas e as areias brancas, brilhando realmente para todos, em igual intensidade? e se o vento só ventasse para carregar o mal pra lá e o bem pra cá? e se todos os dias dessa vida a gente acordasse de olhos bem abertos para o que tem, e não para o que não tem?

I’m not in love

18/10/2011

preciso me apaixonar urgente. preciso me apaixonar pra sharpear a cor da vida. pra voltar a achar bonitas umas músicas, umas frases, pra apreciar Jorge Vercillo, sempre falando de amor como uma epifania, um momento da ascenção, de iluminação. Pra encolher a barriga. E tb pra ficar horas me olhando no espelho, horas passando creme nas pernas, tirando sobrancelha, fazendo unhas.  horas feliz. com aquele canhão de luz apontando de dentro pra fora. quentura. aquela falta de fome, aquele fastio, cheio de borboletas no estômago. e também para andar sorrindo na rua, para estranhos. e pra ter a felicidade de esperar o telefone tocar, e ele tocar. ficar apaixonada é um inferno, uma montanha russa, um desassossego, um aluguel. muito mais legal do que a paz-eterna-amém.

 

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