x

11/04/2015

fla X flu

direita X esquerda

ditadura X democracia

católicos X evangélicos

judeus X árabes

armênios X turcos

cristãos X muçulmanos

meninos X meninas

homofóbicos X gays

argentinos X brasileiros

paulistas X cariocas

franceses X belgas

palestina X israel

klu klux klan X negros

irã X Iraque

trabalhador X patrão

pobres x ricos

 

as paixões nos tornam parciais, polarizados, defensores das nossas crenças e convicções mais queridas. tem jeito?

 

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questão de gosto

16/06/2014

nunca tive um bicho. amo animais só nos videos do youtube. vejo milhares, platônica.

tenho aflição do olhar transparente dos gatos e jamais recolheria o cocô de um cachorro com saquinho plástico. detesto cheiro de cachorro. e acho um saco qdo vou namorar um cara na casa dele e o cachorro fica do lado da cama ou qdo o gato se esfrega na minha perna.

eu nao gosto de Dali. admiro, entendo a importância. mas nao gosto. adorava qdo era adolescente, mas parei de gostar.

detesto fusca, qq um, de qq época. sempre detestei. nem acho fofo.

gostei de romero britto qdo vi pela primeira vez, a explosão de cores. agora, intoxiquei. mas acho um saco isso de ser proibido gostar dele.

romero britto é o paulo coelho das artes plásticas. mas quem falou que ele faz artes plásticas e q o paulo coelho faz literatura? óbvio que não.

adoro o vinho carmenère daqueles vira-latas do club des sommeliers. acho um néctar dos deuses. custa 17 pila.

não acho bonito mulher grávida. entendo a filosofia da beleza, a vida blá blá, mas acho feíssimo.

intimamente, sempre descredenciei e desconfiei das autoridades. e hoje em dia tem essa coisa insuportável de ter coach pra tudo. ninguém sabe mais fazer nada sozinho: estudar, pesquisar, pensar, malhar, comer, rezar, decidir, viver, administrar carreira, cantar, existir.

amo comer qualquer legume e verdura crus, qualquer um. acho delicioso, de verdade.

preconceito: eu acho que todo gringo tem cecê e não toma banho direito.

adoro feriados, dias enforcados, greves de ônibus, chuvas torrenciais e tudo aquilo que interrompe o mundo.

eu como chocolate todo dia. amargo, beeem amargo. e café, não adoço de jeito nenhum. acho café uma bebida doce.

eu acho o rock um esporte juvenil.

nao sinto a menor culpa de ligar o ar bem gelado toda noite e dormir enroscada num edredon fofo.

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verdades

29/07/2013

eu tenho as minhas. vc tem as suas. os outros têm as deles. verdades são como pontes, como passadiços, como atalhos. parecem acenar com um absolutismo reconfortante, com a sensação de que “pronto, chegamos. há um porto”. há nada.

não acredito em verdades e, por isso, me vejo sempre perdida entre os vários lados de cada questão. termino sempre como aquela sem opinião, sem vontade própria, maria-vai-com-as-outras. mas só pq eu acho, sim, que toda opinião vale. opinião e verdade andam juntas, customizadas, adaptadas ao usuário.

queria comprar o caderninho das verdades e emplacar, uma a uma, verdade a verdade, e nunca mais ter dúvida nenhuma, e ir cuidar de outra coisa, bem relax. por hora, nao posso. acredito demais nas inflexões das verdades e elas me ocupam a mente, o corpo, elas definem a minha vida. por elas eu coloco tudo pra jogo. só pela ideia, vaidosa, de verdade.

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a heart song

23/07/2013

desculpe a pretensão, mas se eu tivesse que dar um conselho pra alguém, um só, eu diria: procure seu talento. vc pode até não encontrar, mas é na busca daquilo que te move que mora a sua verdade. no meio do caminho, enquanto vc procura, vc vai se conhecendo, descobrindo coisas dentro e fora, dando de cara com tudo o que vc realmente é, e não com o que vc gostaria de ser.

sem buscar, como encontrar? buscar é garantia de encontrar? sim e não. alguma coisa vc certamente vai encontrar qdo começar a se investigar. vai descobrir se o que te move é dinheiro, segurança, poesia, realização pessoal, matemática, música, geografia, gente, bicho ou uma mistura de tudo. vai descobrir se está só tentando agradar a família, a vizinha, a sociedade, ou o namorado. vai descobrir se quer fazer caridade, calcular pontes, atravessar mares ou servir passageiros de um avião. vai descobrir, sobretudo, o que não quer fazer da vida. o que já é grande coisa. e vai ter a chance de conhecer um monte de coisas que estão no mundo. e corre o seríssimo risco de encontrar um grande amor para a vida toda, para vc viver e cultivar, e que não vai te deixar naquela hora da vida em que a gente fica, inevitavelmente, mais sozinha, mais silenciosa.

sonhar é uma coisa. realizar é outra. muitas vezes agradeci pelo Oscar no espelho, mas não pretendo ser atriz, portanto, concluo: meu sonho não é ganhar o Oscar. qdo brinco de agradecer pela estatueta, no fundo, brinco de ganhar um prêmio de reconhecimento pelo meu trabalho e fazer aquele discurso emotivo, que nem se faz mais. isso, sim, é um sonho: o reconhecimento (tá, e a grana que a pessoa ganha com o prêmio).

ter um desejo, um caminho a seguir, dá trabalho. nenhum talento vem ao mundo com desenvolvimento pleno. Einstein estudou, Mozart tinha professor, Machado de Assis foi à escola. Tem que dar uma malhada, sempre. Seja na jardinagem, na física nuclear, na pintura em porcelana, na medicina. ouça um bom conselho: encontre alguma coisa pra amar, que ninguém pode tirar de vc. uma cia permanente, que vc vai carregar por dentro.

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abre alas

04/05/2013

Peço licençaê, meu pessoalzinho, cariocas e selvagens de todas as tribos: quero passar.

Na minha casa se ouvia Românticos de Cuba, Metais em brasa, Burt Bacharach, Chico Buarque, Bethânia e Barbra Streisand. E Domenico Modugno. Rock progressivo, tb. Ipanemense de raiz que sou, não nasci no samba, não posso negar. mas quem, como eu, viu o Simpatia sair, nos anos 80, despejando uma onda de alegria pelo bairro, foi atrás e não voltou mais. Aqui no meu quintal, com sua licença, às vezes até se jonga. E tocamos música instrumental, Cole Porter e Coltrane.  Além do Fundo, do Caetano e do Djavan, Bill Evans é deus. Assim como Bach, Chopin e Erik Satie*, que fizeram uma música que não se vai mais fazer. Desbravadores, como Miles Davis e Ella. Como Pixinguinha, Villa Lobos, Zé Keti e Garoto, como Tom Jobim. Nunca mais.

Mas o pessoal aí do samba vai ter que me perdoar, pq eu adolesci na Era Disco. Saturday night fever, Earth Wind and Fire, Whitney Houston, Sly and family Stone. E até Olivia Newton John, perdoai! Mas, qdo subo no salto e ataco de diva, com perdão da má palavra, estou dando vez ao morro e, por dentro, descalço os pés, pra me ajoelhar no meu altar. e qdo confesso que o samba é o melhor lugar, sei que dentro de mim mora um groove, e não consigo fazer ele parar de dançar.

é por isso, meu povo do bom jazz, q eu vou pedindo licença e passando, encantada com Erika Baduh, como quem vê a Portela passar. o tantan sapeca num pagode, e lá vou eu, sambando no pé pelo chão de cimento. paro pra admirar o bandolim do Hamilton de Holanda, me deleitar com o violão do Sergio Santos, me encantar com as músicas do Pauleira, e levitar com o sopro do Gabriel Grossi.

aos meus compadres e parceiros, meus irmãozinhos e cumadis, preciso revelar um segredo: adoro um piano que toca quase em silêncio, com uma bateria tocada às vassourinhas, um baixo acústico, e uma melodia sinuosa e bela, pra deitar os cabelos. o jazz me acomoda o coração e faz com que eu me cale, como que pra me educar, me fazer escutar, usar os ouvidos de ouvir.  tb adoro música sem palavras. Mas as letras da MPB são as mais lindas das lindas, com todos os seus poemas que desafiam melodias, e os batuques febris de todas as Áfricas, daqui e de lá. o mundo inteiro é uma louca nação de índios e de pretos, cheia de música de todos os tipos, por que preciso escolher só uma?

abram alas: quero passar com a minha música, entrópica, viralata, mestiça como eu.

*(o nome deste blog é uma homenagem a ele, que tem uma peça chamada “Avant-dernières pensées, ou penúltimos pensamentos)

tenho uma tia que não vai à praia por causa das varizes, que não quer exibir. A outra tia, morrendo de rir, fala: “na praia do leblon, com aquelas meninas lindas de morrer, vc tem que dar graças a deus se alguém olhar pra sua cara! ainda mais pras suas pernas!” e quá quá quá.

Eu passei a vida brigando com meu peso. sanfona, sanfonérrima, sanfoninha, acho que nunca passei um ano inteiro com o mesmo corpo. estou sempre indo ou vindo. mas hj, gordinha, o sol brilhou depois da chuva no feriadão. e sol, procuro pegar todo dia, pedalando e dando um mergulho-axé no arpoador.

a minha vida não está fácil, mas tb nao está difícil. to inteira, faço o que gosto, tenho boas perspectivas e gente amada em volta. e posso ir à praia, que fica a 3 quadras da minha casa. tá reclamando de quê? da celulite? aham. crianças sendo bombardeadas por aí e vc preocupada com a celulite? herdei aqueles braços gordos da vovó, que odeio fervorosamente. Mas de uns tempos pra cá, dados os fatos da vida, comecei a achar que, independente da aparência, o importante é ter braços. num ímpeto de maturidade e autoestima, resolvo: vou botar uma camiseta, braço de fora, pq quero desfrutar desse sol, me bronzear.  Nuuuuunca usei braços de fora, mas hj vesti minha camisetinha e fui pedalar e pronto! comemorando o dia da consciência, nêga! biquini por baixo, pro santo mergulho no final do percurso, saí de casa me sentindo linda, gostosa, braços de fora, feliz, entre outras coisas, por uma recente conquista de mulher, dessas que te elevam à 20ª potência. subi no meu camelo (gíria do meu tempo pra bicicleta) e fui por aí,  em pleno sol, pista fechada pro feriado passar. gatinhos, adultos, velhinhos, bebês, magrinhos, gordinhos. o rio de janeiro sorrindo para o planeta. e eu.

desfruto de um lindo dia de sol e verão e mar e arpoador. encontro amigos pelo caminho, vou ouvindo músicas lindas, vejo uma roda de capoeira, tiro fotos, vejo o sol se por. mais tarde tenho ensaio. que bom. na volta pra casa, me vejo refletida numa vidraça de portaria.  os braços gordinhos de fora. e feliz, linda e gostosa pra mim mesma.

 

my favourite things

23/12/2011

contemplando a afirmação peremptória e prazerosa de uma menina de 10 anos:

“agora eu já sei qual é o meu segundo queijo favorito!”

falou isso com a felicidade de quem encaixa mais uma peça num grande quebra-cabeça.

todos os meus amigos, homens, mulheres, de  qq idade e orientação sexual reclamam da mesma coisa: ninguém quer se comprometer. nem o encontro mais mágico, nem as sincronicidades, nem as afinidades, nem os carinhos, nada faz a pessoa amada ficar ou voltar em três dias. todo mundo já começa avisando que “no momento não to querendo me amarrar a ninguém”. Mesmo que vc seja a oitava maravilha do mundo. aliás, ninguém quer a oitava maravilha do mundo pra chamar de sua.

uma outra tendência é namoro com mais de duas pessoas, ao mesmo tempo. casais de três, multidisciplinares. dois com ela, duas com ele, um por cima, outro por baixo e vamo que vamo. substitui um, outro fica no banco. todo mundo bissexual. já estou me sentindo duplamente do século passado pq, além de ser, ops, heterossexual , tb sou monogâmica (com o perdão da má palavra). já fui abordada tipo: “e aí, gata, vc faz a três?” e eu: “não”. ele, com desdém: “mas por quêêê???” eu: “é que eu desconcentro”. A outra modalidade de relacionamento é um namoro aberto, onde todo mundo pode fazer biscate, a la vontê, desde o dia 1 da história. A outra novidade é que muitos homens gays, que nunca pegaram mulher na vida, agora estão experimentando pra ver como é. sem corporativismos.

essa obrigação de aproveitar a vida, de se esbaldar.  tanto estímulo, imagem, zoeira, rotatividade, festa, luxúria, sensualidade, permissividade, sinestesia, oferta, drogas, delícias, consumo. a sensação de estar perdendo alguma coisa, ao optar por outra, sugere que o melhor, mesmo, é ficar com tudo. e nem sei se tá certo ou errado. eis a questão

raro e comum*

01/04/2011

não quero ter trabalho pra descobrir preciosidades raras e ocultas. estou cansada. quero abrir a janela e dar de cara com os micos, a amendoeira, a brisa do mar misturada com a dama da noite, e delas me fartar. preciosidades explícitas, dadas a qualquer um. posso até me divertir com delícias raras e finezas, mas escolho me deleitar com aquilo que não custa nada e que jamais se modifica. Terra, água, fogo e ar, sexo, amor, gargalhada, emoção e conversa. E música, né?

*canção de Fred Martins,  que eu gravei no Amor de uns tempos pra cá

o que vc quer?

26/01/2009

 Tenho muita dificuldade em escolher alguma coisa e abrir mão de outra, pq sempre fico naquela de querer saber aonde as coisas que não escolhi foram parar. A voz do coração ajuda como guia nas questões digamos assim, atávicas, mas em outras ocasiões continuo murista, prefiro poder mudar de opiniao, não fechar questão e mudar de time quando me convier. Volúvel, inconstante, gulosa, quero tudo. Luvas e anéis. Detesto o poema Ou isto ou aquilo, pq essa é uma questão da minha vida: não admito a lei da física que diz que duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Vou passar a vida tentando provar o contrário.

Me faz lembrar a Marciá, roomate da minha irmã no apê de Paris, onde morei durante seis meses. A mãe dela sempre dizia pra ela, nas grandes indecisões da vida: “Quem tudo quer, nada quer”.

Até então eu só conhecia o tradicional “Quem tudo quer, tudo perde”. Discordo. Quem tudo quer, ganha mais do que quem quer pouco ou nada.

E tenho dito.

tantas flores, tantos jardins

tantas flores, tantos jardins

Quando a gente acha algo que está procurando, a gente sabe que achou. A mesma coisa acontece com as decisões que a gente tem que tomar. A decisão é uma porta que se abre para um novo corredor cheio de novas portas. Não se pode retroceder.  Não que a decisão do coração seja necessariamente a melhor, é a única. Aqui na minha terra a razão nunca vence, porque preciso conseguir dormir à noite. A voz do coração não me deixa dormir até que eu a obedeça. Ela manda em mim.

Quando o coração bate o martelo, levanta da mesa e encerra a questão, ouço e obedeço, como Sherazade.

the countless days, the endless nights that I have searched...
the countless days, the endless nights that I have searched…

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