claridade

10/12/2011

meu coração está claro. não tenho mais nenhuma preocupação com nada daquilo. tudo se mostra como simplesmente é: a música, a vida, a beleza, as escolhas, os resultados das escolhas. bons resultados. maus resultados. todos bons.

tenho um sonho recorrente, de escadas em espiral, de elevadores pro sem-fim, de vistas de janelas de apartamentos altos, para a paisagem triste dos fundos, das áreas de serviço com roupas penduradas em secadores pensos, e garagens cinzas, e venezianas quebradas, basculantes de vidro crespo, esquadrias de alumínio, ninhos de pombos,  becos e passagens por onde parece impossível penetrar. e eu pra sempre subindo e descendo e achando o poço do elevador e a ultima saída da escada de serviço. pelo porão, pelo telhado, pela emergência. sempre assim, além do limite. me esgueirando, claustrofóbica, rumo à luz e ao ar livre.

de onde estou hoje, sorrindo de mim, aviso aos demônios dos sonhos que não quero mais sonhar com espirais infinitas deceptivas. quero só que me indiquem as boas saídas.

tenho tanta felicidade e conforto que posso, humildemente, simplesmente relaxar e pedir: só mais uma taça de tinto, por favor.

raro e comum*

01/04/2011

não quero ter trabalho pra descobrir preciosidades raras e ocultas. estou cansada. quero abrir a janela e dar de cara com os micos, a amendoeira, a brisa do mar misturada com a dama da noite, e delas me fartar. preciosidades explícitas, dadas a qualquer um. posso até me divertir com delícias raras e finezas, mas escolho me deleitar com aquilo que não custa nada e que jamais se modifica. Terra, água, fogo e ar, sexo, amor, gargalhada, emoção e conversa. E música, né?

*canção de Fred Martins,  que eu gravei no Amor de uns tempos pra cá

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