questão de gosto

16/06/2014

nunca tive um bicho*. amo animais só nos videos do youtube. vejo milhares, platônica.

tenho aflição do olhar transparente dos gatos e jamais recolheria o cocô de um cachorro com saquinho plástico. detesto cheiro de cachorro. e acho um saco qdo vou namorar um cara na casa dele e o cachorro fica do lado da cama ou qdo o gato se esfrega na minha perna.

eu nao gosto de Dali. admiro, entendo a importância. mas nao gosto. adorava qdo era adolescente, mas parei de gostar.

detesto fusca, qq um, de qq época. sempre detestei. nem acho fofo.

gostei de romero britto qdo vi pela primeira vez, a explosão de cores. agora, intoxiquei. mas acho um saco isso de ser proibido gostar dele.

romero britto é o paulo coelho das artes plásticas. mas quem falou que ele faz artes plásticas e q o paulo coelho faz literatura? óbvio que não.

adoro o vinho carmenère daqueles vira-latas do club des sommeliers. acho um néctar dos deuses. custa 17 pila.

não acho bonito mulher grávida. entendo a filosofia da beleza, a vida blá blá, mas acho feíssimo.

intimamente, sempre descredenciei e desconfiei das autoridades. e hoje em dia tem essa coisa insuportável de ter coach pra tudo. ninguém sabe mais fazer nada sozinho: estudar, pesquisar, pensar, malhar, comer, rezar, decidir, viver, administrar carreira, cantar, existir.

amo comer qualquer legume e verdura crus, qualquer um. acho delicioso, de verdade.

preconceito: eu acho que todo gringo tem cecê e não toma banho direito.

adoro feriados, dias enforcados, greves de ônibus, chuvas torrenciais e tudo aquilo que interrompe o mundo.

eu como chocolate todo dia. amargo, beeem amargo. e café, não adoço de jeito nenhum. acho café uma bebida doce.

eu acho o rock um esporte juvenil.

nao sinto a menor culpa de ligar o ar bem gelado toda noite e dormir enroscada num edredon fofo.

*em 2016 comecei a pesquisar sobre como seria ter gatinhos, estudei, li, vi mil tutoriais e em 2017 adotei o Pepê e o Tumtum, que mudaram minha vida pra muito melhor, me humanizaram e encheram a minha casa de alegria e fofura e amor. Nada como mudar! Recomendo! ❤

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verdades

29/07/2013

eu tenho as minhas. vc tem as suas. os outros têm as deles. verdades são como pontes, como passadiços, como atalhos. parecem acenar com um absolutismo reconfortante, com a sensação de que “pronto, chegamos. há um porto”. há nada.

não acredito em verdades e, por isso, me vejo sempre perdida entre os vários lados de cada questão. termino sempre como aquela sem opinião, sem vontade própria, maria-vai-com-as-outras. mas só pq eu acho, sim, que toda opinião vale. opinião e verdade andam juntas, customizadas, adaptadas ao usuário.

queria comprar o caderninho das verdades e emplacar, uma a uma, verdade a verdade, e nunca mais ter dúvida nenhuma, e ir cuidar de outra coisa, bem relax. por hora, nao posso. acredito demais nas inflexões das verdades e elas me ocupam a mente, o corpo, elas definem a minha vida. por elas eu coloco tudo pra jogo. só pela ideia, vaidosa, de verdade.

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