apocalipse now

09/11/2016

Qdo me perguntaram o que eu desejaria como última refeição, no corredor da morte, caso eu alguma vez o visitasse, pensei: peixe frito com cerveja. Robalinho, trilha, sardinha… Peixe frito, pra mim, tem que ser inteirinho e pequeno, passado no fubá, acompanhado de limão cortado na hora. Cerveja tem que estar glacial. Fritura mora na rua, ao lado da cerveja gelada. Delícias que visito e desfruto com respeito, na rua.

Comprei peixe fresco e temperei com limão, pimenta e alho. Era pra assar. Uma amiga veio trocar ideia, sobrou cerveja.

Golpes, Temer, Crivella, Cabral/Pezão. Trump. O mundo acabando, na minha frente.

Salguei o peixe, passei no fubá, e usei azeite, muito azeite de verdade. E fritei peixe em casa, pela primeira vez. E abri a cerveja. E cortei o limão.

Foda-se.

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melancholia

22/06/2012

só consigo pensar naquele planeta do filme Melancholia. como se pensasse, obsessivamente, num homem que tive e que não me sai da cabeça. toda hora a lembrança dele vem me rondar, me seduzir de novo. E as pernas vão bambeando, o chão vai sumindo, a base da espinha fica amortecida, escurece tudo: desejo tão arduamente ver Melancholia azulando toda a minha janela… primeiro, remoto como uma lua, depois, cada vez mais perto, quase fechando o quadro da janela, até que blam! Melancholia, quero sentir sua invasão, quero ir à explosão com vc,  quero que vc detone tudo e não permita que pedra reste sobre pedra. quero acreditar na gente projetada, pulverizada no universo, poeira de estrelas, brilhando em um quaquilhão de partículas sem volta, sem acordar, sem nunca mais ter que ter futuro.

fio da meada

25/04/2011

Minha irmã me ensinou que Flaubert disse: “Tenha cuidado com a tristeza. É um vício.” Depois disso, nunca mais esqueci de driblar os pensamentos que podem acordar tristezas, tirá-las dos esconderijos onde estão, e dar-lhes à luz. A tristeza tem lá seu colorido, seu sabor. É farta e disponível. E vicia. Se a gente puxar o fio da tristeza de dentro da gente, ele apresenta uma a uma,  feito lenços saindo da cartola do mágico, feito bandeirinhas de São João, feito lampadinha de árvore de natal: uma seguidinha da outra.

Tristeza não tem fim. Está sempre lá, cheia de motivos. Tímida e chorosa, num  cantinho, ou doida pra brilhar, dançando em cima do queijo, espaçosa. Uma tristeza convida a outra pra entrar: “fica à vontade, querida, aqui tem espaço para todas nós!” E ela entra,  arma sua barraca e acampa na sala.  Quando uma alegriazinha qualquer bate à porta, elas abrem e dizem: “não tem ninguém em casa”, e blam!

Morro de medo de tristeza, pq quando começa não para mais, e aí ela me invade como o inimigo invade uma cidade, me toma e me ocupa, mesmo os melhores lugares de mim. Sequestrada por ela, refém da tristeza, paralisada, vejo a vida real passando lá longe, imperfeita, mas também cheia das alegrias que pisoteamos, todos os dias, em busca da felicidade.

o medo da tristeza

17/06/2010

No rádio do taxi toca Overjoyed. Estou tão overwhelmed com tantas intempéries, me sinto impotente, inútil e fraca e queria dar um reboot e mudar de fase. Me sinto pior ainda por isso, covarde e imprestável, pq não me sinto capaz de dar conta de tudo o que devo dar conta e nem é tanto assim, perto do que uns e outros aí passam…  Caio no choro no banco de trás enquanto, do lado de fora, o sol volta a brilhar lindamente, esquentando um pouco do clima glacial que acossa o Leblon e meus ossos, um pouco pela tristeza de tudo, um pouco pela temperatura estranhamente gelada. Me sinto aliviada por não ter colocado filhos nessa roubada. Mesmo que a vida seja uma dádiva blá blá

Preciso lembrar de lembrar de saborear tudo com gosto, minuto a minuto, pq tudo passa correndo e o tempo devora e tritura todas as coisas em volta de nós. E a gente tem que ter felicidade simplesmente por ainda ter algumas coisas inteiras. Pq as coisas quebram e pronto. Depois que quebram, adeus.  Não estou preparada para a vida, acho.

Minha amiga, aparentemente navegando pelas mesmas águas que eu, me pede: “me conta uma coisa bem boa? estou com medo da tristeza”. Tb to, querida, morrendo de medo! E contra tristeza, não há guarda-chuva, já disseram. Mas a gente tem uma faixa bônus: música. Música é a nossa melhor vingança.

absolutismo

17/02/2009

é melhor ser alegre que ser triste

the lady in red is me

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