rainha da noite

11/03/2016

levantava, pegava a bolsa e ia. Jobi, Clipper, Guanabara, Real Astoria, Bar Lagoa, Sats, Bofetada, Cervantes, Bracarense, Hipódromo. Ipanemense que sou, meus bares sempre foram por perto. Canceriana que sou, sempre fiz da noite a minha casa, do bar, meu castelo, dos garçons, meus camaradas. em todos os lugares fiz amigos. só chegar, pedir um copo, emendar o papo, começar outro, rir das piadas, contar casos, ouvir confidências. ali e então, sem passado e sem futuro. fechando bares, abrindo madrugadas, inaugurando dias, raiando sóis, voltando pra casa de manhã, sozinha, com um novo amor ou com um velho amigo. um mundo-ilha onde eu e meus amigos morávamos. quantos milhões de pileques homéricos e noites memoráveis e papos incríveis. eu era a dama da noite, cujo perfume se espalhava ao anoitecer, atendia ao chamado da lua e ia.

os bares, uns não existem mais, outros mudaram pra pior ou melhor, outros continuam apenas de pé. assim como os amigos.

e eu sou uma mulher em permanente exercício de equilíbrio entre querer e poder, sempre tendendo a escolher o desejo à necessidade. como uma bailarina aposentada, de vez em quando visto as sapatilhas guardadas e danço, pro espelho, a minha dança-eu. lembro quem sou, que prazer realmente me diverte e rio sozinha, rebelde como no primeiro dia da minha adolescência. quem foi rainha, nunca perde a majestade. e ainda acho que o paraíso é uma mesa de bar, com amigos e uma noite interminável para gente desbravar.

2015-07-03 04.58.37 (2)

rainha da noite

22/06/2010

aposentei o título de rainha da noite, que ostentei por muito tempo, não por virtude. No passado, não havia um boteco onde eu nao tivesse ido, um bolinho que eu não tivesse provado, um chope que eu não tivesse tomado.  Morro de inveja de quem continua. Não pratico como praticava, mas permaneço boêmia de raíz, adoro uma noitada, dou um boi pra não sair de casa e uma boiada pra não voltar. Não tenho o menor medo de andar na rua na madrugada, nem de ver o sol nascer antes de dormir. Depois de experimentar outros aplicativos, faço uma puta força, mas realmente acho que a vida sem boemia é uma chatice de casa e televisão e cineminha e jantar fora e bater papo e cama.  Chata. Me divirto mesmo é com os loucos e circulo super bem nesse meio masculino das noitadas, da bebedeira, sem frescura. Ambiente de poucas mulheres. O que é ótimo. Nada como uma boa noitada na segunda-feira, por exemplo, só com profissionais do ramo.

Há séculos seculorum sou assim e adoro meus amigos boêmios e o clima alegre e difuso da madrugada. Atualmente tento fugir do programa comer e beber como, dizem, o diabo foge da cruz. Mas devo confessar que ainda acho que o melhor programa do mundo é tomar cerveja com amigos, conversando e morrendo de rir a noite toda, comendo coisas deliciosas até o sol nascer, ou além. Já disse que faço a linha última-a-sair, né?

Por essas e outras, este ano me convidaram para ser jurada do concurso Comida di Buteco que julga 31 bares da cidade e premia aquele que tiver o melhor desempenho, puxado pelo petisco que inventaram para o evento. Lá fui eu, experimentar delícias de perto e de longe. Meus votos não revelo, claro, mas recomendo tudo, vejam aqui:


ambos do Aconchego Carioca, que vale que caravanas se desloquem pelo deserto, nem que seja para comer o ultimo bolinho de feijoada da face da terra. Vale, mesmo, juro! Aqui, o Futrica da Roça, filé de porco com banana caramelada e o Cordeirito, ragu de cordeiro com polenta de… Doritos! Delicioso, pode crer!

Aí em cima, a parada é no lindo de morrer Varnhagen, na praça idem, Tijuca. O Bar é demais, completamente botequim roots, com a Dona Maria, a dona da casa, vindo perguntar se tá gostoso. Tava demais, a picanha suína bem temperada e macia com salada de batata. Coisa simples, difícil de fazer.

Aqui a Casquinha à Vila do Chã, de Bacalhau, que tb era uma delícia! Do Bar Urca. Que tem, de  bônus, aquela vista de tirar o fôlego.  Aliás, essa:

sorry, folks

%d blogueiros gostam disto: