dia dos namorados

12/06/2015

Em que país distante andará,

dentre tantos homens brancos pretos amarelos e vermelhos

aquele um que, sob sol e chuva, traz na bagagem a tampa

que fecha a panela vazia que pesa na minha mochila?

Em que barcos cruza oceanos bravios

carregando perto do peito, em devoção,

o breve que envolve meu nome

bordado em pétala de rosa

e, incansável, me busca?

Onde o dono da única alma

que encontrando a minha alma

num átimo,

se reconhecerá como se espelhado fosse?

Ele aposentará as botas gastas de caminho

ele andará descalço, ao meu lado

e eu descansarei meus olhos secos da procura

quando seu olhar molhar o meu

figura e fundo

Quem será o andarilho obstinado

que anda pelo mundo de chinelo velho

atrás deste pé, cansado

de tanto escorregar na pista?

Quem é o homem

que tem deitado em camas e mais camas

sem se queimar nas brasas do amor verdadeiro

e, como eu, tem beijado um mundo de bocas

sem encontrar, em nenhuma delas, o sabor

de laranja pela metade descobrindo a contraparte?

E se desencontrarmos na hora do encontro?

e se eu pegar o ônibus errado?

e se ele se atrasar na hora certa?

e se eu me distrair com a paisagem?

E se ele já tiver passado por mim

e eu, cega, de tanto procurar

tenha deixado ele passar?

Ou terei eu sido a escolhida

para andar por esta terra

para vir a esta vida

sem nunca ser amada, nem amar?

2015-06-07 21.38.20

dia dos namorados

11/06/2012

Naquele tempo, tinha gente que começava a namorar na semana anterior e terminava logo depois, pra não pagar o mico social de não ter com quem passar o tal dia. Outras vezes, a pessoa esperava passar o dia dos namorados pra terminar um longo namoro: “Po, não vou fazer essa sacanagem, né? Deixar o cara sozinho no dia dos namorados”.  Ou então, no meio de uma crise daquelas, todo mundo ficava de altos por um dia, só pra não perder a data. As coisas tinham lá suas bobas importâncias, e a gente ainda nem tinha se ligado que a data é comercial, feita pra vender presente, que papai noel não existe e que nem deus existe. naquele tempo, ainda havia deus. e aqueles sonhos.

compra roupa nova, faz unha, depilação, cabelo. será que seremos felizes como deveríamos, hoje, já que todos os casais brasileiros deveriam comemoram o amor? Será que conseguiremos ser assim tão felizes com data marcada, com fila no restaurante, aquele que tem fondue e luz de velas, ou aquele japonês que tem salinha reservada, para podermos, enfim, entrar na fotografia ou no filme em que se espera estar nesse dia? Amando, sendo amados, lindos, felizes, sorridentes. E depois desse momento romântico em que a gente troca presentes, em que ele terá adorado o que eu dei e eu terei adorado o que ele deu, nos  beijamos longamente e fazemos um brinde, olho no olho. Pode ser que a gente peça uma garrafa de espumante, ou de sakê, coisas que a gente não faz normalmente. Mas hj a gente tem que ser feliz a qq custo, então, brindemos.

Esquece tudo, amor, hj é o nosso dia, dia de comemorar a felicidade de não fazermos parte do bloco do eu sozinho. Depois,  ainda temos que ir pro motel e tem que ser uma noite inesquecível. mesmo que vc esteja cansado, q eu tenha que acordar cedo amanhã, mesmo que eu e vc nem estejamos assim, nesse momento exatamente sexy. Mas vamos fazer parte desse filme logo e encarar a fila do motel mais barato, pq esse super caro nao dá pra gente. Ficamos no carro, esperando vagar uma garagem e lá vamos nós pro test drive do amor. a felicidade nunca foi tão estressante.

 

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