sétimo dia

19/02/2016

o filho, que nunca foi de sorrir muito, agora sorri amarelo para todos que chegam e oferecem os braços abertos para o acolhimento. a filha, que sempre sorri, chora toda vez que alguém chega perto. a viuva mantém um sorriso de monalisa, o olhar um pouco parado, enquanto os parentes chegam trazendo um bolo ou um docinho ou um biscoito ou algo pra comer no lanche. a atmosfera é de uma festa estranha, onde as pessoas queriam estar todas chorando, mas se alternam entre contar histórias sobre o morto e a rir muito alto, talvez pra espantar a dor, talvez pra que todos lembrem que a vida continua apesar da morte. não é ruim, é uma forma de todos saberem que sim, vai continuar tudo igual, mesmo quando for a nossa vez, nenhum sol vai deixar de brilhar. vamos nos misturar à paisagem e tudo, tudo vai continuar perfeitamente como é. aproveitemos, pois, enquanto o sol ainda está brilhando para nós, todos os dias, retumbantemente lindo. um brinde à vida!
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sonho

19/08/2011

 cânhamo egípcio, 500 fios, brancos  lencóis,

noites inquietas, claras de lua, quentes demais

cortinas paradas, varandas abertas

o tecoteco do ventilador

 mosquiteiro de voile

 durmabem, espirais de fumaça

ruas desertas e casas abertas

praias de areia bem branca e azuis

mãos, as tuas, em mim

sonhos, perdidos, os meus,

e sol

 

 

 

 

 

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