onze horas

01/04/2017

queria uma planta que desse flor e aguentasse a quantidade de sol que bate aqui em casa. Muuuuito sol. Minha mãe me deu um vaso de Onze horas, que amou o parapeito da janela e, nesse verão tórrido que passou, deu flores todos os dias debaixo do sol escorchante, sem nenhum sinal de cansaço. Ao contrário, ficou plena, linda, farta.

A Onze horas abre as flores no sol à pino e vai fechando as flores com o cair do sol. Mesmo em pleno verão, estão fechadinhas lá pelas três, quatro da tarde.

Acontece que eu sou um flor noturna. Durmo quando amanhece. De um tempo pra cá, to vendo as flores da Onze horas abertas até cada vez mais tarde. Hoje elas estavam abertas, ainda, às 19h30. E nem é mais verão…

Se não for nada disso, não me desiluda, já to tão desiludida.. Quero acreditar que as flores e eu sintonizamos nossos relógios. E que aqui em casa é possível florir a qualquer hora

sétimo dia

19/02/2016

o filho, que nunca foi de sorrir muito, agora sorri amarelo para todos que chegam e oferecem os braços abertos para o acolhimento. a filha, que sempre sorri, chora toda vez que alguém chega perto. a viuva mantém um sorriso de monalisa, o olhar um pouco parado, enquanto os parentes chegam trazendo um bolo ou um docinho ou um biscoito ou algo pra comer no lanche. a atmosfera é de uma festa estranha, onde as pessoas queriam estar todas chorando, mas se alternam entre contar histórias sobre o morto e a rir muito alto, talvez pra espantar a dor, talvez pra que todos lembrem que a vida continua apesar da morte. não é ruim, é uma forma de todos saberem que sim, vai continuar tudo igual, mesmo quando for a nossa vez, nenhum sol vai deixar de brilhar. vamos nos misturar à paisagem e tudo, tudo vai continuar perfeitamente como é. aproveitemos, pois, enquanto o sol ainda está brilhando para nós, todos os dias, retumbantemente lindo. um brinde à vida!
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sonho

19/08/2011

 cânhamo egípcio, 500 fios, brancos  lencóis,

noites inquietas, claras de lua, quentes demais

cortinas paradas, varandas abertas

o tecoteco do ventilador

 mosquiteiro de voile

 durmabem, espirais de fumaça

ruas desertas e casas abertas

praias de areia bem branca e azuis

mãos, as tuas, em mim

sonhos, perdidos, os meus,

e sol

 

 

 

 

 

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