onze horas

01/04/2017

queria uma planta que desse flor e aguentasse a quantidade de sol que bate aqui em casa. Muuuuito sol. Minha mãe me deu um vaso de Onze horas, que amou o parapeito da janela e, nesse verão tórrido que passou, deu flores todos os dias debaixo do sol escorchante, sem nenhum sinal de cansaço. Ao contrário, ficou plena, linda, farta.

A Onze horas abre as flores no sol à pino e vai fechando as flores com o cair do sol. Mesmo em pleno verão, estão fechadinhas lá pelas três, quatro da tarde.

Acontece que eu sou um flor noturna. Durmo quando amanhece. De um tempo pra cá, to vendo as flores da Onze horas abertas até cada vez mais tarde. Hoje elas estavam abertas, ainda, às 19h30. E nem é mais verão…

Se não for nada disso, não me desiluda, já to tão desiludida.. Quero acreditar que as flores e eu sintonizamos nossos relógios. E que aqui em casa é possível florir a qualquer hora

rainha da noite

11/03/2016

levantava, pegava a bolsa e ia. Jobi, Clipper, Guanabara, Real Astoria, Bar Lagoa, Sats, Bofetada, Cervantes, Bracarense, Hipódromo. Ipanemense que sou, meus bares sempre foram por perto. Canceriana que sou, sempre fiz da noite a minha casa, do bar, meu castelo, dos garçons, meus camaradas. em todos os lugares fiz amigos. só chegar, pedir um copo, emendar o papo, começar outro, rir das piadas, contar casos, ouvir confidências. ali e então, sem passado e sem futuro. fechando bares, abrindo madrugadas, inaugurando dias, raiando sóis, voltando pra casa de manhã, sozinha, com um novo amor ou com um velho amigo. um mundo-ilha onde eu e meus amigos morávamos. quantos milhões de pileques homéricos e noites memoráveis e papos incríveis. eu era a dama da noite, cujo perfume se espalhava ao anoitecer, atendia ao chamado da lua e ia.

os bares, uns não existem mais, outros mudaram pra pior ou melhor, outros continuam apenas de pé. assim como os amigos.

e eu sou uma mulher em permanente exercício de equilíbrio entre querer e poder, sempre tendendo a escolher o desejo à necessidade. como uma bailarina aposentada, de vez em quando visto as sapatilhas guardadas e danço, pro espelho, a minha dança-eu. lembro quem sou, que prazer realmente me diverte e rio sozinha, rebelde como no primeiro dia da minha adolescência. quem foi rainha, nunca perde a majestade. e ainda acho que o paraíso é uma mesa de bar, com amigos e uma noite interminável para gente desbravar.

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criatura da noite

26/11/2009

essa coisa de gostar de dormir de dia, todo dia, há milhares de dias, me impede de dormir de janelas abertas. Porque a luz que entra pela janela e pelas frestas das pálpebras, vcs sabem, não permite dormir em paz. gosto de dormir no escuro, oito horas bem seguidinhas. mas não posso negar que o perfume da dama da noite do vizinho, misturada com maresia, entram agora perfumando tudo e vão me levar pra cama, precocemente. São menos de 3 da manhã. por outro lado, se eu estiver dormindo, como vou apreciar a poesia muda e cheirosa da noite? o sol dorme tarde no verão…

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