branca

25/09/2012

no fim de semana participei de uma oficina de jongo, pra quem não sabe, manifestação cultural afro-brasileira, herança dos negros bantus, que mistura batuque, dança, música e magia. Aqui um video emocionante sobre o assunto. Esse vídeo é cheio de depoimentos de familiares de escravos, sobre a forma como os africanos foram tratados quando chegaram, adultos e crianças vendidos separadamente. Pais e filhos desesperados, separados para sempre, doentes ou sãos, jogados num fundo de senzala qualquer, trabalhando e apanhando sem saber pra quem, por que e pra quê. E mesmo assim, driblaram o senhorio, fizeram  música e magia, construíram tambores, inventaram batuques e dançaram. Há 120 anos, ainda havia escravos no Brasil. Apenas 120 anos. Ontem.

Não que eu não soubesse disso, mas aqueles depoimentos entraram pelos sete buracos da minha cabeça me deixando envergonhada, calada, bolada e me saíram pelos olhos. Embora eu aprenda qq dança com facilidade, na hora de aprender os passos do jongo me senti uma gringa inferior, uma nórdica desajeitada, tentando, ridiculamente, sambar.  Me senti branca, imperdoavelmente branca.

 

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