meu laiaraiá

11/05/2011

estou no meio de um ensaio quando a introdução de uma música me catapulta para a inspiração. A idéia cai dentro de mim como moedas tilintando no caça-níqueis. Como de costume, cutuco imagens, paralelamente a tudo o que estiver fazendo e, assim que posso, escrevo até que o texto ache a tradução exata, nem mais, nem menos, para o feeling da inspiração. Com música é a mesma coisa. Um incômodo peculiar. Tento reter a sensação, depurá-la até que ela vire palavra ou música.

Dentro de mim, passeio tão somente pelo que me motivou e seu efeito: a música, a onda que me cobriu, a sensação que ela me deu, as lembranças que ela despejou no meu colo em pleno ensaio. Ele. Saudades dele. Daquele ele. Daquela eu.

Mas o dia foi profissional, um monte de atribuições para dar conta. Véspera de shows diferentes, foco,  concentração, objetivo. Vida de cantora. Chego do ensaio, pinto o cabelo e faço mechas enroladas no papel laminado, seráquevaidarcerto?

No tempo de pausa, faço o que tem na geladeira, cogumelos e legumes, salteados, enquanto ouço músicas que preciso aprender. Quando toca o alarme lavo o cabelo, faço hidratação e escova. Faço rolinhos pra manter o cabelo, já que, amanhã, tenho partituras pra arrumar e pastas dos músicos pra fazer, e isso leva tempo. Tb tem unha pra fazer. Os esmaltes nao duram mais que dois dias, é isso? Vermelho, então… Vou pintar de vermelho-cantora. Já cantei muitas vezes lá, mas não tenho intimidade com o Rio Scenarium. Tem também o repertório dos outros shows pra decidir.

O cabelo ficou lindo, a comida maravilhosa, o repertório parece bom. Mas quando sentei pra escrever, aquela inspiração – estranho – me pareceu passada, passado. O que era mesmo que eu ia dizer? Perdi o timming, o mote, a onda baixou, a  saudade passou.  Já não era sem tempo.

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3 Respostas to “meu laiaraiá”

  1. soraya said

    taí, a obssolescência acontece num piscar de olhos. falávamos de sentir sem pensar… o obsoleto, mais do que a paixão, talvez seja um belo exemplo dessa vaga possibilidade. a gente não entende: quando vê, já é. ou melhor: era!

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  2. pedro said

    caminhos misteriosos os da inspiração, esses caminhos que, fazendo esquecer a ideia original, a fizeram escrever esse texto magnífico…

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  3. pedro, isso me fez lembrar daquelas sessões de análise em que a gente entra jurando que vai falar sobre uma coisa e acaba falando de outra nada a ver com a primeira. o inconsciente, esse danado!

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