*originalmente escrito por ocasião do aniversário de um amigo, mas que serve, tipo assim, de mensagem de fim de ano.

Faz tanto tempo que nos conhecemos, que nem sei mais se foi nas carruagens, quando éramos reis, ou nas caravanas quando, ciganos, paramos pra acender o fogo, tocar e dançar.

Será que foi nas galés, prisioneiros sem futuro, ou singrando mares, piratas em busca de ouro? Ou quando fomos portugueses no ultramar, índios flechando o invasor, cangaceiros saqueando tudo? Será que foi quando éramos flores?

Pode ter sido nos navios negreiros em que viemos da África ou nas colheitas dos campos de algodão. No Paleolítico inferior, na Lemúria, em Atlântida ou numa esquina dos Jardins do Éden. Ou teria sido nas longas cavalgadas, quando vivíamos nômades nos desertos de sal, nas arábias, nas ásias maiores e menores, nas terras dos pigmeus? Pode ter sido numa daquelas naves que a gente pegou pra mudar de planeta. Numa casa de ópio na Indochina. Ou numa noite dessas, a alma passeando, quem sabe seu cordão de prata enroscou no meu? Quem é que vai saber dizer o dia em que nos descobrimos?

Quantos pães multiplicamos, quantos copos dividimos, quantos cachimbos fumamos em nome da paz? O quanto aprendemos, o que perdemos, contra o que lutamos, o que almejamos nesse nosso longo caminho? Pouco choro, muita risada. E música.

À nossa frente, se oferecendo pra nós, temos tudo o que ainda não vivemos. Bora celebrar! Hoje a festa é no nosso quintal.

sorria, você está aqui!

Sorria, vc está aqui!

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