anonimato

29/08/2013

a melhor coisa de estar num lugar onde ninguém conhece a gente é ver que, tudo aquilo que a gente acha que é, nossos predicados, nossa identificação, nossos títulos, tudo o que nos descreve no lugar onde vivemos, vira nada, serve pra nada, zera. na multidão anônima somos mais um ninguém, mais uma foto num porta-retrato, um nome e uma história, como tantos outros, como todos os outros.

tudo de bom

16/05/2013

Eu quero que você, que nunca foi a Paris, ganhe uma viagem de presente, e tenha dias de filme. Que você conclua seu projeto. Que você sinta amor, paixão e tesão e seja correspondido. Espero que aquele seu plano secreto se concretize. Que tudo funcione da melhor forma possível pra você. Tomara que você seja o melhor filho para os seus pais, e o melhor pai para seus filhos. Que os vizinhos lhe queiram bem, que a vida lhe trate com elegância e que você tenha um bom amigo, ou mais que um. E que vc seja bem surpreendido alguma vez. Torço pra que o trabalho que vc faz seja apreciado à altura da sua dedicação e do seu merecimento. Torço pra que seu companheiro realmente te acompanhe, te respeite e te ame. Desejo que todos os dias da sua vida sejam de paz. E que a alegria seja a sua visita mais frequente. Se a tristeza pensar em chegar, que seja leve. Sombra, água fresca, música, dias ensolarados, chuva prazenteira, longas noites de amor e riso. Te desejo vida com uma pitada de sal, um pouco de açúcar, e uma pimentinha. Boa comida, bebida e juízo, só o quanto baste. Que a temperatura seja amena e a maré, mansa. Que as tempestades lhe sejam suaves, mas se forem fortes, que sejam breves. Desejo tudo de bom pra você.

dia de luz festa de sol e o barquinho a navegar no macio azul do mar. tudo é verão, o amor se faz, num barquinho coração que desliza na canção

fumo

06/03/2012

Preciso ler um poema arrebatador, preciso ouvir uma música que me penetre a alma, preciso ver um filme que me faça chorar muito. Preciso ajudar crianças em risco social, preciso dar atenção à minha família, preciso consertar o piso do meu apartamento e o pedal de sustain do piano. Preciso urgentemente ouvir os CDs que comprei e nunca, os livros que se amontoam na minha cabeceira e nada, os amigos que não vejo, a paz que nunca encontro.

Ontem ele passou o dia, a noite e a madrugada comigo, me vendo trabalhar, jogando beijos de longe. Me beijou na boca, na frente de todo mundo e disse: “vamos ter um filho, vamos logo? Imagina os cílios…”, ele disse, piscando aqueles olhos cinza-azeitona, com kajal de nascença, as pestanas espessas e longas, coisa mais linda que eu já vi. Pisquei os meus, porque também nasci de rímel: “Vamos, vamos sim!” “E se for menina, ele disse? Tem um nome?” “Cecília, Clarissa, um monte”, eu disse. “E menino?” “Menino quero o nome do meu pai”, romantizei. “Tá ótimo”, ele disse. Era a primeira vez que nos beijávamos. Era a primeira vez que nos beijávamos.

“Vamos ensaiar”, eu disse, “antes de ter um filho vamos ensaiar?”. “Sim, vamos marcar uns ensaios”, ele falou, como se a gente estivesse armando de montar uma banda nova. “Mas filho, só tenho com marido”, eu disse. “Então, vamos casar”, ele disse.

Palavras saem da boca como se escapulissem de dentro por vontade própria, vazias de sentido caem no chão, misturam-se ao som alto do bar, sobem à cabeça com vodca e lima da pérsia. Feito fumaça, rarefeitas, volatilizam e caem no esquecimento um minuto depois

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viajandona

15/07/2010

uma vez meu namorado brigou comigo pq eu disse que a minha viagem dos sonhos era num carro com tração nas 4 rodas, sem data pra voltar, saindo do Rio em direção a Juazeiro do Norte, cheia de CDs e mapas e provisões, parando em todos os lugares que me dessem curiosidade de conhecer e provar… sozinha. Ele ficou arrasado por não estar incluído nem no banco do carona dos meus sonhos. Ooops, I did it again!

Me habituei a fazer as coisas de que gosto sozinha, pq acho dificilimo coordenar desejos. Em viagem, então… Sempre tão pouco tempo e dinheiro para usufruir dessa fantasia pessoal e intransferível que é viajar. Amo demais viajar, mas depois de ter morado em Londres e Paris (como diz a minha irmã: não tem como dizer isso sem parecer esnobe…) e ter tido a sorte de conhecer algumas grandes e pequenas cidades do mundo, não tenho mais vontade de ir a nenhuma cidade grande. Adoro passar por cidades pequenas, do interior, estradas de terra, sabores exclusivos, assinaturas super individuais.

O campo da Inglaterra, por exemplo, é um amor que guardo com uma pitada de esperança de revival. Estive num lugar de que jamais me esquecerei, Polperro, uma linda vila de pescadores na Cornuália, falésias sobre piscinas naturais que abrigavam pepinos do mar e bichos estranhos. Estive em Devon, uma paixão de countryside, um rio passando na porta de casa, muito frio, lareira, chocolate quente, raposas prateadas e carneiros de chifres em cornucópia retorcida.  Tive lindas vidas passadas, quem sabe do futuro?

Atualmente, meu maior sonho de viagem é cair na estrada com o tal carro 4 X 4 pela Linha Verde, que liga Salvador a Aracaju, com direito a visitar o sertão onde Lampião e Maria Bonita viveram. Quilômetros de praias brancas e  desertas e mar quase sem ondas, peixe frito, água de coco e rede pra deitar ao entardecer. Essa é a viagem que realmente desejo fazer, sobre todas as outras, sobre a Provence, sobre a Toscana, sobre a Grécia, sobre a Andaluzia. Uma fantasia de  Tieta do Agreste, me esvoaçando pelas dunas de Mangue Seco. Um sonho brasileiro, rendado,  entradas e bandeiras…

Qdo eu ainda não conhecia Nova York grudei, com imã, um mapa da cidade na porta da minha geladeira. Loucamente, uns dias depois, recebi um convite pra ir pra lá passear. Con-vi-te! Santa Geladeira! Hoje mesmo vou recortar uma foto do carro com tração nas 4, achar um mapa da Linha Verde, grudar tudo com imã na porta da bendita,  e pedir pra Nossa Senhora da Geladeira me ajudar.

as cores do algarve, no ultramar
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