claridade

10/12/2011

meu coração está claro. não tenho mais nenhuma preocupação com nada daquilo. tudo se mostra como simplesmente é: a música, a vida, a beleza, as escolhas, os resultados das escolhas. bons resultados. maus resultados. todos bons.

tenho um sonho recorrente, de escadas em espiral, de elevadores pro sem-fim, de vistas de janelas de apartamentos altos, para a paisagem triste dos fundos, das áreas de serviço com roupas penduradas em secadores pensos, e garagens cinzas, e venezianas quebradas, basculantes de vidro crespo, esquadrias de alumínio, ninhos de pombos,  becos e passagens por onde parece impossível penetrar. e eu pra sempre subindo e descendo e achando o poço do elevador e a ultima saída da escada de serviço. pelo porão, pelo telhado, pela emergência. sempre assim, além do limite. me esgueirando, claustrofóbica, rumo à luz e ao ar livre.

de onde estou hoje, sorrindo de mim, aviso aos demônios dos sonhos que não quero mais sonhar com espirais infinitas deceptivas. quero só que me indiquem as boas saídas.

tenho tanta felicidade e conforto que posso, humildemente, simplesmente relaxar e pedir: só mais uma taça de tinto, por favor.

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