que los hay…

09/05/2012

ela tropeça numa lâmpada, dessas que têm gênio dentro,  e nem vê. tá tão ocupada com a vida, tão assim, sem acreditar em magia, que atropela aquela lâmpada que luzia no meio da rua, meio dia, do nada. lâmpada é o catzu, to com pressa. Sem querer, libertou o gênio.

o gênio, que habita a lâmpada, indignado pelo desprezo, vai atrás dela: “fia, tu tem noção do perigo? to aqui há 10 mil anos, preso nessa garrafinha, esperando o dia em que um pobre mortal desesperado me encontre e me liberte, achando que esse é o dia mais feliz da vida dele, e tu me despreza, assim, passa por cima, nem olha pra trás? isso não tá certo, não! tenho obrigação histórica de servir a quem me acha, sou seu escravo, mesmo sem querer.”

“dá um tempo, gasparzinho, que eu to toda bookada. e tb não acredito em nada disso. o que vc quer? dinheiro não tenho, nem parentes importantes, minha carreira é um fracasso, minha conta bancária está no vermelho há 22 anos e eu não tenho onde cair morta e nem pra onde ir. vaza!”

“vc não tá entendendo, to aqui pra isso, pra resolver sua vida! pede aí, pede qq coisa. o que vc quer? tudo pra já! pede! peeede!”

“sai fora, pluft, me amarrota que eu to passada, e qdo eu me espalho ninguém me junta!”

“pede, faz um pedido, um sonho impossível qq, é só falar, só falar uma palavra! fala, patroa! que que te custa?” o gênio falava, desesperado, enqto corria atrás dela, que nem tchum pro assunto. “…patroinha, é dinheiro, amor, fama, sucesso, casa, saúde, viagem, marido, palácio, jardim, navio, avião?…. fala só a palavra, só pra me testar, me deixa te provar que eu sou seu escrav0 e vc é minha dona, que seu desejo é uma ordem, me libera aí!”

‘”que mané escravo?! E eu não tenho desejos, não tenho tempo pra sonhar, nem acredito em gênios. fá-fé-fi-fó-fui, partiu feroz!”

E assim, ela foi correr atrás das coisas da vida, e o gênio ficou pê da vida, esperando, mais 10 mil anos, por alguém que ainda acredite em magia.

No dia seguinte, qdo parou pra atravessar uma rua, entre um não e outro, ela lembrou do episódio e riu sozinha: “gênio, ahahahah, quem dera…”

sorte

28/01/2011

não tenho sorte no jogo.  não ganho nada. sou das pessoas mais mal remuneradas que conheço.

nem no amor. minha vida amorosa é um fracasso retumbante e milenar.

ah, sei, o importante é ter saúde

 

minha irmã

22/04/2009

Se não fosse pela minha irmã, eu não teria ouvido falar no violinista que escuto agora, o belga Arthur Grumiaux. Não teria ganhado o CD do Concerto de Ravel em Gm e outro do Satie. Também nunca teria morado em Paris e provado os éclairs perfeitos do  Lenôtre. Não teria ouvido falar de claro-escuro. Não teria lido Freud, nem Hermann Hesse. Nem Monteiro Lobato. Mas também não teria sido obrigada a brincar de “maninha” e de “korak”, isso teria sido bom. Sem ela seria impossível fazer aquele número de botinha de verniz molhado vermelho e mini-mini 😉 ou de pijama de calhambeque.

Se não fosse por ela eu não teria estudado canto e não teria feito análise quando precisei. E não teria tido roadie nos shows, carona pros músicos, carro para a produção. Sem falar em grana. Se não fosse pela minha irmã,  eu não teria lido um terço dos livros que li, visto um terço dos filmes que vi e nem escutado ELP, Genesis e Cat Stevens. Nem teria, aos 22 anos, corrido pra chegar a tempo de ver o Pavarotti em La Bohème, na Ópera de Paris. Não teria sido chamada na xinxa, muitas vezes. Nem saberia que detesto lieds e Kurt Weill e Brecht. E nem acharia super normal uma pessoa viajar, falar idiomas, querer melhorar, ganhar o mundo, sem esnobismo, sem afetação. Ela me ensinou a achar legal ter cultura e inteligência.  Talvez eu nem conhecesse Cole Porter. Se não fosse por ela eu não estaria indo ao homeopata bruxo que eu amo. Com ela dou as maiores gargalhadas da vida, e ligo pra comentar uns comentários que só com ela, mesmo.

Last, but not least, se não fosse pela minha irmã eu não teria a minha sobrinha. E ela ainda diz que sou eu que animo a vida dela…

da cor do pecado

03/12/2008

ao pé do ouvido, no samba: “tua sorte é que deus não te fez preta. se tu fosse preta, tu era o diabo”

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