to aqui pra isso, mesmo. pra me apropriar do que tá sobre a terra, minha casa. pra me apropriar da cultura de outros povos, meus irmãos. compartilhar, repartir, somar, dividir, imitar, ser imitada, copiar e ser copiada. se eu quiser usar turbante, eu uso. se eu quiser falar tupi-guarani, eu falo. se eu quiser cantar jazz, eu canto.

existe esse movimento que diz que um ocidental não deve aprender japonês, que mulheres brancas não devem usar turbantes, que gordos não podem falar de magros, que homens não podem falar de mulheres e assim por diante, na maior pregação popular de segregação e alijamento sócio-cultural.

todo o saber humano, toda catalogação da cultura, todo estudo, toda literatura, toda bibliografia pra nada. seculum seculorum de transmissão oral de cultura, de escribas, de monges, de iluminuras, de penas e nanquim, de escolas peripatéticas, de seminários, de  renascimento. aulas, sábios, mestres, mentores, doutores honoris causa, bibliotecas, universidades. nada. todo saber acumulado pela humanidade em sua aventura neste planeta, nesta forma de vida, sobre esta terra, confinado, escondido, trancafiado no seu lugar de origem. depois reclamam de censura, de estado religioso, de ditadura, de fundamentalismo. um mundo que cerceia a apropriação cultural é um mundo que cultiva a ignorância, as fronteiras entre os povos, as guerras de poder.

dá licença, rezo pro deus que eu quiser, na língua que eu bem entender. é tudo meu. e nada me pertence.

tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior, com todo mundo podendo brilhar num cântico

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