English Lavender

08/03/2016

vc era alto. e eu gostava de andar pelas ruas de Laranjeiras pendurada em vc, na ponta dos pés, escalando seu braço, até quase alcançar seu pescoço, onde morava aquele perfume, que um dia, bem depois da felicidade, procurei na prateleira da drogaria. era tanta saudade que entrei na farmácia, junkie em privação, peguei o frasco de colônia e cheirei. uma cafungada certeira que bateu no fundo. depois botei de volta o vidro fechadinho e fui embora com o os pulsos encharcados de perfume, e fui cheirando e chorando pela rua. roubei o cheiro da lavanda, mas seu cheiro, aquela nota de fundo que era só sua, não estava lá. eu tinha orgulho de exibir pro mundo que vc era meu, que éramos tão estupidamente felizes, e que nem adiantava comparar, porque nenhum humano jamais saberia o que era aquilo que a gente tinha. nosso amor, nossa cumplidade. Era English Lavender, o cheiro. 

2014-08-31 16.20.18-1

saudades

14/09/2015

quando eu comecei a cantar, havia a tal da “fita demo”, de demonstração. Era com essa fita que a gente vendia shows e divulgava o trabalho. Rolava até arte pras capinhas das fitas k7, pra dar um jeito de sobressair naquela pilha de fitas que os programadores de casas de shows e rádio e TV recebiam.

gravar um disco era uma coisa dificílima, pois não havia soluções caseiras tão acessíveis e eficientes antes dos PCs. Logo depois, vieram as soluções digitais como o dat, adat, md até chegarem os computadores. e o resto da história vcs sabem onde deu.

na minha primeira fita demo, gravei Serrado, do Djavan. Cismei que tinha que pedir licença pra ele, pq eu nao entendia bem como funcionava a coisa de liberação de direitos e, um pouco pela ansiedade juvenil e um pouco pela paixão, liguei pro escritório dele e deixei recado.

numa manhã, minha mãe vem me acordar: “Andréa, acorda, é o Djavan no telefone!” E eu: ãhn? Djavan? Tá louca?” Acontece que eu tinha um amigo, o Rostand, que sabia do meu amor pelo Djavan e adorava brincar com isso. Numa viagem de fim de semana, quando fui lavar o rosto ao acordar, dei de cara com uma fotona do Djavan, pregada no espelho com um mega “Bom dia, Déia!”, cheio de coraçõezinhos…

Atendi o telefone rindo: “Fala, Rost! kkkk” E ouço de lá:
“Oi, Andrea, aqui é o Djavan, vc me ligou?” A voz de meu-bem-querer não deixou dúvidas. Era ele! Gravei a demo, encantada e feliz.

Ontem fui cantar num show com músicas do Djavan, e passei o dia chorosa, com saudades do Rost, que nos deixou cedo demais. E aí, também lembrei que o a única música do Djavan que gravei, em disco, foi A ilha, por sugestão de outro amigo, o Sylvio de Oliveira, que também nos deixou há um ano, exatamente. Estou morta de saudades dos dois nessa segunda chuvosa.

Aqui vai então uma homenagem a esses três homens que amo demais, Djavan, Rostand e Sylvio. Com mil obrigadas por todo amor e música que me provocaram.

 

chuva de verão

10/01/2012

penso em vc chegando, na sua casa, no começo da noite, meio bêbado, num dia de semana qualquer, abrindo a ultima cerveja da geladeira e ligando a TV. vc dorme cedo, não é um homem da noite, não é de sair pra farra. sinto sua falta batendo papo na cozinha. no fim do dia, vc me liga. quando vc liga a TV, um pouco antes de dormir, vc pensa em mim, nos nossos dias de amor e paz. sente falta de uma mulher do seu lado, vc disse, pra coçar as suas costas, pra beijar sua boca, pra te fazer cafuné, pra deitar com vc. sente falta da parceria, das risadas, da conversa, do chamego. no meio da noite, te mando um torpedo, sinto sua falta na cama. vc responde cheio de saudades. tem história que é, praticamente, um trailler: só os melhores momentos, sem importar o fim.

Rio-Santos

06/12/2008

fluxo borbulhante que não pára de correr nem pra descansar, nem pra dormir. calor que sai da pele pelos poros. vapor dentro de mim, maresias. da janela da van vejo pessoas a cavalo, carros velhos, casas feias, bicicletas levando crianças na escola, cachorros de rua, cidades pequenas, uma após a outra, passando pela estrada ao longo de nós, pessoas comuns. passam montanhas verdes, praias douradas, mares azuis, estradas de asfalto, rodas de samba, baixo Leblon. passa tudo e não passa vc. 

Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone

Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone

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