rainha do mar

30/12/2010

depois de suar com os pés na areia, medito com os pés no mar. a praia é a minha mais silenciosa e ruidosa casa, onde manda a água, mãe da natureza. Faço o ciclo das minhas águas, chorando pra iemanjá me conceder as graças que tanto desejo, chorando pra agradecer, chorando pra descansar. As ondas batem nas minhas pernas ao som do mar e à luz do céu profundo. Os ultimos raios fosforescentes de 2010 douram o mar do Leblon e as infinitas favelas da cidade, qual árvores de natal pra sempre incrustradas nas encostas.

me dou conta de que  tudo é uma bobagem pq o mar está ali, do mesmo jeito, há milênios, e nem te ligo pra essa coisa de datas, de sucesso ou de fracasso. A areia também nao sabe de nada, está lá, areiando desde o fiat lux. Os verdadeiros inocentes do Leblon. Mesmo assim aproveito a oportunidade de zerar o contador e, motivada pelo espírito coletivo de renovação, peço a Iemanjá que seja possível ressignificar o que se esgotou, e que a vida re-exploda em mim, nos múltiplos e sucessivos réveillons de cada dia, que o tal universo de possibilidades seja para todos e que os famintos de todas as fomes tenham do que se alimentar.

Peço que eu mesma saiba ser bastante grata e feliz, que eu perceba o tamanho da minha riqueza, que eu reconheça meu próprio sucesso, que eu me ame, que eu valorize minha existência, que eu me sacie com o que a vida me alimenta e saiba honrar o assento efêmero que recebi nessa carruagem de fogo, a cada momento, num mundo que, para sobreviver, zera a si mesmo, se regenera e reinventa o tempo todo (Why then, oh, why can’t I?). O universo está em  explosão permanente, bombando há anos-luz, explodindo supernovas e cavando buracos negros onde tudo é força, tudo é energia. E nós, grãos infinitesimais, tendendo a poeira cósmica, somos feitos dessa mesma matéria explosiva. Nem por isso deixa de ser bonito a gente achar que é importante.

Feliz ano novo

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