Pelo telefone, João me conta que leu o livro Wicked*: The Life and Times of the Wicked Witch of the West, de Gregory Maguire, que conta a história pregressa da Bruxa Malvada do Oeste, aquela bruxa verde d’O Mágico de Oz. A história rola antes de ela virar bruxa, pré-Oz. Antes de se tornar aquela figura abjeta, ela era uma moça normal, que foi rejeitada por todo mundo, desde sempre, por ter nascido verde. E por isso, por essa rejeição à sua particularidade, ela se tornou bruxa.

Caio aos prantos, ao telefone, com essa frase: “rejeitada por ter nascido verde”, e morro de pena da Bruxa Malvada do Oeste, como se finalmente eu tivesse entendido um velho sentimento meu: eu sei o que é ter nascido verde, eu sou uma bruxa malvada do oeste! Passei as maiores e mais solitárias infelicidades por ser verde. Passei as maiores frustrações tentando ser de outra cor. Assim como muitas pessoas e suas nuances de cores, absolutamente pessoais. Todos nós somos uma cor nesse arco-íris que é o mundo real, este que habitamos, com suas true colours.

“I have a dream”, disse Martin Luther King, sonhando com o dia em que brancos e negros sentarão, realmente, à mesma mesa. Eu também tenho um sonho colorido: que as pessoas nunca mais sejam rejeitadas e precisem virar bruxas por terem nascido brancas, negras, amarelas, azuis, vermelhas ou verdes.

oi, amiga

oi, amiga

* sim, virou musical.

2013-10-20 20.33.17green

oi

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