Quero alguém que me pegue aqui

pra ver a lua cheia de outono

Alguém que me ligue pra dizer: saudade, nêga, vem cá.

Mas não dou sorte no amor

Tenho essa mania de rua,

não temo os becos, bebo com putas

cato cacos transeuntes,

e com eles teço os dias e poesia bruta

dou um tapa com a traveca e trago gengibre e breja

dentro de mim mora uma moça toda de cor de rosa

Alguém que me ligue sexta reservando o sábado

Que me chame pra pegar um cineminha, as mãos dadas

Mas dou azar com as paixões desavessadas

que começam pelo fim e terminam de manhã

antes que eu sequer tenha a chance de sonhar

Meu corpo é uma cidade manifestada, calçada de palavras, em chamas,

em mim é sempre alta madrugada e drama

Um certo alguém que sente à mesa pra tomar café com pão

Que me beije a boca com paixão, e me leve no ponto

Mas eu não tenho tato com as certezas

Salto de uma pra outra, vidrada na dúvida.

Devo, não devo, fervo, permito,

e me perco no epicentro da roda de samba

Não obstante, me sinto só

Engulo a seco, o choro, e soluço de cachaça e riso

E piso firme na beira da praia, onde corro onde solo onde sob o sol,

Soul poeta, atleta, alegria e contradição.

Branca, branca, branca, branca A minha, nossa voz atua sendo silêncio Meu canto não tem nada a ver com a lua

* comecei a escrever este poema sobre mim mesma, mas qdo vi, servia pra minha amiga aniversariante, Lelê , que é tipo eu, assim mesmo.

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