rainha da noite

11/03/2016

levantava, pegava a bolsa e ia. Jobi, Clipper, Guanabara, Real Astoria, Bar Lagoa, Sats, Bofetada, Cervantes, Bracarense, Hipódromo. Ipanemense que sou, meus bares sempre foram por perto. Canceriana que sou, sempre fiz da noite a minha casa, do bar, meu castelo, dos garçons, meus camaradas. em todos os lugares fiz amigos. só chegar, pedir um copo, emendar o papo, começar outro, rir das piadas, contar casos, ouvir confidências. ali e então, sem passado e sem futuro. fechando bares, abrindo madrugadas, inaugurando dias, raiando sóis, voltando pra casa de manhã, sozinha, com um novo amor ou com um velho amigo. um mundo-ilha onde eu e meus amigos morávamos. quantos milhões de pileques homéricos e noites memoráveis e papos incríveis. eu era a dama da noite, cujo perfume se espalhava ao anoitecer, atendia ao chamado da lua e ia.

os bares, uns não existem mais, outros mudaram pra pior ou melhor, outros continuam apenas de pé. assim como os amigos.

e eu sou uma mulher em permanente exercício de equilíbrio entre querer e poder, sempre tendendo a escolher o desejo à necessidade. como uma bailarina aposentada, de vez em quando visto as sapatilhas guardadas e danço, pro espelho, a minha dança-eu. lembro quem sou, que prazer realmente me diverte e rio sozinha, rebelde como no primeiro dia da minha adolescência. quem foi rainha, nunca perde a majestade. e ainda acho que o paraíso é uma mesa de bar, com amigos e uma noite interminável para gente desbravar.

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R.E.M.

13/09/2011

tenho tido pesadelos, todas as noites. dentro da minha cabeça há um circo de horrores, uma galeria de espelhos, uma feira livre, uma cidade no alto de um penhasco,  uma praia acidentada, um cais e uma estação de trem. e sentimentos de inadequação, como na adolescência.

no passado, durante anos, tive pesadelos.  tantos, que não dormia, nem de noite, nem de dia. os piores terrores noturnos. e diurnos. os piores. pensei em escrever pro stephen king, pra dar umas idéias sobre coisas horríveis pra escrever nos contos. nao sei como sobrevivi, assim, inteira e maneira. qdo fui  morar sozinha, passou, sublimei. ou quando mudei de casa. (à voir.)

o fato é que pessoas assim, como eu, são dadas a essas suscetibilidades. nem sei explicar, mas um pesadelo desses é um dia inteiro de trabalho, é um amontoado de energias pra desembaralhar durante dias. cansa. esgota a pessoa. queria ser passada num filtro, numa moringa.

voltar a ter pesadelos diários, agora, me dá uma sensação de return to forever. daqui, penso, exausta: será, que, afinal, havia mensagens significativas naqueles sonhos? (à voir)

PS: antonio disse: “vc carrega uma tristeza, mesmo quando está feliz.”

eu digo (mas não pro antonio):  “I under rated u. hate u(me)  4 that.”  blam!

 

criatura da noite

26/11/2009

essa coisa de gostar de dormir de dia, todo dia, há milhares de dias, me impede de dormir de janelas abertas. Porque a luz que entra pela janela e pelas frestas das pálpebras, vcs sabem, não permite dormir em paz. gosto de dormir no escuro, oito horas bem seguidinhas. mas não posso negar que o perfume da dama da noite do vizinho, misturada com maresia, entram agora perfumando tudo e vão me levar pra cama, precocemente. São menos de 3 da manhã. por outro lado, se eu estiver dormindo, como vou apreciar a poesia muda e cheirosa da noite? o sol dorme tarde no verão…

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