acordo famosa, foto no jornal, mil emails, telefonemas, twits, facebooks, orkuts. Brincar disso é uma delícia quando a gente é artista e passa a vida entrando e saindo do lugar ao sol. Aparecer dá a ilusão do esperado reconhecimento. Fofíssimas, as pessoas escrevem: Vc merece!

A arte  não é um trabalho comum. As intempéries mudam as coisas de uma hora para outra. Público não é cliente, a lógica é outra. Os intermediários do marketing, que deveriam estar pensando em como transformar público em cliente, não trabalham nem investem em artista “alternativo”. Estão todos pensando em como fazer a Maria Gadu aparecer ainda mais. Portanto, sistematizar esse fazer “alternativo” ao ponto de esperar que a arte supra necessidades financeiras, no Brasil, tem se tornado a pedra no sapato de muitos músicos que têm se visto obrigados a diversificar os negócios, por pura falta de dinheiro circulando no meio. E de lugares para as pessoas irem pagar para nos ver. Nesse ponto, a  internet ainda não serve para nada além de divulgar os trabalhos, indiscriminadamente, lotar as caixas postais de eflyers e links e fazer o artista entrar na lista de spammers do freguês. E fazer com que ninguém mais queira comprar música.

Aparecer assim no jornal dá, ao público leigo, a falsa impressão de que se “chegou lá”. Artista que sou, adoro (mereço) esse afago, me permito aproveitar o doce sabor da fama pelos 15 ou 20 minutos que ela se dá para mim, vez por outra. Embora cantar não tenha nada a ver com nada disso, mas com um sopro interno, uma centelha que se acende e vai turbinando o dínamo por dentro, movimento retilíneo ascendente infinito. Magnetismo, eletricidade e endorfina. Cantar é a droga mais poderosa que já experimentei.

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