dia dos namorados

12/06/2015

Em que país distante andará,

dentre tantos homens brancos pretos amarelos e vermelhos

aquele um que, sob sol e chuva, traz na bagagem a tampa

que fecha a panela vazia que pesa na minha mochila?

Em que barcos cruza oceanos bravios

carregando perto do peito, em devoção,

o breve que envolve meu nome

bordado em pétala de rosa

e, incansável, me busca?

Onde o dono da única alma

que encontrando a minha alma

num átimo,

se reconhecerá como se espelhado fosse?

Ele aposentará as botas gastas de caminho

ele andará descalço, ao meu lado

e eu descansarei meus olhos secos da procura

quando seu olhar molhar o meu

figura e fundo

Quem será o andarilho obstinado

que anda pelo mundo de chinelo velho

atrás deste pé, cansado

de tanto escorregar na pista?

Quem é o homem

que tem deitado em camas e mais camas

sem se queimar nas brasas do amor verdadeiro

e, como eu, tem beijado um mundo de bocas

sem encontrar, em nenhuma delas, o sabor

de laranja pela metade descobrindo a contraparte?

E se desencontrarmos na hora do encontro?

e se eu pegar o ônibus errado?

e se ele se atrasar na hora certa?

e se eu me distrair com a paisagem?

E se ele já tiver passado por mim

e eu, cega, de tanto procurar

tenha deixado ele passar?

Ou terei eu sido a escolhida

para andar por esta terra

para vir a esta vida

sem nunca ser amada, nem amar?

2015-06-07 21.38.20

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