vida de bailarina

02/04/2013

diálogo entre dois gatinhos, entreouvido na academia:
“po, cara, tu tem que ver a comida que eu fiz hj (se olhando no espelho, levantando a camisa pra apalpar os gominhos do tanque): peito de frango grelhado, omelete de 6 claras, arroz integral e salada.”
o interlocutor, tb se olhando no espelho, responde: “po, e eu? peito de peru e um pratão de verdura sem azeite e sem sal. vou ficar sequinho, broder”
“podicrê, mermão”

quitandeiro, leva cheiro e tomate na casa do chocolate, que hoje vai ter macarrão

“Ele foi embora”, eu falei pra minha irmã. “então faz um post”, disse ela.

Era carnaval na Praça São Salvador, em Laranjeiras. Eu sentada numa mesa de boteco com amigos.

Ele* me olhou lá do balcão, abriu um sorrisão solar pra mim. Conheço ele de onde? pensei, retribuindo. Ele veio na minha direção: “Oi, tudo bem? Eu sou o fulano, muito prazer”. O sotaque é do interior de São Paulo? alguma coisa assim, que eu não reconheço.

Dois minutos depois a gente trocou mais sorrisos, ele pediu licença e sentou na mesa com meus amigos. Conversamos tudo, falamos sem parar, mãos dadas, namorando na pracinha, o samba ruim rolando por todo lado. “Vc acredita em vidas passadas?” – ele perguntou – “Não” eu disse. “Então como vc explica isso?”. Não sei explicar. Suingou, timbrou, deu samba.

No dia seguinte M, que tava lá, me ligou: “Rapaz valente, ein? Chegar daquele jeito…”. Pois é, deve ser coisa de vidas passadas.

Torpedos, telefonemas, emails, olho no olho, beijo na boca no bar, caminhadas de mãos dadas no calçadão, relatos da vida inteira vendo a tarde virar noite, lá do alto da Pedra do Arpoador, garrafas de vinho no Baixo Gávea, encontros no Leblon, beijos que nunca chegavam ao fim no corredor do supermercado, lágrimas de emoção, meio bêbados daquilo tudo: Vamos viajar pra Floripa, vamos pra Ilha do Mel! Fotos e mais fotos juntos, lindos, sorrindentes, sortudos!

Ontem ele voltou pra casa. Se vamos nos ver, não sei. Tudo pode acontecer, independente dos nossos planos, inclusive. Não estou triste. Porque eu sei que tem muita gente por aí que nunca nunca viveu nada parecido com isso. Isso é que é tristeza…


*Ele já foi citado aqui como “o menino de ontem”

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