plano B

25/07/2011

O andar 71/2 do Quero ser John Malkovich;  uma coisa entre uma coisa e outra coisa;

A plataforma 9 3/4, onde Harry Potter embarca pra Hogwarts, escola de magia;

O guarda-roupas das Crônicas de Nárnia e lindas florestas encantadas onde se refugiar;

A Terra do Nunca e o congelamento do tempo;

A Terra Média, dos Hobbits, com as casinhas redondinhas e fofas e fumacinha saindo da chaminé;

Pandora, de Avatar, e suas anêmonas flutuantes e seus rios fluorescentes;

Shangri-lá e suas fontes murmurantes.

Supra-realidade: procura-se. Paga-se bem.

O I ching, oráculo chinês das antigas, tem lá um jeitão todo particular de dar recados, tipo assim:

“Retirar-se não é o mesmo que fugir. Na fuga, busca-se apenas salvar a si mesmo, a qualquer preço. A retirada, ao contrário, é um sinal de força.”

Eu sou do tipo última-a-sair. Obsessiva, compulsiva e lenta nos movimentos. Mas até eu sei que tem uma hora em que tem que pedir a conta, pagar, levantar e sair. E dar as coisas por terminadas. Desapegar, desencanar, acreditar que o fim não é necessariamente ruim. O fim pode ser encarado como começo.

A gente, muitas vezes, insiste em permanecer onde está, por apego e por achar que a gente pode dominar tudo e mudar o rumo das coisas.  Muitas vezes esgarcei intenções, requentei desejos e tentei reeditar sonhos, em vão. Eu também sou do tipo que acha que tudo na natureza, incluindo nós, funciona em ciclos. Amor, casamento, namoro, amizade, trabalho, fases, lugares, turmas. Não é só o que é ruim que tem que acabar. Coisa boa também acaba. Eis a questão: a hora de pedir a dolorosa e bater em retirada com toda honra e toda glória.

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