a moura torta*

04/10/2011

Sempre achei as mulheres bonitas seres da primeira divisão. Sempre me achei a patinha feia, no máximo a gordinha simpática, que saía sozinha da festa. Segunda divisão. Desprovida da qualidade “gatinha”, passei a vida achando que as meninas lindas eram as princesinhas e eu, a borralheira, a moura torta. Achava uma coisa maravilhosa ser gatinha.  Só pelo prazer de ser linda e de ser desejada pelos seres masculinos da primeira divisão. E de sair bem acompanhada da festa. Bom, isso seria realmente bom. Mas quando fiquei dourada e gostosa,  nada mudou. Continuei saindo sozinha da festa. Ou mal acompanhada. Patinha feia é gen dominante, mal secreto.

Com o tempo, a gente vai vendo mil coisas e descobre que, embora o mundo trate melhor as pessoas bonitas, a vida é a mãe da biodiversidade, que a todos acolhe, mesmo as patinhas feias, as borralheiras e as mouras tortas. E que outros atributos perduram no tempo, para além da beleza. O que de certa forma é uma libertação, pq quando a gente nao é mais tão jovem, tudo isso dói menos. A gente tem que achar leveza nessa brincadeira. Em algum momento, é favorável que a gente simplesmente aceite as nossas limitações e siga em frente, com alegria, enxergando além. Lutar contra a natureza, e contra o tempo, é esforço vão. As pessoas não são inquebráveis, inoxidáveis. E tenho horror a sair por aí de cara branca, usando filtro solar fator 80, pra chegar aos 90 mais gatinha, coisa que eu nunca fui, mesmo. Dessa, to livre!

 

 

*personagem da literatura infantil, bruxa feia caolha e manca.

 

segredo

05/06/2009

eu já paquerei um cara feio em busca de um jardim secreto

andei por andar andei e todo caminho deu no mar

andei por andar andei e todo caminho deu no mar

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