porque sim*

06/05/2011

Vc sabe que eu sou, acima de tudo, apreciadora dos encontros. Os bons encontros dão alma à vida. É a eles que atribuo minha riqueza, são eles que movimentam e poetizam a vida. No domínio dos encontros verdadeiros não há a vigilância da moral ou regras de tempo-espaço. Há apenas pessoas na mais completa redução, na essência. Sem culpa, sem salamaleques.

Qdo a gente se permite viver para deixar que o momento brilhe, a gente descobre que tem um monte de coisas entre uma coisa e outra coisa, coisas sem nome, com faces variadas. Verticais, intensas, breves, meteóricas. Ou horizontais, longevas, perenes. Tantas qualidades de encontros, tantos momentos voláteis. Fotografia. Tempus fugit.

A gente tem o hábito de rotular para entender as coisas e, no momento em que rotula, acaba por matar a chance de deixar aparecer o que não tem nome. Sou a favor dos encontros sem nenhum nome, sem nenhuma catalogação apriorística. Esses ficarão pra sempre na prateleira da importância, da permissão, da pausa para o jazz da vida, do viver o que há pra viver, do combinar, do surpreender-se. Sem nomear e etiquetar. Só a puríssima arte de encontrar. Seja no Estádio da Luz, em Matosinhos, no Leblon ou na Lapa.

*post resposta ao email do Pedro, um encontro overseas, facilitado por este blog.

“Ele foi embora”, eu falei pra minha irmã. “então faz um post”, disse ela.

Era carnaval na Praça São Salvador, em Laranjeiras. Eu sentada numa mesa de boteco com amigos.

Ele* me olhou lá do balcão, abriu um sorrisão solar pra mim. Conheço ele de onde? pensei, retribuindo. Ele veio na minha direção: “Oi, tudo bem? Eu sou o fulano, muito prazer”. O sotaque é do interior de São Paulo? alguma coisa assim, que eu não reconheço.

Dois minutos depois a gente trocou mais sorrisos, ele pediu licença e sentou na mesa com meus amigos. Conversamos tudo, falamos sem parar, mãos dadas, namorando na pracinha, o samba ruim rolando por todo lado. “Vc acredita em vidas passadas?” – ele perguntou – “Não” eu disse. “Então como vc explica isso?”. Não sei explicar. Suingou, timbrou, deu samba.

No dia seguinte M, que tava lá, me ligou: “Rapaz valente, ein? Chegar daquele jeito…”. Pois é, deve ser coisa de vidas passadas.

Torpedos, telefonemas, emails, olho no olho, beijo na boca no bar, caminhadas de mãos dadas no calçadão, relatos da vida inteira vendo a tarde virar noite, lá do alto da Pedra do Arpoador, garrafas de vinho no Baixo Gávea, encontros no Leblon, beijos que nunca chegavam ao fim no corredor do supermercado, lágrimas de emoção, meio bêbados daquilo tudo: Vamos viajar pra Floripa, vamos pra Ilha do Mel! Fotos e mais fotos juntos, lindos, sorrindentes, sortudos!

Ontem ele voltou pra casa. Se vamos nos ver, não sei. Tudo pode acontecer, independente dos nossos planos, inclusive. Não estou triste. Porque eu sei que tem muita gente por aí que nunca nunca viveu nada parecido com isso. Isso é que é tristeza…


*Ele já foi citado aqui como “o menino de ontem”

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