a coragem

16/10/2014

quando comecei a pesquisar sobre as origens do meu nome, inconsistente, como disse meu amigo sumido, o desenhista Roberto Silva, li uma versão que dizia que Andrea se podia traduzir como Coragem. Aceitei, porque assim  eu quis. De lá pra cá, sempre vim associando coragem à mulher. me apropriando do meu nome e do tema: coragem. Andrea vem de Andros, a essência do homem, em grego, e na Europa, originalmente era nome de homem. Daí a inconsistência que incomodava o Roberto: como uma mulher pode carregar, no nome, a essência do homem?

n​o fim de semana passado fui ao teatro, ver o espetáculo GRITO, um solo de Mariana Guimarães Nicolas, adaptação poli-artística, misturando live painting, dança e teatro, sobre o clássico de Dario Fo e Franca Rame, O monólogo da puta no manicômio.

​o​ GRITO* de Mariana G. Nicolas é cuidadosamente tecido como seu figurino, assinado por Pâmela Côto, um belo corselet todo feito em gaze hospitalar. ​e​m volta dela, ainda toda “nude” em cena, o grito dos artistas plásticos Nando Pontes e Romulo Bandeira que, a cada sessão, alteram, acrescentam, misturam, fazem um cenário dinâmico, pintado durante o espetáculo e adornam o texto, o movimento, o silêncio.​
quando Mariana tira a roupa e fica nua, em pelo, penso: que coragem! ​n​ão é uma nua sensual gostosa loura alta e peituda. ​é​ uma mulher nua, sentada numa cadeira descascada, sem pose, sem Photoshop, sem pudor. a​cima da nudez, acima da beleza e da feiúra, uma mulher comum, seu tempo, seu corpo, seu destempero e seu desterro.
​v​endo a Mariana em cena, nua, com olhos que ora marejavam, ora sorriam, ora se perdiam, ora se achavam, relembrei que coragem, pra mim, desde pequena, quer dizer mulher. sa​í de lá emocionada, batendo no peito e dizendo: eu me chamo Andrea, eu sou mulher, eu sou coragem. somos campo!

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*SERVIÇO
Temporada TEATRO CÂNDIDO MENDES
Temporada de 10 a 26 de outubro de 2014
Sextas e sábados, às 21h
Domingo, às 20h
Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema
Tel.: 2523-3663
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia entrada para estudantes e idosos)
Duração do espetáculo: 50 minutos
Indicação: 16 anos
Fanpage do projeto:
https://www.facebook.com/pages/GRITO/736608706381960?ref=hl

50

14/07/2014

à beira de fazer aniversario, saio de um show numa rádio, pela manhã, mal dormida, pensando no show que terei, exatas 12 horas depois.

chego em casa, ligo o ar, desligo os telefones e me permito dormir o soninho da beleza entre um show e outro. durmo fácil como se fosse.

sonho que estou à beira de uma piscina muito turquesa,  cujas bordas se nivelam ao gramado em redor, como se a água sempre tivesse estado ali, brotando do centro do quintal.

vejo uma criança-delfim me convidando para entrar na piscina, mergulhando desaparecendo numa borda para aparecer em outra, um erê-sereia, chamando sem chamar. vou.

me jogo, mergulho, desta vez por uma espécie de túnel no ar, uma fenda na parede da paisagem por onde entro, como se pulasse um muro pra dentro do mundo.

mergulho e brinco de encontrar a criança dentro d’água. ela foge de mim, nos perdemos, ela ri de mim. e qdo boto a cabeça pra fora, só dá tempo de eu ver as  paredes do mundo se fechando em volta da piscina, retângulo perfeito, erguendo uma muralha de cimento que vai subindo qual torre de babel ao infinito, em volta do perímetro perfeito da piscina. e lá estou eu, no fundo de uma garganta sem fundo. meu paraíso começa a ser emparedado e o sol, que brilhava e azulava tudo, vai virando uma janela remota lá em cima, retangular, uma claraboia que vai se afunilando enquanto sobem as paredes de cimento, em volta de mim, ao universo e além.

minha claustrofobia quase se rende quando percebo um caco caindo do muro eterno, deixando ver o mundo lá fora e, dali, já consigo avistar um pedaço de paisagem, um céu azul, montanhas verdes ensolaradas e outras águas. por conta própria, o cimento da parede vai descascando, saindo como se fosse a casca de uma fruta que se tira com as mãos, espiralando. só que aqui, a polpa da fruta era o lado de fora. a parede se dissolve, e o muro se desfaz em troça. dentro da piscina permaneço, de  novo ao sol, de novo vislumbrando um canto de natureza meio torta, meio Dali. e aí, o céu é meu, e eu sou a dona daquilo tudo de novo.

e nem sei porque, naquela hora, no meio do sonho, eu tive certeza de que as paredes cederam por mim, a mim, e que o sol iluminou a piscina e que o céu era azul, pra mim. só pra me avisar que era meu aniversário e que tudo, tudo está no seu lugar.

perdi um pouco a hora, levantei correndo, segunda sessão começando em breve. 50 anos. banho, maquiagem, cabelo, figurino, malinha, taxi. 50 anos.

2014-03-15 17.01.19

 

 

 

 

 

minha fé

10/09/2013

Escrevo esta oração

Para aceitar aquilo que posso mudar

Reiniciar, desapegar

Escrevo esta oração para  mudar de fase

Para abrir os olhos para olhar a luz

Para seguir em frente

Para aceitar o amor no coração

Para aceitar presentes

Para ser grata

Escrevo esta oração

Para saudar a vida

O que nos é mais caro

O amor que nos une

O céu que nos protege

Os mistérios do mundo

A liberdade

De pedir

De dar

De agradecer

De mudar

afazeres

16/03/2013

ocupar a potência

reconhecer a impotência

abrir a porta

descobrir a força

encarar a escalada

subir

admitir defeitos

aceitar as falhas

embelezar o feio

negociar os vícios

habitar o corpo

ouvir

assumir o volante

segurar na rédea

rodar o timão

e ir

vida afora

agora

um vento bateu dentro de mim que eu nao tive jeito de segurar

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