perdi dinheiro. não sei como. nunca perdi um celular, não perco chave, caneta, óculos, nada! mas perdi um cachê inteirinho, que nem era meu, ia direto pra pagar músicos. na hora em que me dei conta da perda, lembrei de um astrólogo que dizia que qdo a gente perde alguma coisa, ou é roubada, é que tá dando pouco…   entre vontade de chorar e ódio mortal de mim mesma, vou ao caixa eletrônico do supermercado sacar dinheiro.

nessa hora, vejo refletida a imagem de um homem com duas muletas, sozinho, andando muito mal, carregado de sacolas.  me ofereço, num impulso, para ajuda-lo a descer a rampa do mercado, carregando as sacolas pra ele. ele se espanta, me agradece  muito, dizendo que nem dirigir tá podendo com as pernas inchadas daquele jeito. sem entrar em detalhes, pergunto como ele vai sair dali, ele diz que vai de taxi, que logo chamo, enqto ele fala: “que vc tenha um lindo dia! muito, muito obrigado”. E vai.

entro num frescão, rumo ao Centro. qdo abro a bolsa, percebo que faltam 30 centavos pra completar a passagem, já que eles não trocam a nota de 50 que eu tinha. lá de dentro do ônibus, uma moça que eu nunca vi na vida, fala: “ei, pega aqui os 30 centavos”, enquanto estende a mão com as moedas para mim. sem graça, grata, pego o dinheiro, me justificando: “é que eles não têm troco…” e ela fala: “não se preocupe, eu tive um lindo dia, ganhei presentes, fui tão amada, é o mínimo que eu posso fazer para agradecer por tanta felicidade.”

liçãozinha prêt-à-porter: é dando que se recebe.

fim

oversharing

26/10/2010

tenho certeza de que privacidade é um conceito que caducou com a internet. Quem viu, viu, quem não viu… nunca mais. Perdemos para sempre a noção da privacidade, conceito e valor. Definitivamente, o que era bom em segredo é muito melhor em público. Mas por que será que tenho a impressão de que essa comunicação é um empilhamento de monólogos sem feedback, onde os interlocutores podem ou não interlocutar, que dá na mesma, o que interessa é ter algo a dizer. A gente vai continuar postando detalhes de todos nós, para alguém ou ninguém ler, simplesmente porque dá a sensação de movimento, pq agora a vida tem que ser evidentemente legal e todo mundo precisa saber o quanto.

Perdi completamente a noção da vida sem essa exposição, pq tenho um pc desde os primórdios dos pcs, sempre estive em todas, nunca tive dificuldade com a linguagem de internet e fiz aquele percurso natural de descoberta, acompanhando como usuária, a evoluçao da própria tecnologia. Vi de perto o surgimento das redes de relacionamento, desde o tempo do icq, do irc, das salas temáticas de bate-papo, até o momento atual. Tenho tudo: orkut, FB, twitter, site, myspace, youtube e este blog.  Nunca desligo o computador e sinceramente nao acho que isso vá mudar, pq a cada dia fica mais natural ver o mundo via web. E sem a internet, atualmente, uma cantora não existe.

A internet faz pelas pessoas o que a TV fazia antigamente, entretém, só que com a programação à escolha, individual, disponível fulltime com o adicional da interatividade. Pensou em solidão? Pensou certo.

PS: Minha sobrinha, de 9 anos, outro dia resmungou: “Poxa, nunca recebi uma carta! Só da Caixa Econômica Federal!” Mandei a carta, recheada de recortes, cartões, fotos. Souvenir de tia, pra ela ver como era a vida no tempo da privacidade.

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