Qual é a música do Brasil? O samba de Cartola é tão brasileiro quanto o de Chico Buarque, assim como o choro do Jacob do Bandolim e o do Hamilton de Holanda. O Brasil de Tim Maia suinga, assim como o de Jorge Benjor, e logo ali estão os mineiros do Clube da Esquina, com a voz celestial de Milton Nascimento, a guitarra internacional de Toninho Horta. E tem também o Toninho paulista, o Ferraguti, que manda ver no acordeon, assim como o Borguetinho, lá do Sul, e o mestre Dominguinhos da Paraíba, que bota todo mundo pra dançar xote, forró e xaxado. E já que estamos no nordeste, como não falar de maracatu, de boi, de ciranda e de coco? Do sincretismo da Bahia, do afoxé, do samba reggae e da MPB de Caetano e Gil. João Gilberto saiu da Bahia para dar sua cara à ensolarada bossanova, carioca como Tom Jobim, tão brasileira quanto o samba canção, o carimbó e a chula. O Brasil tem em si toda a musicalidade do mundo. É muita música neste país.

2014-03-30 17.55.39

fio da meada

25/04/2011

Minha irmã me ensinou que Flaubert disse: “Tenha cuidado com a tristeza. É um vício.” Depois disso, nunca mais esqueci de driblar os pensamentos que podem acordar tristezas, tirá-las dos esconderijos onde estão, e dar-lhes à luz. A tristeza tem lá seu colorido, seu sabor. É farta e disponível. E vicia. Se a gente puxar o fio da tristeza de dentro da gente, ele apresenta uma a uma,  feito lenços saindo da cartola do mágico, feito bandeirinhas de São João, feito lampadinha de árvore de natal: uma seguidinha da outra.

Tristeza não tem fim. Está sempre lá, cheia de motivos. Tímida e chorosa, num  cantinho, ou doida pra brilhar, dançando em cima do queijo, espaçosa. Uma tristeza convida a outra pra entrar: “fica à vontade, querida, aqui tem espaço para todas nós!” E ela entra,  arma sua barraca e acampa na sala.  Quando uma alegriazinha qualquer bate à porta, elas abrem e dizem: “não tem ninguém em casa”, e blam!

Morro de medo de tristeza, pq quando começa não para mais, e aí ela me invade como o inimigo invade uma cidade, me toma e me ocupa, mesmo os melhores lugares de mim. Sequestrada por ela, refém da tristeza, paralisada, vejo a vida real passando lá longe, imperfeita, mas também cheia das alegrias que pisoteamos, todos os dias, em busca da felicidade.

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