Eu estava com o Arranco em Paquetá, para um show de pré-rèveillon na praia,  fazendo hora no boteco-camarim. E tome pastel de camarão, enquanto esperávamos a gloriosa hora de entrar no palco ao lado de velhos bambas como Monarco, Nadinho da Ilha, Walter Alfaiate, Wilson Moreira. A galera chegava e se acomodava na areia, esperando o samba. Alguém recebeu um telefonema e falou: Caraaaca, a Cássia Eller morreu!

Silêncio.

Ficou todo mundo parado, com o coração desafinado e o samba atravessado. Uma tristeza só. Esse papo de o show ter que continuar é coisa que todo mundo fala, mas só artista realmente entende. Subir num palco pra festa com uma pedra no peito é dureza. Mas a gente vai lá, liga o personagem e acaba fazendo o show, mesmo com aquela estranheza atravessando a gente. Essa é a minha lembrança do dia da morte da Cassia Eller.  “Morreu de bobeira”, alguém falou!

Cássia era um escândalo. Sanguínea, quente, entregue, perfeitamente em consonância com o que cantava. Era incrível a presença tomada, colérica, apaixonada, aquele vozeirão que a carregava, rouca, o rosto explodindo, as veias saltando do pescoço. Je ne regrette rien, atacava ela, de Piaf. Já eu, Cássia, me arrependo para sempre de não tê-la visto muitas e muitas vezes. A gente deixa coisas passarem assim, passando, sem prestar muita atenção, e aí já viu… perdeu.

Que eu saiba, nunca houve nem haverá uma cantora como ela. Nem no rock, nem no pop, rien de rien, em lugar nenhum…

A música é só se for a dois, de CAzuza. Só encontrei esse video…

%d blogueiros gostam disto: