mea culpa

22/03/2013

somos todos iguais. Tá, uns mais iguais que outros. uns completamente diferentes. passamos a vida procurando nossos pares e deles nos aproximamos e ficamos agrupados assim, por afinidades. algumas reais, algumas presumidas, algumas apenas desejadas. nos aproximamos do que nos identifica, ou do que desejaríamos que nos identificasse. mas a vida não permite esses territórios fundamentalistas. no dia a dia, a gente esbarra com gente – de bem – totalmente diferente da gente. amigo de amigo, amigo de parente, parente de parente, parente de amigo. não tem como evitar e nem deve. é saudável saber respeitar outros mundos. o exercício diário de tolerância com a diferença, mesmo aquela que nos agride os valores, que nos incomoda, que nos indigna, é um dever de casa da vida, que recebemos todo dia, se quisermos, pra aprender alguma coisa. me envergonho de pensamentos preconceituosos, de pré-julgamentos, de achismos, de definições apriorísticas, de classificações e antecipações indébitas. me envergonho da minha mente tacanha disfarçada de aberta e disponível.  todos os dias, quero tirar de mim essa mentalidade classe média cega e burra e alçar voos do tamanho do mundo real, onde tudo pode, onde tudo existe, onde tantas verdades co-habitam.

essa é a minha oração. é por isso que, todos os dia, bato no peito, peço perdão e confesso: mea culpa, mea maxima culpa. prometo melhorar. amém.

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o sistema

16/01/2013

eu sempre pensei no “sistema” como inimigo nº1 de gente legal. os caras do sistema são aqueles que compram carros enormes com tração nas 4 rodas, sem terem a menor intenção de pisar numa estrada de terra. o sistema é aquele cara meio babaca, careta, reaça, que lê revista Veja, vota no mauricinho e manda o filho fazer intercâmbio nos EUA. o sistema é aquele monstro que ceifa talentos, que enterra dons, que molda a criatividade a seu favor e tenta engarrafar o mar. o sistema obriga pessoas a conviverem e se aturarem, mesmo sem terem nada a ver. o sistema vende refrigerante como sendo uma coisa boa. o sistema classifica pessoas em prateleirinhas. o sistema faz pessoas só poderem ir à praia no fim de semana, todas ao mesmo tempo, engarrafadas no seu desespero por viver o lado bom da vida só até domingo à noite. o sistema faz as pessoas fazerem a mesma coisa, na mesma hora, todos os dias da vida. rouba o tempo de viver, as horas com os amigos e a família, até as pessoas ficarem conformadas e velhas demais para fazer o que quiseram fazer de verdade. mas tiram férias uma vez por ano, se aposentam, vão à Europa  trocam de carro, criam filhos, tiram fotos no natal. e sempre podem ter um hobby pra aplacar a rotina. morte horrível.

fiz escolhas pessoais e profissionais de ficar sempre ao largo, transitando apenas o necessário nos sistemas que se empilham por aí, por sobrevivência, e escolhendo viver de outras maneiras. até tentei me adaptar, mas não consegui. jovem demais pra morrer, velha demais para o rockn’roll, agora estou numa categoria meio hippie-meio looser, meio louca-sonhadora, invejando a paz e o conforto de quem se adaptou. a verdade é que até hoje não me conformo, mesmo nessa idade e nessa situação. estou nua diante de um tiranossauro rex faminto, pronto pra me devorar.

tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você. não é me dominando assim que vc vai me entender

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