estou participando de uma espécie de congresso de música vocal, de 3 dias de duração. É um encontro internacional, com palestras e workshops o dia todo, tudo em torno dela: a voz. Dei de cara com meu passado de estudante, dos tempos da Pró-Arte. Meus colegas, que eram aspirantes, agora são eles os professores. Revi o filmezinho da minha história e me comovi. Não é que eu realmente fiz o que eu queria? não é que realmente vingou aquele desejo delirante? 25 anos depois, eu sou realmente cantora profissional, reconhecida e respeitada por isso, como um dia eu ousei querer ser. Ah, sou! e isso me enche de emoção e felicidade, pq eu fui lá e fiz, com todas as pedras do caminho, e isso é meu só meu.

coincidentemente, no mesmo CCBB tá rolando uma grande exposição sobre a vida da Elis. Hj sentei pra ouvir e ver Elis com olhos e ouvidos da cantora adulta que agora sou (onde coloquei esses 25 anos? que vertigem que me deu agora… como se eu tentasse subir uma escada rolante na contramão: esforço vão).

Ouvi Elis bem pouco na vida, nunca pra estudar. Na verdade, nunca ouvi cantoras pra estudar. Eu colocava os discos e cantava em cima, mas do meu jeito. Eu era a estrela. Nasci sem o dom de imitar e com excesso de personalidade. Hj, arrepiada dos pés à cabeça, surpreendida com lágrimas nos olhos, boquiaberta, vi uma Elis estupenda, num telão gigante, onde é possível ver toda a articulação do seu canto, a trajetória do ar, a embocadura, o corpo que se dá inteiro ao cantar, um bloco de emoção e técnica, tão perfeitamente natural e orgânico… E o amor profundo de todo o ser dela por cantar, o gozo, a completude. A gente adivinha a coluna de ar espiralada ascendente que atravessa a cantora (só as de verdade), e a eleva àquele lugar onde só a música coloca a gente, uma dimensão imaterial onde só existe respiração e som, e o vento bate por dentro, o sangue quente borbulha nas veias e a gente simplesmente se entrega à canção. Me peguei aos prantos, como se eu sentisse aqui a dor da Elis, a dor do silêncio da Elis.

Imagem

.*frase da Elis

lush life

03/08/2010

Acima de todas as coisas quero cantar o que quero cantar e ganhar dinheiro com isso agora, o suficiente pra me sustentar e viver confortavelmente.  Só isso.  Definitivamente, não preciso de carrão, de diamantes, de personal coach, de bolsa Louis Vuitton, de calça Diesel, de sapato Manolo Blahnik, de férias em NY. Nem preciso jantar no Antiquarius ou beber Dom Perignon. Acho mó mico pagar R$ 500 num par de óculos e sair por aí ostentando aquele Prada enooorme do lado da cara. Mico.

Não quero uma casa no campo, não quero jatinho, não quero apê na Avenue Foch. Troco tudo isso pelo luxo da liberdade. Preciso de pouco. Isso é querer muito? Não me amarra dinheiro, não. Mas formosura.

Não quero garantir o futuro. Quero garantir o presente. A vida, a alegria, a liberdade de usufruir da vida, plenamente, e quero agora! E quero cantando.

Tá bem, to só desabafando, agora tenho que ir finalizar um texto, tenho prazo pra cumprir, mil coisas pra arrumar pra gravação de um videoclipe, amanhã.

Adaptação, realidade, vida adulta. Infinitamente chato demais. Fim.

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