Com urgência, entrei na primeira ótica que vi, pra comprar lentes de contato. Fui tratada como uma rainha. Pessoas simpáticas, hiper eficientes e à vontade, sem excesso de treinamento. No fim da compra, papo descontraído, o cara que me atendeu dá uma geral nos óculos de sol que estou usando, me dá um brinde e abre os braços para me dar um abraço: “Felicidades pra vc!”, nos abraçamos afetuosamente. A moça também vem me dar um abraço: “Deus te abençoe, linda!”. Tudo me pareceu verdadeiro. Saltitei pra fora da loja, com 10 anos de idade, bombeando amor universal pelas ruas de Ipanema.

Quando a gente tá contente… baratotal. Aquela felicidade hare krishna de sorrir pra tudo, com verdade. Estar contente é o que? Contente vem de contentamento, que o Aurélio descreve como: “sentimento de prazer, alegria.”

Hoje confirmei que o contentamento, pra mim, não tem nada a ver com alcançar as condições que estabeleci como básicas para ser feliz, tipo a grana, o trampo, o amor.  A tal “mitologia da felicidade”: se eu tiver tanta grana, tal trabalho e um amor x, então serei feliz. Mas tem a ver com a decisão de ficar contente. Atualmente estou em treinamento íntimo pra sempre escolher sorrir, e mudar o curso da história daquele momento na base do sorriso.

Peço perdão a todas as correntes que não vou citar, para dar a minha teoria do que é realmente transformador: as lentes e a prática do contentamento. Mudar a minha perspectiva do mundo muda o mundo para mim.  E nao o mundo em si, que é sempre exatamente o mesmo fucking bloody multifacetado wild mundo. E nunca vai poder ser diferente, porque ser mundo é ser isso, é ser tudo.  Tipo gente. Gente é tudo.

*li esse conceito no The cow in the parking lot – A Zen Approach to Overcoming Anger, de Leonard Scheff e Susan Edmiston, que acabei de traduzir pra Ed. Objetiva. Merece a leitura, para além dos domínios da autoajuda.

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