beijo

10/08/2013

a gente ainda não se beijou porque, no dia em que a gente se beijar, a catedral do Rio de Janeiro vai decolar feito uma nave, e as pedras portuguesas vão descolar das calçadas, e a escadaria do Selarón vai virar um tapete pra gente passar e a Lapa vai parar.

só por isso que a gente ainda não se beijou,

só por isso.

la luna

16/06/2011

o dia era da lua. eu sou canceriana, né? lunar, lunática. fui pedalar e ver o eclipse da lua. vi a lua branca, cheia perfeita, redonda, desaparecer às mordidas, enqto eu pedalava do leblon ao arpoador, ida e volta, ida e volta. o eclipse  enegrecendo tudo,  até que se cumpriu, cobriu, descobriu. o arpoador rugia. faz frio nesta cidade.

depois, noite alta, fui pra lapa, pra rua. A lua, a noite toda, novamente em plenilunio. até beijei uma boca, rapaz novo. pecado, pensei, tadinho, pensei, me fui. no caminho de volta pra casa, a danada da lua me olhava, pela janela do taxi, da lapa ao leblon. chegando em casa, quase de manhã, a lua ainda molhava a minha cama pela janela aberta, na hora de fechar a cortina.

amanheceu, fechei o blackout . ela está encoberta pela manhã. eu, também. nós, as selenitas.


Doceria

20/05/2011

um dia a gente comprou um quindim, e a gente entrou no carro, sempre rindo, sempre felizes, e vc segurou o doce, me oferecendo, e eu meti a boca na superfície translúcida, solar, cremosa. E depois foi a sua boca junto comigo no quindim, interceptando a tensão superficial, oportuna derrapagem, cremosidade perfeita.

Afinal, de quem era a boca, de quem era o quindim? Sabe essas coisas?

Pois.

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