autoajuda

15/09/2012

gosto mesmo qdo falam: “seu sucesso só depende de vc!” E aí a gente fica andando pela vida, carregando aquela culpa master, por ser um incompetente absoluto, por não saber encontrar o sucesso, por não saber galgar os degraus da fama e por não chegar nunca “lá”. Embora trabalhe com as forças do mundo real, com afinco, tendo resultados humanos. Esse resultado mágico, só no imaginário de quem tem a imagem distorcida da realidade. Realidade dói e tem momentos de prazer e fúria. Desconheço esse Olimpo dos deslumbrados com a magia, que promete a mais fácil das saídas: pense e obterá tudo o que desejar. Desejar é fácil, quero ver meter a mão na massa real.

Tenho uma vergonha alheia terrível qdo as madames enchem a boca pra falar de física quântica, uma matéria super específica e escabrosa, para cabeças altamente treinadas. Elas leram as leis do sucesso de Depak e se sentem, assim, as cientistas da autoajuda. Citam física como quem cita a profundidade de Paulo Coelho: boca cheia, cabeça vazia. E os físicos, tadinhos, fora aqueles que trabalharam para o pessoal d’O Segredo e do Quem somos nós, o que será que eles têm a dizer sobre a física aplicada ao eso(his)terismo de madame?

Eu faço música de autoajuda. Meu procedimento quântico é no palco, cantando, desopilando da vida bandida e movimentando nanoesferas de energia boa, oferecendo beleza para quem escuta, diversão pra quem precisa e alívio para as dores do mundo, especialmente as minhas. Essa circulação é pura física, é pura química, é pura biologia. “Lá” pra mim, é o palco. Lá eu chego bem relax.

para chegar ao portão do castelo, será necessário driblar os crocodilos que habitam o fosso que circunda os muros. e compreender sua lógica, que não há.

depois de atravessar o fosso, será preciso cruzar a ponte elevadiça, que pode não estar arriada, e derrubar o portão de madeira pesada, trancado a sete chaves e tacheado com pontas de ferro e munido com línguas de fogo. há o risco de óleo quente ser derrubado de cima das torres, por sobre aqueles que ousarem tentar macular o silêncio da cidadela.

para penetrar no pátio central, e chegar ao jardim, há uma barreira de cães ferozes, famintos de mil guerras. o jardim está deslumbrante e florido, mas há espinhos nas rosas polpudas, cujo perfume se alastra impelindo o invasor a prosseguir.

será necessária a fibra de um guerreiro, a perspicácia de um sábio, a destreza de um mago, a delicadeza de um  bardo e a inocência de um bobo, para invadir o jardim, conhecer suas delícias, suas damas da noite, suas sombras generosas, suas fontes de água limpa, a rosa. e seus espinhos.

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