Quando era bem novinha, na vida passada em que fui bailarina, eu dei muita aula de balé, pra baby class e adultos. Dei aula até de dança afro, que estranhamente psicodancei pra substituir a Dil Costa, minha professora interrompida por uma intempérie da vida.

Alongamento, alongamento em dupla, clássico, jazz e sapateado, minha especialidade!  Eu dançava super bem, tinha inteligência corporal, fluidez. Mas a vida toda no eterno engorda-emagrece-engorda, apesar de toda inútil neurolinguística, percebi que não tinha physique du rôle para o mercado da dança, que acabei abandonando, embora ainda ame dançar. E também, reparei que eu era uma má professora, burocrática, sem saco.

Como morei na Inglaterra, também dei aulas de inglês. Odiava com toda paixão.  Acho que os alunos também, porque eles, assim como os clientes da funerária, nunca voltaram. Depois que estudei música, fiz uma super formação para professores, na Pró-Arte, excelente para quem tem… talento para dar aula. Dei aula de musicalização em colégio, em pré-escola e até em creche. Toquei violão para bebês, no berçário. Metade chorava de medo, o resto, dormia. Precisada de ganhar a vida e pagar as contas, eu acordava aos prantos, na hora de ir pra creche, como se fosse enfrentar leões famintos. “Mas são apenas bebês!!!” – dizia meu ex, ao me ver acordar em pânico total, no dia de dar aula pras crianças que engatinhavam em volta de mim, no piso fofinho da creche. Tinha verdadeiro terror das crianças maiores, embora eu me entenda bem com crianças, em geral. Eu fantasiava que a diretora da escola ia entrar na sala, acompanhada de guardas, e gritar: “Prendam essa impostora!”

Resolvi dar aulas particulares. Nada como adultos escolhedores e interessados. Qual o quê! Meus alunos pagavam adiantado e sumiam! Eu era escalada pra bater papo, pra ouvir confidências, pra sair pra beber, até pra festa de seres andróginos eu fui convidada. Mas aula que é bom, nada! 

Em verdade, em verdade vos digo: odeio dar aula e sou péssima professora. Menor saco, menor entusiasmo. Recentemente, quando eu disse que não dou aula (de canto), ouvi: “Ah, é, sua egoísta? Quer o que sabe só pra si, né?” Fiquei bolada. Na tentativa de ressignificar conceitos, arrisquei novamente. Quem sabe, num novo momento? Água! A aluna sumiu depois da segunda aula. E eu encerrei esse capítulo da minha história, definitivamente. E é por isso que a alternativa nº1 de quem trabalha com música não é uma alternativa pra mim. Aí eu fui cozinhar. Mas isso já é outra história…

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