minha irmã

22/04/2009

Se não fosse pela minha irmã, eu não teria ouvido falar no violinista que escuto agora, o belga Arthur Grumiaux. Não teria ganhado o CD do Concerto de Ravel em Gm e outro do Satie. Também nunca teria morado em Paris e provado os éclairs perfeitos do  Lenôtre. Não teria ouvido falar de claro-escuro. Não teria lido Freud, nem Hermann Hesse. Nem Monteiro Lobato. Mas também não teria sido obrigada a brincar de “maninha” e de “korak”, isso teria sido bom. Sem ela seria impossível fazer aquele número de botinha de verniz molhado vermelho e mini-mini 😉 ou de pijama de calhambeque.

Se não fosse por ela eu não teria estudado canto e não teria feito análise quando precisei. E não teria tido roadie nos shows, carona pros músicos, carro para a produção. Sem falar em grana. Se não fosse pela minha irmã,  eu não teria lido um terço dos livros que li, visto um terço dos filmes que vi e nem escutado ELP, Genesis e Cat Stevens. Nem teria, aos 22 anos, corrido pra chegar a tempo de ver o Pavarotti em La Bohème, na Ópera de Paris. Não teria sido chamada na xinxa, muitas vezes. Nem saberia que detesto lieds e Kurt Weill e Brecht. E nem acharia super normal uma pessoa viajar, falar idiomas, querer melhorar, ganhar o mundo, sem esnobismo, sem afetação. Ela me ensinou a achar legal ter cultura e inteligência.  Talvez eu nem conhecesse Cole Porter. Se não fosse por ela eu não estaria indo ao homeopata bruxo que eu amo. Com ela dou as maiores gargalhadas da vida, e ligo pra comentar uns comentários que só com ela, mesmo.

Last, but not least, se não fosse pela minha irmã eu não teria a minha sobrinha. E ela ainda diz que sou eu que animo a vida dela…

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