The unspeakable

14/04/2015

Ligo pro mercadinho da esquina pra pedir coisinhas urgentes pro dia. A mulher atende com simpatia, até eu perguntar: “e camisinha? Tem camisinha?”

Ela engole  seco antes de soltar um breve e assustado “ãn”?, como se eu tivesse perguntado: “Vcs vendem cocaína bem purinha aí?”

“Sim”, respondo, “camisinha”. 

‘”Não, não tem, não…” Negativissima.

Ok e prossigo com o pedido. Quando estou quase pedindo pra fechar, ouço um tímido “tem”. “Tem sim.”

“Tem sim, o quê?”, pergunto, já com a cabeça na lista.

“Aquele negócio que você pediu”

“Ahhh, a camisinha?”, reforço, didática.

“É. Isso aí mesmo.” Sem sequer balbuciar a maldita palavra, sem dizer o indizível! 

Que tipo de mulher pede camisinha, numa segunda à tarde, assim, sem disfarçar a voz, entre tomates e filtro de café? 

Divertida, me sinto  transgressora como uma adolescente falando um palavrão cabeludo na frente da família. E mando fechar a conta, camisinha incluída.

Recebo as compras em casa e lá vêm elas: camisinhas sabor melancia. 

Me zuou.  

fumo de rolo arreio e cangalha eubtenho pra vender quem quer comprar?  

Uma resposta to “The unspeakable”

  1. ze said

    adorei

    Curtir

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