testemunho

25/08/2011

por que só existem igrejas para reunir aqueles que se sentem pessoalmente atendidos por deus e socorridos por seus supostos milagres? ou para aqueles que estão na fila do atendimento?

Por que não há uma igreja que reúna aqueles que passaram a vida batalhando, se dedicando, crendo em milagres, rezando, pedindo, meditando, fazendo novenas. acendendo velas, fazendo promessas, acreditando fervorosamente, do fundo do ser, sem jamais serem atendidos por ninguém. Para quem nada aconteceu, nenhum milagre foi realizado e nenhuma graça alcançada. Só o dia-a-dia. Mas quanto mais ferrada, mais a pessoa crê. Crer é a tal da última esperança que morre. E professar o não-crer implica o medo de ser ouvido – e castigado – pelo deus-pai. Na dúvida, né? Vai que o cara era o próximo da fila e foi reclamar logo na hora do atendimento.

Fé insuficiente, dirão. Dedicação insuficiente, dirão. E quem detém o medidor de fé e de dedicação? E quem atribui o respectivo resultado? Ah, é o próprio crente que faz tudo? Então fé = atitude.  Para quem consegue/pode/sabe agir. Pra todos os outros, a reza.

Todas as vezes em que fui ajudada, foi por gente que me ama, a quem sou gratíssima. Todos deste plano humano. “A vida é um dom”, dizem, “não seja ingrata”, mas sei que a vida também pode ser um estorvo interminável, um trabalho de Sísifo. Na maior parte das vezes, mesmo focada e correta, não fui soberana, não pude escolher os resultados do jogo, por melhor que tenha jogado. Jogo insuficiente, dirão.

Não adianta a ilusão do timão. Quem navega é o mar.

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6 Respostas to “testemunho”

  1. maray said

    não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar…é uma música linda, mas não é um bom lema de vida. Porque a gente tem sempre o último trunfo, o street flash final: a gente pode descer do bonde e ponto. O mar? Fica pra trás. Com toda sua grandeza.
    Não acredito em religiões. Acredito no ser humano. Foi ele sempre quem me ajudou também. É a ele que me dedico, na falta de qualquer deus inventado.

    Navegar é preciso.

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  2. carlucho said

    A igreja que você se pergunta,se houvesse, não seria igreja.
    Acho apenas que a última esperança não é bem da ordem de uma crença, e sim de fé.Fé não tem objeto desenhado,não tem rosto,não tem conteúdo.Fé é tão somente apostar.O que a turma faz é transformar tudo em crença,em aparelho eclesiástico.Daí a tal igreja.O pior que não é só com religiões não.Tem cientista ,psicanalista,artista que transforma sua fé,sua ferramenta de uso ,em crença.Daí os fundamentalismos que nos fodem a vida.
    Beijão e adoro os seus textos

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  3. carlucho, tá certo, é de fé, e nao de crença. era isso que eu queria dizer, 😉

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  4. Zoca said

    é isso aí: faça a sua parte da melhor forma possível
    e ainda assim vc será surpreendida, contrariada…
    não é bem uma relação de causa e efeito, é mais
    uma combinação entre fazer escolhas em busca da
    felicidade e aceitar as adversidades…

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  5. soraya said

    nosso templo é outro. com fé ou crença, bravo !

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  6. zoca, o negócio é ir indo… rindo émelhor, mas nem sempre dá 😉 rs

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