porque sim*

06/05/2011

Vc sabe que eu sou, acima de tudo, apreciadora dos encontros. Os bons encontros dão alma à vida. É a eles que atribuo minha riqueza, são eles que movimentam e poetizam a vida. No domínio dos encontros verdadeiros não há a vigilância da moral ou regras de tempo-espaço. Há apenas pessoas na mais completa redução, na essência. Sem culpa, sem salamaleques.

Qdo a gente se permite viver para deixar que o momento brilhe, a gente descobre que tem um monte de coisas entre uma coisa e outra coisa, coisas sem nome, com faces variadas. Verticais, intensas, breves, meteóricas. Ou horizontais, longevas, perenes. Tantas qualidades de encontros, tantos momentos voláteis. Fotografia. Tempus fugit.

A gente tem o hábito de rotular para entender as coisas e, no momento em que rotula, acaba por matar a chance de deixar aparecer o que não tem nome. Sou a favor dos encontros sem nenhum nome, sem nenhuma catalogação apriorística. Esses ficarão pra sempre na prateleira da importância, da permissão, da pausa para o jazz da vida, do viver o que há pra viver, do combinar, do surpreender-se. Sem nomear e etiquetar. Só a puríssima arte de encontrar. Seja no Estádio da Luz, em Matosinhos, no Leblon ou na Lapa.

*post resposta ao email do Pedro, um encontro overseas, facilitado por este blog.

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14 Respostas to “porque sim*”

  1. pedro said

    deliciosa resposta, magnífico encontro, esse post…

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  2. soraya said

    toda a razão ! e justo hoje eu meditava sobre se daria para sentir sem pensar. como exercício, é como chegar na franja da nossa estratosfera e já não saber mais sequer o que se sente, se frio ou quente.

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  3. sô, dificilimo tb, pra mim, q acordo pra pensar! rs mas qdo a gente dá uma distraída, ne? rs

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  4. sô, pensando um pouco mais sobre isso, acho que o percurso inverso é mais fácil de compreender, isolando o sentimento qdo ele é mandatório, como numa paixão pela pessoa “errada”. Vc sente, mesmo sem se permitir, mesmo que seu pensamento incline as coisas para o oposto. faz sentido?

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  5. pedro said

    Não se sente sem pensar. Pensa-se, antecipa-se, recorda-se, racionaliza-se até. E sente-se… (Marisa Monte canta “não é proibído” no mp3, e Gent, lá fora, pela janela do trem…) a fronteira passa-se quando se teoriza, quando se quer que o outro sinta, quando, cedendo a essa humana tentação, se quer mandar no sentimento alheio, e aí mil morais, mil regras, mil proibídos, porque tudo, porque não, simplesmente. E ainda que o saibamos impossível, quantas vezes o tentámos?…

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  6. soraya said

    todo o sentido ! às vezes a gente nem sabe porque sente. e outras vezes, embora saibamos, não temos coragem de assumir. sequer para nós mesmos ! e tem mais: quando falamos “sentimento”, parece que de certo modo falamos de algo divino, puro, bom… e eis a questão central: pensar seriamente exige muita coragem, pois o sentimento é fundamentalmente imoral! 🙂

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  7. soraya said

    ou melhor: o “verdadeiro” sentimento esnoba qualquer moral…

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  8. soraya said

    ou melhor: o sentimento “verdadeiro” esnoba qualquer moral…

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  9. so, ahahaah, adorei isso que vc falou, da importância de divindade que damos ao sentimento, como se fosse um desígnio divino, uma coisa do além! adorei.

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  10. so, agora vc me pegou… qual a diferença? qto mais penso, mais me embolo…

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  11. so, agora vc me pegou… qual a diferença, qto mais penso, mais me embolo…

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  12. Zoca said

    lembrei de uma letra do moska que adoro: “nas semi-coisas das coisas, outras versões da verdade.” 😉 Bjs mil

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  13. semi-coisas das coisas, ah, o moska, amo!

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